Escatologia, é realmente, um tema difícil de abordar. Dentre esse conjunto de temas, está o Milênio, sendo interpretado sob as visões do amilenismo, pré-milenismo e pós-milenismo. O livro de Apocalípse, é, em especial, o mais lido e comentando para falar dos eventos escatológicos. O livro é tão difícil de ser interpretado, que nem Calvino, o maior teólogo da Igreja, depois de Paulo e Agostinho, quis comentar. A IPB não tem uma opinião oficial sobre a questão do milênio. A opção para endossar uma posição, é absolutamente livre, indicando que um membro da Igreja pode endossar qualquer uma dessas posições. Dentro dos assuntos de linha escatógica, encontramos a questão do cumprimento da Grande Tribulação sobre a Igreja. Os adeptos do preterismo [completo ou parcial], tem defendido que o evento da grande tribulação, que a igreja sofreria, já ocorreu e se cumpriu literalmente, durante o ano 70 d.C, quando o general Tito, destruiu o templo de Jerusalém e matou milhares de judeus. Apelam para Mt 24:15-21; Lc 21:22-24. Além do mais, eles afirmam que todos os eventos de Mt 24:1-39 se cumpriram no 1º século da era cristã. Esse tipo de argumento deixa lacunas e perguntas sem respostas. Estudemos essa questão...
Mt 24:1-39 se cumpriu no 1º Século da Era Cristã? Não!
Examinemos cada texto:
(a)"E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada. E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos...Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis"(Mt 24:1-5,23-26).
Comentário: (i)A invasão do general Tito sobre Jerusalém fica subentendida no v.2, como cumprida no ano 70. (ii)Mas e as menções dos "falsos cristos e falsos profetas", fazendo 'grandes sinais e prodígios', se cumpriu no século I? Onde estão as evidências?. O senhor Kenneth L. Gentry Jr, em seu livro "Pós-Milenarismo Para Leigos" não traz nenhuma evidência histórica disso, mostrando que esse evento não se cumpriu no século I.E mais. Se é verdade que o aparecimento de todos os falsos profetas, isto é, todos os hereges, se cumpriu no século I, o que faremos com Práxeas, Sabélio, Eitiques, Apolinário, Ário, Pelágio, Nestório, Mani, os Monotelistas, Macedonianismo, Bogomilismo, Mormonismo, Espiritismo, Adventismo, Cultura Racional, Meninos de Deus, Maçonaria, Rosacrucianismo, Santa Vó Rosa, Igreja Messiânica Mundial, Perfect Liberty, Igreja Seicho No Ie do Brasil, etc? O que dizer do arminianismo remonstrante, condenado como heresia no Sínodo de Dort em 1618-1619? Os delegados das igrejas reformadas estavam brincando de condenar fantasmas de falsos profetas?
(b)"Ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.Mas todas estas coisas são o princípio de dores"(Mt 24:6-8)
Comentário:(i)Jesus faz menção de eventos que ocorreriam em 'vários lugares", não apenas em Jerusalém.(ii)Isso posto, quantas nações e quantos reinos se levantaram um contra o outro no 1º século da era cristã?O Sr. Kenneth Gentry, faz menção da 'Guerra Judaica' e de revoltas da Britânia, Germânia e Gália(Pós-Milenarismo Para Leigos, p.80). Há várias menções de guerras após a era apostólica. Lembrando que revoltas são são guerras, e isso, portanto, não cumpre a profecia do Senhor.(iii)Sobre a questão da 'fome', o Kenneth L. Gentry Jr menciona a profecia de Ágabo, no ano 50 d.C, e cita Flávio Josefo mencionando outras menções de fome(pp.8-81), mas sempre aludindo ao território judeu, enquanto que o texto bíblico menciona o evento "em vários lugares", não apenas em Israel.(iv)Sobre os terremotos, Gentry cita Creta, Roma, Apameia, Frígia, Campanha, Laodiécia, Pompéia, Ásia, Acaía, Síria e Macedônia(Ibidem, p.81), o que não prova que o evento estava restrito à era apostólica. Após a era apostólica, tivemos grandes eventos de fome como a Crise Feudal Grande Fome Europeia (1315-1317), Fome de Bengala (1770), Grande Fome Irlandesa (1845-1852), Grandes Fomes Indianas (1876-1878 e 1896-1900), Fome Soviética (1932-1933), Fome em Leningrado (1941-1944), A Grande Fome Chinesa (1959-1961) e a Grande Fome na Etiópia ocorreu principalmente entre 1983 e 1985. Considerado um dos piores desastres humanitários do século XX, o evento deixou entre 400 mil e 1 milhão de mortos. (v)É interessante o silêncio de Gentry sobre "pestes" no 1º século da era cristã. Onde está o cumprimento desta profecia do Senhor nesse século? (vi)Sobre "terremotos", Gentry menciona o de 67 d.C, e os de Creta, Roma, Apameia, Frigia, Campanha, Laodicéia, Pompeia, e outros terremotos nos goverenos de Calígula e Cláudio, e em outras regiões da Ásia, Acaía, Síria e Macedônia(Pós-Milenarismo Para Leigos, p.81). Só lembrando que o Senhor, ao mencionar a ocorrência desses eventos em "vários lugares", não restringe os mesmos a nenhum lugar específico e a nenhuma data específica.
(b)"Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão"(Mt 24:9-10)
Comentário: (i)Olhe a expressão "e sereis odiados de todas as nações". Ela faz alusão a uma perseguição mundial, global, aos cristãos. Como isso pode estar restrito a Jerusalém sob o domínio de Roma? Ou como isso pode estar restrito ao 1º século?. Preteristas parciais, havia cristãos em todas a nações, sofrendo perseguições em pleno 1º século da era cristã? Não faz sentido nenhum tipo de interpretação preterista parcial aqui, mas toda ela cai por terra. Mas, se você se lembrar bem, o evento da morte de John Huss, envolveu uma traição, pois o imperador Sigismundo, que lhe prometeu salvo-conduto, lhe virou as costas, e ele acabou sendo queimado vivo em 1415. E o que diremos do martírio dos huguenotes enviados por Calvino em 1557? O almirante Nicolau Durand de Villegaignon, que comandava a embarcação huguenote, segundo o historiador Rocha Pombo, este "homem nunca deixou de ser católico, que na França se disfarçou o quanto pode"(História do Brasil, 1956, p.109).Foi esse homem que entregou os quatro pastores huguenotes nas mãos de Anchieta, para que esse os matasse por estrangulamento, após terem escrito sua bela "Confissão de Fé da Guanabara"[1558].
(c)"E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará"(Mt 24:12).
Comentário: A apostasia, predita por Jesus, não tem data, nem lugar específico, como Paulo pontuou bem, quando disse:
"Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças"(1 Tm 4:11)
Comentando sobre 1 Tm 4:3, Calvino diz:
"Não muito tempo depois da morte do apóstolo, surgiram os encratitas (que tiraram seu nome da continência), os tacianistas, os cataristas, Montano com sua seita e, por fim, os maniqueus, que tinham extrema aversão ao casamento e ao consumo de carne, e os condenavam como coisas profanas. Embora tenham sido rejeitados pela Igreja, por causa de sua arrogância, ao desejarem submeter outros às suas opiniões, é evidente que aqueles que se opuseram a eles cederam ao seu erro mais do que era apropriado".
Os encratitas[ou tacianistas] e os montanistas, surgiram no século II, e os maniqueus, surgiram no século III, não no século I. Os messalianos,surgidos em 383 d.C, na Síria, também proíbiam o casamento. Os cataristas, ou cátaros, surgiram entre os séculos XI-XII. Esses grupos eram contrários ao casamento e ao consumo de certas comidas. Já a Igreja Romana, proibiu o casamento de sacerdortes e freiras no Concílio de Latrão, no século XII.
Pedro e João também mencionam a apostasia(2 Pe 2:1-3; 1 Jo 2:18-19; 2 Jo 9-11). Judas também a menciona(Jd 4), associando-a a uma prática que ocorreria "nos últimos tempos"(18). Quando seriam os "últimos tempos"? No primeiro século da era cristã? Não.
(d)"Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo"(Mt 24:13).
Comentário: A opinião majoritária dos comentaristas das Escrituras, é que o texto faz menção aos judeus crentes que seriam preservados da morte física, durante a invasão do general Tito sobre Jerusalém, quando destriu o templo, como entenderam John Gill[1697-1771], Alber Barnes[1798-1870], Charles John Ellicott[1818-1905]. Matthew Poole[1624-1679]. Philip Schaff[1819-1893]. Isso se alinha perfeitamente com o entendimento de Mt 24:15-22 e invalida o preterismo parcial.
(e)"Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, entenda; Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa; E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes.Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias! E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado; Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias"(Mt 24:15-22).
Comentário: Será que Mt 24:15-21; Lc 21:22-24 e Mc 13:14-20 ensinam realmente a grande tribulação em 70 d.C, pela qual a Igreja passaria?
Não. Essa é a resposta, pelos seguintes motivos:
- Primeiro, Jesus, pela boca de João, diz que a grande tribulação seria experimentada por toda a Igreja(Ap 7:9-17), enquanto que o evento ocorrido no 70 d.C dizia respeito apenas a judeus crentes no meio de judeus descrentes:
"Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa; E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes. Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias! E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado; Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver"(Mt 24:16-21)
"Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que estiverem no meio dela, saiam; e os que nos campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! Porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem"(Lc 21:20-24)
"Ora, quando vós virdes a abominação do assolamento, que foi predita por Daniel o profeta, estando aonde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judeia fujam para os montes. E o que estiver sobre o telhado não desça para casa, nem entre a tomar coisa alguma de sua casa; E o que estiver no campo não volte atrás, para tomar as suas vestes.Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! Orai, pois, para que a vossa fuga não suceda no inverno. Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá.E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias"(Mc 13:14-20)
Então. veja alguma descrições nesses textos, que tratam o evento de 70 d.C. não como "a Grande Tribulação" de Ap 7:9-17, que diz respeito a Igreja Toda, composta de judeus e gentios crentes:
(a)"Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel..."(Mt 24:15).
Comentário: Aqui, pela expressão "a abominação da desolação", mediante o contexto seguinte, se entende a invasão do general Tito e destruição do templo de Jerusalém, como entenderam vários comentaristas das Escrituras, como João Calvino, Albert Barnes, Charles John Ellicott, John Gill, John Trapp, Matthew Henry, Matthew Poole, Robert Hawker e tantos outros autores reformados.
(b)"os que estiverem na Judeia, fujam para os montes..."(Mt 24:16)
"...então os que estiverem na Judeia fujam para os montes..."(Mc 13:14)
"Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes..."(Lc 21:21)
A quem o texto se refere? Aos judeus crentes, que precisariam fugir para escapar da perseguição de Tito.
(c)"E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado"(Mt 24:20)
Quem deveria orar e estar preocupado para não se deparar com a possibilidade de uma fuga no dia de sábado? Judeus crentes, não gentios crentes. Porque os judeus crentes teriam dificuldades nessa fuga, porque no dia de sábado, as portas da cidade de Jersualém estariam fechadas, devido ao fato dos judeus descrentes guardarem o sábado.
(d)"E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem"(Lc 21:24)
Precisamos tecer algum comentário? Temos alguma menção de algum gentio crente aqui, envolvido nesse evento? Não. Não temos. Logo é um evento totalmente distinto da verdadeira 'grande tribulação' de Ap: 7:9-17, que menciona que a Igreja Toda, composta de judeus e gentios crentes participaria da grande tribulação.
(e)Logo, podemos entender e falar que não houve a ‘grande tribulação’ nesse evento de 70 d.C, pois a grande tribulação mostra uma grande multidão, inumerável, composta de mártires, que foram assassinados pelos inimigos da Igreja nesse período, que cremos, seguindo a “Bíblia de Estudo de Genebra” da IPB, corresponder todas as eras do século I[lembremos Estevão e Tiago, irmão de João, assassinados bem antes do ano 70 – At 7:59-60; 12:12-2] até o nosso século[correspondendo aos pais da igreja, como Policarpo, Inácio, Orígenes, etc; os valdenses, os pré-reformadores[Huss, Savonarola], os reformadores[Cranmer, Tyndale, Ridley, Latimer), os quatro pastores enviados por Calvino a Guanabara em 1557, mortos no ano seguinte, pelas mãos de Anchieta, e todos os cristãos martirizados pela Inquisição Católica Romana e pelos maometanos e comunistas. São um número incontável. Por isso, note que Almeida corretamente não reza “grande tribulação” em Mt 24:21, mas “grande aflição”, já para não criar uma confusão com Ap 7:9,14. Outros tradutores que usaram o Texto Receptus, rezaram “θλῖψις”(thlipsis) em Mt 24:21 por “dificuldade”(Coverdade Bible, 1535), “grande pressão”(Julia E. Smith Translation, 1876]. “aflição”(Jay P. Green's Literal Translation 1993], “aflição”(Reina/Valera [Reformadores Cassiodoro de Reina e Cipriano de Valera] - Espanhol), “opressão”(Statenvertaling, Bíblia do Sínodo de Dort -1618-1619), “aflição”(Diodatti[Italiana], discípulo de Calvino), “miséria”(Károli Gaspar, Hungára]; “sofrimento”(Phesita Siríaca, George Lamsa], “tribulações”(The Great Bible, 1539], "aflição"(Almeida). Note que no texto correlato [Lc 21:24], Almeida reza “θλῖψις”(thlipsis)por "aperto", não "tribulação". Creio que a razão dele ter usado uma tradução distinta de “tribulação”, seria para não repassar a falsa idéia de que o fato descrito em Mt 24:21 não pode ser confundido com o de Ap 7:9,13, pois são eventos totalmente diferentes e distintos. O primeiro[Mt 24:21], não envolvia martírio dos cristãos; o segundo[Ap 7:9,13] envolvia, São eventos totalmente diferentes.
(f)"Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem"(Mt 24:27).
Comentário: Todos vêem, quando relâmpagos aparecem no céu, em tempos de chuva. A referência aqui é a segunda vinda visível de Cristo.
(g)"Porque onde quer que estiver o cadáver, ali se ajuntarão as águias"(Mt 24:28).
Comentário: A menção aqui é da carnificina operada pelo general Tito, onde segundo o historiador Flávio Josefo, morreram um milhão e cem mil judeus.
(h)"E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas"(Mt 24:29).
Comentário: O texto diz duas coisas importantes. (a)O que ocorreu no evento de Mt 24, foi "aflição". não "a grande tribulação". (b)Alguns entendem que citação do "sol", "lua", 'estrelas" e "potências dos céus",fazem referência, não literalmente a corpos celestes, mas à rejeição de Deus aos judeus infiéis(Am 8:9; Mq 3:6). Mas, ao meu ver, a interpretação que melhor se adapta ao texto, é a referência ao volta do Senhor, onde é dito que será "dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas"(Sf 1:14-15).
(i)"Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória"(Mt 24:30).
Comentário: (a)A evidência aqui é muito mais favorável a visão não preterista parcial, do que a a preterista parcial, no sentido de fazer referência a vinda de Cristo para o juízo final, ao invés de vir para derramar juízo sobre os judeus, como alegoricamente defendem. A expressão "e todas as tribos da Terra se lamentarão", nos leva a esta visão. Ela não diz "e todas as tribos de Israel", mas "e todas as tribos da Terra". Isso bate com Ap 1:7, onde falando da segunda vinda do Senhor, se menciona a mesma coisa - a tristeza dos réprobos, diante de sua condenação proferida na vinda do Senhor(Mt 24:30 comp. com Mt 13:41-43; 25:31-46; Lc 13:27-28).O substantivo grego feminino "φυλή"(phylē), aqui traduido por "tribos", de acordo com o "Thayer's Greek-English Lexicon of the New Testament", em Mt 24:30, significa literalmente "uma raça, nação, povo"(p.660). A expressão grega "κόψονται πᾶσαι αἱ φυλαὶ τῆς γῆς", de acordo com a "Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego", de Wilfrid Haubeck e Heinrich V. Siebenthal, significa literalmente "todos os povos da Terra se lamuriarão e lamentarão"(p.207), ao invés de todas as doze tribos de Israel, como querem os preteristas parciais, alegorizando o texto. Assim, quando nosso Senhor diz aqui "todas as tribos", está literalmente dizendo "todas as nações, raças e povos" da Terra. Esse é o mesmo sentido que o Thayer's Greek-English Lexicon of the New Testament dá ao sentido da expressão "tribos" em Ap 1:7, desmontando a interpretação preterista parcial.
(j)"Ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus"(Mt 24:31).
Comentário: (a)A expressão "Ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta", parece indicar a segunda volta de Cristo, como Paulo deixa claro em 1 Ts 4:16, onde o anjo será o arauto da volta do Senhor, anunciando a sua chegada. (b)A expressão "os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos", parece indicar o momento em que a Igreja Militante[os crentes vivos] e a Igreja Triunfante[os crentes mortos]serão reunidos na segunda vinda do Senhor, para receberem a glorificação de seus corpos e a vida eterna no céu(Mt 25:31-34,46; 1 Ts 4:15-17; Fl 3:20-21). "Os seus escolhidos" não podem ser interpretados como os judeus crentes que presenciaram a invasão do general Tito sobre Jersualém, pois negaria o ensino de Paulo, que diz que a Igreja Eleita é composta de judeus e gentios(Rm 9:23-24). (c)Isso é reforçado pela expressão grega "ν ἀπ᾽ ἄκρων οὐρανῶν ἕως ἄκρων αὐτῶν"(de uma à outra extremidade dos céus), que de acordo com a "Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego", de Wilfrid Haubeck e Heinrich V. Siebenthal, significa literalmente "de todas as partes da Terra"(p.207), indicando um evento global, não, local.
(l)"Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam"(Mt 24:32-3).
Comentário: A 'figueira" é uma expressão profética ligada a nação de Israel(Jr 24:2-8; Os 9:10). (b)Pela expressão "Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão", se entende o estabelecimento do povo judeu, como Estado, em 1948, como entendeu o Rev. William Graham Scroggie (1877-1958), ministro batista calvinista em Londres, Halifax, Sunderland, Edimburgo e no Tabernáculo de Spurgeon, em seu livro "Profecia e História"[1915], ao declarar:
"Qualquer cumprimento deve ser, literalmente, conforme está escrito, e como isto jamais aconteceu, a passagem continua aguardando o seu cumprimento. Mas, antes da Restauração, da Reunião e do Reajuntamento sobre os quais falamos, acontecerem, os judeus em descrença terão retornado à Palestina... Uma circunstância exigida, a qual veremos no processo final do tempo presente.” (pp. 46-47)
Evidentemente, esse texto elimina qualquer ideia de preterismo parcial.
(l)"Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam"(Mt 24:34).
Comentário: Evidentemente, por esta "geração", não se entende a 'geração' do século I, já que a mesma não presenciou cumprimento das profecias concernentes às pestes(Mt 24:7), ao Anticristo, nem ao estabelecimento de Israel como Estado Judeu em 1948.
(m)"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai"(Mt 24:35-36).
Comentário: (a)Segundo a "Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego", de Wilfrid Haubeck e Heinrich V. Siebentlhal,a expressão "passará o céu e a Terra", se refere ao "Universo"(p.208), e que todos os seus corpos celestes "desaparecerão"(p.208). (b)Se o dia de um de todos acontecimentos só é conhecido pelo Pai, com que autoridade, os preteristas parciais marcam a data para o 1º século da era cristã, para o cumprimento de todas estas profecias? Desde quando eles se tornaram 'Deus'? Agem iguais aos testemunhas de jeová, que aplicam a expressão 'não passará essa geração sem que tudo isso aconteca', ao ano de 1914. Os preteristas se esquecem das palavras de Jesus: 'Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder'[At 1:7].
(2)O evento de 70 d.C não envolveu o martírio de judeus crentes.
Esse é outro motivo, que mostra a distinção entre "a grande aflição" de Mt 24:21 e Lc 21:23 e a grande tribulação" de Ap 7:9-17. O primeiro evento[Mt 24:21; Lc 21:23], segundo o seu contexto[Mt 24:13,21] aponta para a preservação da vida de todos os judeus crentes, em 70 d.C, conforme opinião de vários comentaristas das Escrituras, como se segue.
"E assim foram preservados da calamidade geral; e também com uma salvação eterna, que é o caso de todos o que perseverarem até o fim, como todos os verdadeiros crentes em Cristo”(John Gill[1697-1771], Ministro Batista, Com. de Mt 24:13).
“A palavra ‘fim’, aqui, para alguns significa a destruição de Jerusalém, ou o fim da economia judaica, e o significado supostamente é ‘aquele que persevera em suportar essas perseguições até o fim das guerras deve estar fora de perigo’. Deus irá proteger o seu povo do mal, de modo que nem um só fio de cabelo da cabeça perecerá”(Albert Barnes[1798-1870], Ministro Presbiteriano, Com. de Mt 24:13).
“Mas o contexto nos leva a ver no ‘fim’ ao fim do período de que nosso Senhor fala, ou seja, a destruição de Jerusalém; e assim as palavras ‘será salvo’ pelo menos, inclui a libertação da morte daqueles que se envolveram nesse caso da destruição”(Charles John Ellicott[1819-1905], Ministro Anglicano, Com. de Mt 24:13).
“Os judeus cristãos que não desistiram de sua fé, vendo os sinais e fugiram para Pella em Perea, outro lado do Jordão, e salvaram suas vidas”(The Bible Study New Testament, Com. de Mt 24:13).
“Quando a cidade foi destruída, os cristãos foram salvos”(Johann Albrecht Bengel[1693-1752], Ministro Luterano, Com. de Mt 24:13)
“É uma promessa de perseverança, especialmente porque tal perseverança está unida com a firmeza de espírito. Ele que não será tentado à apostasia através das aflições do evangelho, deverá ter paciência e coragem para suportar todos os sofrimentos que se seguem a profissão do evangelho, será salvo; se na incerteza da preservação, e desta maneira será salvo com uma salvação temporal, ainda que ele deva ser eternamente salvo”(Matthew Poole[1624–1679], Ministro Congregacional Puritano, Com. de Mt 24:13)
“É muito notável, e foi certamente um ato mais do sinal da Providência, no qual nenhum dos cristãos pereceram na destruição de Jerusalém”(Joseph Benson[1749–1821], Ministro Metodista, Com. de Mt 24:13)
“Os cristãos foram salvos dos horrores que habitaram a destruição de Jerusalém”(Philip Schaff[1819-1893], Ministro da Igreja Presbiteriana, Com. de Mt 24:13)
"E, portanto, Cristo diz que, a menos que Deus ponha um fim a essas calamidades, os judeus perecerão completamente, de modo que nenhum indivíduo restará; mas que Deus se lembrará de sua graciosa aliança e poupará seus eleitos, de acordo com aquela outra predição de Isaías"(João Calvino[1509-1564], Com de Mt 24:22)
"Aqueles que, como crentes em Jesus, eram o 'remanescente' do Israel visível e, portanto, o verdadeiro Israel de Deus. Foi por amor aos cristãos da Judeia, não por amor aos judeus rebeldes, que a guerra não se prolongou, e que Tito, sob as influências externas de Josefo e Berenice, temperou suas conquistas com compaixão]Ant. xii. 3, § 2; Guerras, vi. 9, § 2]"(Charles J. Ellicott[1819-1905], Ministro Anglicano, Com de Mt 24:22)
"Aqueles que foram escolhidos em Cristo, antes da fundação do mundo, para crer nele e ser salvos por ele com uma salvação eterna; tanto aqueles que estavam na cidade, ou, pelo menos, que iriam surgir de alguns que estavam lá, como seus descendentes imediatos, ou em eras futuras, e, portanto, eles e sua posteridade não deveriam ser eliminados; e também aqueles escolhidos e verdadeiros crentes, que estavam em Pela, e nas montanhas, e em outros lugares, por causa destes, e para que pudessem ser libertos destas calamidades prementes"(John Gill[1697-1771], Ministro Batista, Com de Mt 24:22)
"Isto é, nenhum judeu vivo; os soldados romanos haviam sido tão frequentemente espancados por eles, que nada mais desejavam do que livrar o mundo deles. Mas Deus, por amor à sua aliança, preservou um remanescente deles, pois sempre amolece a espada da sua justiça no óleo da sua misericórdia, como Nicéforo afirma"(John Trapp[1601-1669], Ministro Anglicano, Com de Mt 24:22)
"É uma palavra para o remanescente de Israel e não para a igreja"(Ger de Koning, Ministro das Igrejas Reformadas, Com de Mt 24:22)
"Em tempos de calamidade comum, Deus manifesta Seu favor ao remanescente eleito; Suas joias, que Ele então criará; Seu tesouro peculiar, que Ele assegurará quando a madeira for abandonada ao destruidor"(Matthew Henry[1662-1714], Ministro Presbiteriano, Com de Mt 24:22)
"E se o Senhor, em compaixão por aqueles entre este povo que pertenciam à sua eleição da graça, não tivesse abreviado estes dias de calamidade, enviando os exércitos romanos para acalmar suas divisões internas, e então concedendo a esses exércitos uma vitória tão rápida, nenhum dos judeus teria sido deixado vivo, o que, de fato, qualquer um que apenas leia essas histórias julgará"(Matthew Poole[1624-1679], Ministro Congregacional, Com de Mt 24:22)
"É porque Deus está no controle que qualquer carne sobreviverá, e o propósito disso é que os eleitos sobrevivam. Portanto, por mais terríveis que sejam as situações que venham ao mundo, podemos ter certeza de que Deus 'abreviará os dias', caso contrário, não haverá eleitos para serem reunidos quando Ele vier[Mt 24:31]"(Peter Pett, Ministro Batista, Com de Mt 24:22)
"Aqueles que, como crentes em Jesus, eram o 'remanescente' do Israel visível e, portanto, o verdadeiro Israel de Deus. Foi por causa dos cristãos da Judeia, não por causa dos judeus rebeldes, que a guerra não foi prolongada"(The Preacher's Complete Homiletical Commentary, Com de Mt 24:22)
"Os versículos que se seguem descrevem grande miséria. Mas, em meio a essa visão terrível, peço ao leitor que não ignore aquele doce versículo de misericórdia para com os eleitos. A menos que aqueles dias, disse Jesus, sejam abreviados;[isto é, a destruição arrebatadora que ocorrerá naquela visitação] nenhuma carne será salva: mas por causa dos eleitos, disse o Redentor, aqueles dias serão abreviados. Leitor! Não negligencie a misericórdia; e muito menos negligencie o Senhor da misericórdia. Se os dias tivessem sido prolongados, como os selvagens romanos desejavam, até que toda a semente de Israel tivesse sido eliminada: de onde poderia ter havido uma raça preservada para a propagação da semente de Cristo, da qual os eleitos segundo a carne viriam?"(Robert Hawker[1753-1827], Ministro Anglicano, Com de Mt 24:22)
"Ele determinou que eles seriam poucos, para que um remanescente pudesse ser salvo, e entre eles os seus eleitos; ou de quem deveria descender, como ele havia escolhido, que deveria ser salvo com uma salvação eterna: embora o povo em geral tenha sido entregue à cegueira e à descrença, eles são preservados como um povo distinto no mundo; e nos últimos dias serão chamados e convertidos, e todo o Israel será salvo e, portanto, foi a vontade de Deus encurtar aqueles dias de aflição, para que eles não fossem totalmente eliminados, mas que um número pudesse ser deixado, como uma reserva para as eras futuras"(John Gill[1697-1771], Ministro Batista, Com. de Mc 13:20)
"Não fosse por esse 'encurtamento' misericordioso, provocado por uma notável concordância de causas, toda a nação teria perecido, restando ainda um remanescente para ser posteriormente reunido"(Robert Jamieson[1802-1880], Andrew Robert Fausset[1821-1910] e David Brown[1803-1897], Ministros Anglicanos, Com de Mc 13:20)
"São Lucas acrescenta: 'Mas nem um fio de cabelo de vossas cabeças se perderá', pois 'até os cabelos de vossas cabeças estão contados', diz São Mateus"(John Trapp[1601-1669], Ministro Anglicano, Com de Mc 13:13)
"Havia uma promessa de que um remanescente seria salvo[Is 10:22], e que Deus não os destruiria a todos por causa de seus servos[Is 65:8]; e essas promessas devem ser cumpridas. Os próprios eleitos de Deus clamam a ele dia e noite, e suas orações devem ser respondidas[Luc 18:7]"(Matthew Henry[1662-1714], Ministro Presbiteriano, Com de Mc 13:20)
"A ideia dos 'eleitos' é proeminente nesta passagem[Mc 13:20,22,27]. Não ocorre em nenhum outro lugar em Marcos. Mas aqui eles são aqueles que Ele escolheu e, portanto, refere-se claramente àqueles que foram 'dados a Ele" por Seu Pai'[Jo 6:37,39,44]. São aqueles que contemplam o Filho e creem nele[Jo 6:40]. São Sua nova nação[Mt 21:43], Sua nova 'congregação'[Mt 16:18], ramos vivos da verdadeira Videira[Jo 15:1-6]. Para a ideia de Deus 'encurtar os dias' de Seu julgamento, compare 2 Sm 24:16, onde Ele detém a mão do anjo vingador[Is 65:8], onde Ele declara que não destruirá a todos por causa de Seus servos"(Peter Pett, Ministro Batista, Com de Mc 13:20)
A idéia aqui da preservação dos judeus crentes durante o ano 70 d.C, é cumprimento da profecia de Dn 12:1
Mas, o que impressiona é ver os preteristas tentando torcer os textos de Mt 24:15-21; Lc 21:22-24 e Mc 13:14-20, dizendo que não estão se referindo a preservação da vida dos crentes judeus em 70 d.C, mas em todas as eras, o que é refutado não só pelas Escrituras(Dn 12:1; Mt 24:15-21], mas também pelos comentaristas das Escrituras
Os próprios preteristas parciais reconhecem que todos os judeus crentes, durante a invasão do general Tito, foram preservados da morte física, como admite o autor preterista parcial César Francisco Raymundo:
"O exército romano 'não foi capaz de controlar todos os seguimentos de judeus que desejaram fugir daquele guerra. Um desses grupos era a Igreja em Israel ou, mais especificamente, a de Jeruslém. Desta forma, a terra ajudou a mulher, concentrando a atenção dos romaos dos fugitivos para os rebeldes'...A igreja judaica em sua fuga foi protegida e vitoriosa naqueles dias"(Comentário Preterista do Apocalípse, pp.281-282)
(e)Os eventos de Mt 24; Lc 21 e Mc 13 mostram coisas que já conteceram, acontecem e ainda acontecerão. Apocalípse é muito semelhante. Há várias janelas nele. Quando abrimos uma janela, vemos coisas que já aconteceram; quando abrimos outra, vemos coisas que estão acontecendo; e quando abrimos uma outra, vemos coisas que ainda acontecerão.
(3)Se o evento de 70 d.C não envolveu o martírio dos judeus crentes que presenciaram a 'grande aflição' durante a destruição do templo de Jerusalém, sob Tito, o envento é totalmente distinto da "grande tribulação" de Ap 7:9 (que trata de judeus e gentios crentes, que seriam martirizados durante esse período). então não houve 'a grande tribulação' em 70 d.C, pois Ap 7:9 trata de martírio de judeus e gentios crentes durante esse período:
"Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma grande multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro. E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém. E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra.Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calor algum cairá sobre eles. Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes vivas das águas; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima"(Ap 7:9-17)
Assim, temos aqui, várias provas abundantes da distinção entre o que ocorreu na 'grande aflição' de 70 d.C e da verdadeira "grande tribulação" de Ap 7:9-11:
(a)"Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma grande multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas"(Ap 7:9)
A grande tribulação, que Jesus mostrou para João, contemplou não apenas judeus crentes, mas tanto judeus crentes, quanto gentios crentes. Esse ponto já mata a questão.
(b)"...que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas..."(Ap 7:9)
(c)"Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra"(Ap 7:15)
(d)"Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calor algum cairá sobre eles"(Ap 7:16)
(e)"...e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima"(Ap 7:17)
Note o adjetivo grego "λευκός"(leucos), aqui traduzido por "brancas", que segundo o "Thayer Greek English of the New Testament", fala literalmente "daqueles exaltados ao esplendor do estado celestial"(p.376), aludindo a crentes martirizados, no céu. Interessante, é o uso do substantivo grego "στολή"(stolē), aqui traduzido por "vestes", que de acordo com o mesmo "Thayer Greek English of the New Testament", é a mesma palavra grega usada em Ap 6:9-11; 7:9,13, aludindo a pessoas que foram martirizadas. G. Kittel en G. Friedrich, aludindo ao sigificado do substantivo grego "στολή"(stolē), indicam que "as vestiduras de Ap 6:11; 7:9 também possuem um tom escatológico. A lavagem tem um sentido passivo. Aqueles que estão assim vestidos não se lavaram pelo martírio, mas foram lavados por Cristo"(Dicionário Teológico do Novo Testamento, Volume 1, p.472)
Todas estas descrições aludem a um número incontável de pessoas que já estavam mortas, como participantes da grande tribulação, o que difere do evento de 70 d.C, onde todos os crentes judeus não morreriam, mas seriam preservados da morte(Mt 24:15-22; Lc 21:18-24 e Mc 13:14-20). A própria descrição de Ap 7:13-14, mostram que todas essas pesoas mortas já vieram mortas da "grande tribulação":
"E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro"(Ap 7:13-14)
O texto não diz que "vieram de fora da grande tribulação" ou que "vieram depois da grande tribulação", mas exatamente isso... "vieram da grande tribulação"
- Veja... A grande multidão da 'grande tribulação' não é vista por João como estando na Judéia, em 70 d.C, tentando escapar das perseguições de Tito aos judeus incrédulos. Ela é vista por ele, como estando no céu, "diante do trono, e perante o Cordeiro". Ap 19:1 diz que esta 'grande multidão' está no céu.
- A grande multidão da 'grande tribulação', segundo a revelação de Jesus a João, composta de judeus e gentios crentes, foi toda martirizada. Quando João menciona mortos trajando “vestes brancas”, trata de martirizados(Ap 6:9-11). A Igreja Primitiva[Pós-apostólica], assim o entendeu, como no caso de André de Cesareia(+ 637 d.C), que, em seu "Comentário do Apocalípse" em alusão a Ap 7:9, disse:
"Esses são aqueles de quem Davi diz: 'Se eu os contasse, seriam mais numerosos do que a areia', tanto aqueles que anteriormente lutaram como mártires por Cristo quanto aqueles que lutaram recentemente com a maior bravura de todas as tribos e línguas que, derramando seu próprio sangue por Cristo"(Capítulo XX)
Tertuliano(160-230), já bem antes de André de Cesaréia, já emitia o mesmo parecer que ele, dizendo:
"Pois mais uma vez uma multidão incontável é revelada, vestida de branco e distinguida por palmas de vitória, celebrando seu triunfo, sem dúvida, sobre o Anticristo, já que um dos anciãos diz: 'Estes são os que vêm da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro[Ap 7:14]'. Porque a carne é a vestimenta da alma. A impureza, de fato, é lavada pelo batismo, mas as manchas são transformadas em uma brancura deslumbrante pelo martírio"(Escorpião, 12)
Seguindo estes pais da igreja, vários outros comentaristas das Escrituras, repeteriam o seu testemunho, como se segue:
(i)John F. Walvoord[1910-2002], teólogo batista, em seu livro "A Revelação de Jesus Cristo, Um Comentário"(1966), diz, aludindo a Ap 7:9 =
"Sua crucificação é mencionada em 1:7, e alusões constantes seguem-se à medida que Cristo é apresentado como o Cordeiro imolado, como Aquele que redimiu a humanidade com Seu sangue de toda tribo, língua e nação em 5:9, e Aquele cujo sangue pode branquear os vestidos dos mártires em 7:14"(p.32)
(ii)George B. Caird[1917-1984], teólogo congregacional inglês, em seu livro "Um Comentário Sobre a Revelação de São João, o Teólogo"(1966), diz:
"A cena do julgamento termina com outra recapitulação muito importante. João ouve o rugido de uma vasta multidão. Deve ser a mesma vasta multidão que ele viu antes, com vestes com palmas nas mãos[7:9], pois seu cântico de triunfo é quase o mesmo. Então eles cantaram: 'Vitória ao nosso Deus que está assentado no trono e ao Cordeiro!' Agora eles cantam: 'Vitória, glória e poder pertencem ao nosso Deus'. Não há necessidade de João repetir integralmente o que disse no capítulo anterior, mas está implícito. A vitória de Deus é a vitória conquistada pelos mártires, e a vitória deles é a vitória da Cruz"(p.232)
(iii)Thomas S. kepler[1897-1963],teólogo luterano, em seu livro "O Livro do Apocalipse: Um Comentário Para Leigos"(1957), diz:
"Ap 7:9. 'Uma grande multidão que ninguém podia contar' — ou seja, os 144.000; uma referência ao número de cristãos dispostos a sofrer o martírio. 'Diante do trono e diante do Cordeiro' — a cena retratada nos capítulos 4 e 5 continua aqui. 'Com vestes brancas — como em Apocalipse 3:5; 6:11, simbolizando a pureza e a fidelidade absoluta dos mártires ao Cordeiro. 'Ramos de palmeiras em suas mãos' — [ver João 12:13; I Mac 13:51; II Mac 10:7] as palmas simbolizam a vitória; aqui, João vê os mártires cristãos como aqueles que compartilharão a vitória no dia da ressurreição — portanto, as palmas simbolizam a recompensa para os mártires vitoriosos!"(p.97)
(iv)O Dr. Robert H. Charles[1855-1931], teólogo anglicano, em seu livro "Um Comentário Crítico e Exegético sobre o Apocalipse de São João"(1920), diz, aludindo a Ap 7:9:
"Esses bem-aventurados são mártires que vêm da grande tribulação: mártires — não os fiéis comuns — pois a tribulação ainda está em andamento e, no entanto, eles já receberam 'suas vestes brancas' (ver o próximo versículo e o versículo 6, 11), seus corpos espirituais — uma graça concedida apenas aos mártires"(p.213)
"Visão da bem-aventurança futura daqueles que foram selados e sofreram o martírio"(p.405)
(v)John V. McGee[1904-1988], ministro presbiteriano, em seu livro "A Profecia, Apocalípse, Capítulos 6-13"(1995), aludindo a Ap 7:9-17, diz:
"Esta companhia já passou por isso; eles passaram pela Grande Tribulação. Na maioria deles, eu acredito, estavam mártires e entregaram suas vidas por Cristo"(p.77)
(vi)Moses B. Stuart[1780-1852], ministro congregacional, em seu livro "Um Comentário Sobre o Apocalípse"(1851), diz. aludindo a Ap 7:9-17:
"O céu se enche de alegria com isso, e louvores e ações de graças irrompem de todos os lados do trono de Deus. Entre eles, destacam-se os mártires, vestidos com suas vestes resplandecentes. João indaga com profundo interesse a respeito disso e recebe garantias de que todo tipo de bênção e felicidade os aguarda[Ap 7]"(p.182)
(vii)O Rev. Samuel Fuller, ministro anglicano, em seu livro "A Revelação de São João, o Divino, autointerpretada. Um comentário para leitores de inglês"(1885), aludindo a Ap 7:9-17, diz:
"Vestidos com vestes brancas: reaparecimento dos santos mártires[Ap 6:1; 7:13-14]"(p.129).
(viii)Richard J. Bauckham, teólogo anglicano, em sua obra "O Climax da Profecia: Estudos sobre o Livro do Apocalipse"(2005), aludindo a Ap 7:9-17, diz:
"Especialmente dignas de nota são a maneira como a imagem do altar (que naturalmente tomamos como o altar do sacrifício, mas para o qual João usa a palavra que em outros lugares usa para o altar do incenso) serve para ligar esta cena com as passagens em que as orações dos mártires por vingança são vistas como cumpridas[8:3-5; 9:13; 14:18; 16:7], e a imagem da túnica branca liga esta cena com aquela em que o número completo de mártires são vistos triunfantes no céu[Ap 7:9-17]. João, portanto, integrou a tradição em sua própria interpretação dos temas de martírio e julgamento ao longo de seu livro"(p.55)
De fato, vários comentaristas reformados [dentre eles, alguns puritanos] das Escrituras entenderam que a grande tribulação incluía a Igreja de Cristo em todas as eras:
“O climax incluindo toda a tribulação pela qual os santos de todas as eras passaram”(Robert Jamieson[1802-1880], Andrew Robert Fausset[1821-1910] e David Brown[1803-1897], Ministros Anglicanos, Com de Ap 7:14)
“Não há dúvida sobre a ênfase que o artigo definido (infelizmente, ignorado em nossa versão em inglês) dá: é a grande tribulação; mas embora ainda possa haver provações reservadas para a Igreja de Cristo tão grandes que possam ser chamadas, em comparação com as que vieram antes, de grande tribulação, ainda parece estar em desacordo com o espírito do Apocalipse e a complexidade desta visão limitar a frase a alguma época especial de provação. Não é a grande tribulação a tribulação que devem enfrentar aqueles que estão do lado de Cristo e da justiça, e se recusam a receber a marca da mundanidade e do pecado em seu coração, consciência e vida? em todas as eras, é verdade que devemos, por meio de muitas tribulações, entrar no reino de Deus; e a visão aqui certamente não é daqueles que sairão seguros de algumas provações específicas, mas da grande multidão de todas as eras e de todas as raças que travaram guerra contra o pecado e que, em meio a esse conflito prolongado, suportam a grande tribulação que continuará até o retorno de Cristo”(Charles J. Ellicott[1819-1905], Ministro Anglicano, Com de Ap 7:14)
“Visto que esta companhia designa todos os eleitos de Deus, que já existiram, existem ou existirão no mundo; ‘a grande tribulação’, da qual eles saíram, não deve ser restringida a nenhum momento específico de angústia, mas inclui tudo o que existiu, existe ou existirá; como todas as aflições dos santos sob o Antigo Testamento; do justo Abel a Zacarias; e todos os problemas do povo de Deus nos tempos dos Macabeus[Hb 11:35]; todas as perseguições dos cristãos pelos judeus; e as perseguições sob os imperadores romanos, tanto pagãos quanto arianos; e as crueldades e barbaridades do Anticristo Romano, durante todo o tempo da apostasia; e particularmente a última luta da besta, que será a hora da tentação, que virá sobre todo o mundo; e, em, geral, todas as aflições, reprovações, perseguições e muitas tribulações de todos os santos e de todos os membros de Cristo neste mundo, que no novo estado da igreja de Jerusalém, sairão delas; o que supõe que eles estiveram nelas, e ainda assim não foram subjugados por elas, e perdidos nelas; mas, pelo apoio e assistência divinos, passaram por elas, e agora estavam completamente livres delas, e nunca mais seriam incomodados com elas(Ap 21:4]”(John Gill[1697-1771], Ministro Batista, Com de Ap 7:14)
“O bispo de Londres, depois de ter degradado Richard Bayfield, mártir, ajoelhado no degrau mais alto do altar, golpeou-o com tanta força no peito com seu cajado, que o jogou pra trás e quebrou sua cabeça, fazendo-o desmaiar; e quando voltou a si, agradeceu a Deus por ter sido liberto da maligna Igreja do Anticristo e por ter entrado na verdadeira Igreja Militante de Cristo, e espero que esteja logo com ele na Igreja triunfante”(John Trapp[1601-1669], Ministro Anglicano, Com de Ap 7:14)
“O relato dado ao apóstolo a respeito daquele nobre exército de mártires que estavam diante do trono de Deus com vestes brancas, com palmas da vitória em suas mãos: e aqui se observa: 1. O estado baixo e desolado em que se encontravam anteriormente; eles passaram pela grande tribulação, foram perseguidos pelos homens, tentados por Satanás, às vezes perturbados em seus próprios espíritos; sofreram a perda de seus bens, a prisão de suas pessoas, sim, a perda da própria vida. O caminho para o céu passa por muitas tribulações; mas a tribulação, por maior que seja, não nos separará do amor de Deus. A tribulação, quando bem superada, tornará o céu mais acolhedor e mais glorioso”(Matthew Henry[1662-1714], Ministro Presbiteriano, Com de Ap 7:14)
“Esta ‘grande tribulação’, portanto, tem um escopo mais amplo do que a tribulação já experimentada pelas igrejas. Mais adiante no livro, veremos de fato a grande tribulação que o mundo deve enfrentar, e enfrentará constantemente ao longo dos séculos. Os cristãos também devem experimentar alguns de seus efeitos. Mas sabemos por este capítulo que eles estão sob a proteção de Deus”(Peter Pett, Ministro Batista, Com de Ap 7:14)
A Bíblia de Estudo de Genebra da IPB, elaborada por 56 teólogos reformados, diz sobre Ap 7:14, definindo a ‘Grande Tribulação’ como um corpo de todas as tribulações ocorridas em todas as eras da Igreja:
“Porém, tribulações para os cristãos tem ocorrido e continuarão a ocorrer ao longo de toda era da Igreja”(p.1729)
(4)A opinião da Igreja Primitiva[Pais da Igreja], com relação ao evento de Mt 24:13,15-21, dizia respeito a algo restrito aos judeus crentes, ao invés de toda a Igreja Cristã, composta de judeus e gentios crentes, como Crisóstomo(347-407), que diz que naquela ocasião Jesus estava falando que os judeus incrédulos é que pereceriam sob a espada de Tito:
“Você vê que o seu discurso é dirigido aos judeus e que ele está falando dos males que os atingiriam, Pois, os apóstolos certamente não deveriam guardar o dia de sábado, nem estar presentes quando Vespasiano fizesse essas coisas. Pois, de fato, a maior parte deles já havia partido desta vida. E se alguém restava, ele estava morando em outras partes do mundo....Mas a quem Ele se refere aqui com os eleitos? Os crentes que estavam encerrados no meio deles. Para que os judeus não dissessem que por causa do evangelho e da adoração a Cristo esses males ocorreram, Ele mostra que, longe de os crentes serem a causa, se não fosse por eles, todos teriam perecido completamente”(Homília 76 sobre Mateus)
(5)E quando a Igreja Primitiva fez referência a Mt 24:4-31, como algo ligado a uma espécie de tribulação, dizia respeito não só a algo cujo cumprimento não se restringiu a 70 d.C, mas a várias eras, bem como também a algo que envolveria martírio de cristãos, como Cipriano(200-258), que disse:
“E estas não são coisas novas ou repentinas que estão acontecendo agora aos cristãos; visto que os bons e justos, e aqueles que são devotados a Deus na lei da inocência e no temor da verdadeira religião, avançam sempre através de aflições e injustiças, e das severas e múltiplas penalidades das dificuldades, nas dificuldades de um caminho estreito. Assim, no início do mundo, o justo Abel foi o primeiro a ser enganado por seu irmão; e Jacó levado ao exílio, e José foi vendido, e o rei Saul perseguiu o misericordioso Davi; e o rei Acabe tentou oprimir Elias, que firme e bravamente afirmou a majestade de Deus. O sacerdote Zacarias foi morto entre o templo e o altar, para que ele próprio pudesse se tornar um sacrifício onde costumava oferecer sacrifícios a Deus. Tantos martírios dos justos foram, de fato, frequentemente celebrados; tantos exemplos de fé e virtude foram apresentados às gerações futuras. Os três jovens, Ananias, Azarias e Misäel, iguais em idade, concordando no amor, firmes na fé, constantes na virtude , mais fortes do que as chamas e penalidades que os incitavam, proclamam que obedecem somente a Deus, que o conhecem somente, que o adoram somente, dizendo: ‘Ó rei Nabucodonosor, não há necessidade de que te respondamos neste assunto. Pois o Deus a quem servimos é capaz de nos livrar da fornalha de fogo ardente; e ele nos livrará das tuas mãos, ó rei. E se não, saibam que não servimos a seus deuses e não adoramos a estátua de ouro que vocês levantaram’[Dn 3:16-18]”(Tratado XI, 11)
(6)Todos os eventos vaticinados por Cristo em Mt 24:1-31 já se cumpriram em 70 d.C ou no 1º século da era cristã?
A resposta sincera é "não". E temos algumas evidências disso. O v.14 diz:
"E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim"(ACF)
O sentido aqui, das palavras de nosso Senhor seria que o evangelho seria pregado a qualquer pessoa, sem distinção de etnia, fosse seu ouvinte um judeu ou um gentio. Mas, o evangelho havia sido pregado a todos os continentes da Terra? Não. Partes da Europa, África e Ásia foram atingidas, mas nenhum habitante da América do Sul, América do Norte, Antártida e Oceania foi atingido. Portanto, esse palavra vaticinada ainda iria se cumprir após a era apóstólica. Lembrando que a primeira pregação do Evangelho na América do Sul, ocorreu em 1557, pelos missionários franceses enviados por Calvino ao Brasil. Os protestantes só chegaram a Antárdia em 1820. E a primeira vez que o Evangelho chegou a América do Norte, foi no século XVII, com Roger Williams e outros calvinistas que ali estabeleceram a primeira Igreja Batista da América do Norte. Portanto, houve um cumprimento parcial, não total ou completo, desse sinal profético de Jesus, antes de 70 d.C.
Outro caso que mostra que todas as profecias de Ap 1-19 não se cumpriram em 70 d.C nem em todo o 1º século da era cristã, é a questão do Anticristo. Em 2 Ts 2:1-12, lemos:
"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado.Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado; E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo Espírito da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade"(ACF)
Olhando para esse texto, temos elementos contrários ao pensamento preterista:
(a)Cristo não viria visível e fisicamente para se reunir com sua Igreja, sem que antes surgisse o Anticristo:
"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição"(2 Ts 2:1-3)
Paulo escreveu essa epístola entre 50-52 d.C. Note bem a expressão de Paulo: "como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto"(2 Ts 2:2). Paulo, aludindo a "vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele"(2 Ts 2:1), não está afirmando que ele estivesse em alguma de suas cartas mencionando o aparecimento do Anticristo em seus dias. Pelo contrário, ele condiciona a segunda vinda vísivel e física de Cristo, como sendo precedida pelo aparecimento da apostasia e do Anticristo: "Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição"(2 Ts 2:3). Será que o Anticristo seria o Império Romano, como entendem e defendem os preteristas? Segundo Paulo, não, porque ele afirma que o Anticristo não só espalharia a apostasia, mas que sua "vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder"(2 Ts 2:9). Paulo, em alguma de suas cartas ensinou que o Império Romano surgiria segundo a eficácia de Satanás e manifestando todo o poder dele? Não. Mas tem mais. Paulo diz que o Anticristo viria, como portador de "sinais e prodígios de mentira"(2 Ts 2:9). O substantivo grego neutro "σημεῖον"(sēmeion), aqui traduzido por "sinais", segundo o "Thayer's Greek English Lexicon of the New Testament", tem o sentido de "prodígio, presságio, ou seja, uma ocorrência incomum, transcendendo o curso comum da natureza...o poder do tempo, pelo qual os homens são enganados, é atribuído também a falsos mestres, falsos profetas e demônios"(pp.573,574). O substantivo grego neutro "τέρας"(teras), aqui traduzido por "prodígios", segundo o "Thayer's Greek English Lexicon of the New Testament", tem o sentido de "milagre"(p.620). Temos evidências de narrativas por parte de Lucas, Paulo e outros apóstolos, de que o Império Romano estava operando coisas de ordem sobrenatural, prodígios e milagres? Não, não temos.
(b)Há algo que que o retém, até que seja retirado do meio, para que o Anticristo se manifeste:
"Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado"(2 Ts 2:7)
Veja. O verbo grego "κατέχω"(katechō), aqui traduzido por "retém", segundo o "Thayer's Greek English Lexicon of the New Testament", tem o sentido de "deter"(p.339). Quem é que deteria temporariamente a manifestação do Anticristo, ou seria um empecílio para a sua manifestação? Calvino nos dá a entender que é a Igreja. Gill, Ellicott, a Bíblia de Estudo de Genebra de 1591, Matthew Henry, Matthew Poole e Peter Pett dizem que é 'o Império Romano'. Ger de Koning diz que é o Espírito Santo. Ao meu ver, a posição que se encaixaria melhor nessa interpretação seria a Igreja, pois o Falso Profeta, o precursor do Antcristo é mencionado como fazendo guerra aos santos e os "vencendo"(Ap 13:7), o que infere vencer no sentido físico, retirando a Igreja de circulação, seja aprisionando os santos, ou os matando, e, assim, impedindo que eles, através da livre pregação do evangelho, fossem um empecílio para a manifestação do Anticristo. Mas o que é fato é que dentre esses comentaristas, há uma aversão a interpretação preterista[que diz que o Anticristo já apareceu no século I e era o Império Romano), pois muitos deles entendem que a manifestação do Anticristo não ocorreu no 1º século da era cristã:
"Ele havia predito a destruição do reinado do Anticristo; agora aponta a maneira de sua destruição — que ele será reduzido a nada pela palavra do Senhor. É incerto, no entanto, se ele fala da última aparição de Cristo, quando ele será manifestado do céu como o Juiz. As palavras, de fato, parecem ter esse significado, mas Paulo não quer dizer que Cristo realizaria isso em um momento. Portanto, devemos entender neste sentido — que o Anticristo seria total e em todos os aspectos destruído, quando chegasse o dia final da restauração de todas as coisas"(João Calvino[1509-1564], Com de 2 Ts 2:8)
"'Está assentado no templo de Deus' — isto é, na igreja cristã. Não é necessário entender isso em relação ao templo de Jerusalém"(Albert Barnes[1798-1870], Ministro Presbiteriano, Com de 2 Ts 2:4)
"Parece que esse Anticristo aparecerá, como um anjo de luz, uma pessoa pacífica, negociará um pacto de paz de sete anos entre judeus e gentios, permitirá que o antigo templo seja reconstruído e que o programa de adoração seja instituído e continuado por cerca de 42 meses"(Albert Garner e J. C Howes, Ministros Batistas, Com de 2 Ts 2:4)
"Ele é contido pelo Espírito Santo, e quando chegar o dia determinado por Deus, esse espírito do anticristo dominará totalmente, e o Senhor Jesus acabará com ele e com o seu reino religioso quando voltar!"(Henry Mahan[1947-1998], Ministro Batista, Com de 2 Ts 2:5-8)
"Assim também por isso o anticristo será consumido e está consumido; pois esta frase denota o início de sua destruição, que ocorreu na época da reforma pela pregação do Evangelho por Lutero e outros; pela qual este homem do pecado recebeu sua ferida mortal, e tem estado em consumo desde então, e está sensivelmente desperdiçando seu poder e glória a cada dia, e em breve chegará à destruição total"(John Gill[1697-1771], Ministro Batista, Com de 2 Ts 2:8)
"Aqui, novamente, é o mero fato de o verdadeiro Cristo se manifestar que reduzirá a nada [tal é o significado da palavra grega para 'destruir'] o falso Cristo. Quando eles estiverem face a face, não haverá mais possibilidade de ilusão"(Charles J. Ellicott[1819-1905], Ministro Anglicano, Com de 2 Ts 2:8)
"Sua aparição, portanto, quando Ele vier visível à terra, significa o fim do Iníquo"(Ger de Koning, Ministro das Igrejas Reformadas, Com de 2 Ts 2:5-8)
"A destruição do Anticristo será pelo brilho da vinda de Cristo; na vinda de Cristo para o julgamento, a ruína final e a destruição total do Anticristo serão consumadas; que a igreja não desanime, embora o Anticristo permaneça, depois de todos os esforços usados para sua ruína, é suficiente termos certeza de que o Anticristianismo será finalmente destruído; quanto ao tempo, deixemos isso para Deus; se não for até o dia do julgamento, ou a conquista final de Cristo sobre todos os seus adversários, por que não deveríamos nos contentar em esperar por isso; visto que a sabedoria infinita determina o tempo, bem como a coisa em si"(William Burkitt [1650-1703], Ministro Anglicano, Com de 2 Ts 2:8)
(c)As descrições paulinas sobre o Anticristo não fornecem nenhuma base para interpretação preterista:
"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus"(2 Ts 2:3-4)
Paulo diz que o Anticristo se "assentará no templo de Deus". O verbo grego aqui usado é "καθίζω"(kathizō), traduzido por Almeida por "assentará", de acordo com o "Dicionário Teológico do Novo Testamento"(Volume 1) de G. Kittel e G. Friedrich, tem o sentido de "colocar", ligada a uma ideia de que "o Anticristo também pode sentar-se num trono[2 Ts 2:4]"(p.427). A ideia aqui seria que o Anticristo estaria instituído como se fosse um ocupante de um cargo político no meio da Igreja Visível, pois o texto diz que ele se assentará no "templo de Deus", e "templo de Deus", como expressão usada por Paulo, é uma alusão a Igreja:
"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?"(1 Co 3:16)
"...porque o templo de Deus, que sois vós, é santo"(1 Co 3:17)
"Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo"(2 Co 6:16)
Esse é o entendimento de vários comentaristas das Escrituras[dentre eles, vários reformados], como se segue:
"Por este único termo há uma refutação suficiente do erro, ou melhor, da estupidez daqueles que consideram o Papa como Vigário de Cristo, com base no fato de que ele tem seu assento na Igreja, seja qual for a maneira como se comporte; pois Paulo não coloca o Anticristo em nenhum outro lugar senão no próprio santuário de Deus. Pois este não é um inimigo estrangeiro, mas doméstico, que se opõe a Cristo sob o próprio nome de Cristo. Mas pergunta-se: como a Igreja é representada como o antro de tantas superstições, enquanto estava destinada a ser a coluna da verdade?[1 Tm 3:15]. Respondo que ela é assim representada, não com base em reter todas as qualidades da Igreja, mas porque ainda tem algo dela. Consequentemente, reconheço que esse é o templo de Deus no qual o Papa governa, mas ao mesmo tempo profanado por inúmeros sacrilégios"(João Calvino[1508-1564], Com de 2 Ts 2:4)
"Está assentado no templo de Deus — isto é, na igreja cristã. Não é necessário entender isso em relação ao templo de Jerusalém, que existia na época em que esta Epístola foi escrita""(Albert Barnes[1798-1870], Ministro Presbiteriano, Com de 2 Ts 2:4)
"'De modo que ele, como Deus, se assenta no templo de Deus'; não no templo de Jerusalém, que seria destruído e nunca mais seria reconstruído, e foi destruído antes que esse homem do pecado fosse revelado; mas na igreja de Deus, assim chamada[1 Co 3:16]"(John Gill[1697-1771], Ministro Batista, Com de 2 Ts 2:4)
"Ele prediz que o anticristo (isto é, quem quer que ocupe aquele assento que se afasta de Deus) não reinará fora da Igreja, mas no próprio seio da Igreja"(Bíblia de Estudo de Genebra[1591], Com de 2 Ts 2:4)
"Como Deus, ele se assenta no templo de Deus, mostrando-se Deus. Assim como Deus estava no templo da antiguidade e ali era adorado, e está em e com sua igreja agora, assim o anticristo aqui mencionado é algum usurpador da autoridade de Deus na igreja cristã, que reivindica honras divinas"(Matthew Henry[1662-1714], Ministro Presbiteriano, Com de 2 Ts 2:4)
"Assenta-se no templo, a igreja de Deus"(Matthew Poole[1624-1679], Ministro Congregacional, Com de 2 Ts 2:4)
"A venda de indulgências, perdões, concessões e coisas semelhantes estão intimamente ligadas ao homem do pecado; e, onde praticadas, representam de forma muito marcante aquele a quem Paulo descreve como sentado no templo de Deus, mostrando-se Deus. E é opor-se a Cristo em todos os seus ofícios, como Profeta, Sacerdote e Rei de sua Igreja; ao ensinar o culto aos santos; ao estabelecer méritos e unir intercessores a Cristo; e ao assumir o título de supremacia, como cabeça da Igreja"(Robert Hawker[1753-1827], Ministro Anglicano, Com de 2 Ts 2:4)
(d)Os textos apocalípticos não favorecem a intepretação preterista sobre o Anticristo
"E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada. E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que tinha a ferida da espada e vivia. E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta.E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis"(Ap 13:11-18).
Comentário:(a)Onde a Bíblia ou História dizem que Nero ou o Império Romano fizeram grandes sinais e prodígios, ao ponto de enganarem os que habitam na Terra? (b)Onde a Bíblia ou a História dizem que Nero ou o Império Romano fizeram a imagem da Besta falar? (c)E onde a Bíblia ou a História mostram que Nero ou o Império Romano mataram todos os cristãos, que se recusaram a adorar a imagem da Besta? (d)E onde a Bíblia ou a História mostram que Nero ou o Império Romano colocaram um sinal na mão ou na testa das pessoas, para que não pudessem vender ou comprar? Por isso, que a grade maioria dos comentaristas das Escrituras negam que Nero tenha sido o Anticristo descrito por Paulo e João, e apontam isso para o Papa de Roma, como se segue:
"Não há mais dúvida se o papa é o anticristo e Roma a Babilônia mística, que certamente será destruída por suas idolatrias e por derramar o sangue dos santos de Deus, do que há sobre o que temos em Ap 1:1-2, que este livro contém a Revelação de Jesus Cristo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer; as quais ele enviou e indicou por meio do seu anjo ao seu servo João; que deu testemunho da palavra de Deus, do testemunho de Jesus Cristo e de todas as coisas que viu"(Matthew Poole[1624-1679], Ministro Congregacional, Com de Ap 17:18)
"Deus mostrou aqui ao seu profeta a submissão geral que haveria de todas as pessoas ao papado, exceto alguns poucos, que Ele havia escolhido para a vida eterna e a salvação, que Cristo havia redimido com o seu sangue e que preservaria dessa impureza"(Matthew Poole[1624-1679], Ministro Congregacional, Com de Ap 13:8)
"O Senhor mostra ao seu profeta por quais meios o papado deve enganar o mundo, a saber, por meio de pretensões de milagres, que ele tinha o poder de realizar (as doutrinas da Igreja de Roma a esse respeito são suficientemente conhecidas), todos os quais são feitos"(Matthew Poole[1624-1679], Ministro Congregacional, Com de Ap 13:14)
"Não é a crueldade uma característica marcante do império latino papal?. Porventura os súditos deste império não teriam literalmente pisoteado até a morte todos aqueles sob seu poder que se recusavam a obedecer às suas requisições idólatras? No Livro dos Mártires de Fox e em outras obras que tratam deste assunto, encontra-se um catálogo melancólico das horríveis torturas e mortes agonizantes às quais obrigaram um grande número de cristãos a sofrer"(Adam Clark[1760-1832], Ministro Metodista, Com de Ap 13:2)
"Ao mesmo tempo, havia uma clara adequação no próprio símbolo; pois a sede de sangue e a crueldade do leopardo representariam bem a ferocidade e a crueldade do poder romano, especialmente como João o via aqui como o grande poder antagônico da verdadeira igreja, sustentando a reivindicação papal e sedento de sangue"(Albert Barnes[1798-1870], Ministro Presbiteriano, Com de Ap 13:2)
"Muitos dos reformadores identificaram a segunda besta como o papado ou papas específicos"(Thomas Constable, Com de Ap 13:11-18)
"E a sua ferida mortal foi curada; pelo estabelecimento de dez reinos nele, cujos reis os entregaram à besta, ao anticristo, o papa de Roma, e assim o império voltou a ter um líder, um governador, embora de outra espécie: alguns preferem entender isso como a ferida que o anticristo recebeu na Reforma, por meio de Lutero, Calvino e outros, que desde então vem cicatrizando, com o papado se recuperando em alguns países de onde foi expulso, e que, acredita-se, será completamente curada antes de sua destruição"(John Gill[1697-1771], Ministro Batista, Com de Ap 13:3)
"Isto é, neste número da besta consiste a sabedoria papal, que para eles parece a maior de todas"(Bíblia de Estudo de Genebra [1591], Com de Ap 13:18)
"Os críticos protestantes, desde a época dos valdenses, geralmente concordam que a primeira besta representa a Roma secular e a segunda, a Roma papal"(Joseph Sutcliff[1762-1856], Ministro Metodista, Com de Ap 13,'Reflexões')
"Isto o papa faz diariamente por meio de suas excomunhões, lançando brasas, por assim dizer, do alto contra aqueles que o desprezam; e além disso, ele nos conta sobre alguns que, por resistirem aos seus decretos, foram mortos por um raio"(John Trapp[1601-1669], Ministro Anglicano, Com de Ap 13:13)
"Visto que o Anticristo se identifica plenamente com a primeira Besta (o chefe do Império Romano), ele terá esse poder a seu favor. Por sua vez, ele exigirá que a terra (Israel) e todos os seus habitantes adorem a Besta Romana[v.12]"(Leslie M. Grant[1917-2011], Com de Ap 13:11).
"O papa exibe os chifres de um cordeiro, finge ser o vigário de Cristo na Terra e, portanto, estar investido de seu poder e autoridade; mas seu discurso o trai, pois ele profere falsas doutrinas e decretos cruéis que demonstram que ele pertence ao dragão e não ao Cordeiro"(Matthew Henry[1662-1714], Ministro Presbiteriano, Com de Ap 13:11-18)
"É evidente que a segunda fera, com seus dois porta-vozes, representa em primeiro lugar o sacerdócio romano e seus videntes, e todos aqueles que buscam impor oficialmente a adoração da primeira fera, mas intrinsecamente representa o princípio do falso ensinamento"(Peter Pett, Ministro Batista, Com de Ap 13:11)
"Contudo, outros afirmaram com a mesma veemência que se trata da mesma entidade, sendo a primeira referente a um poder temporal e a segunda a um governo eclesiástico; e que ambas devem descrever a mesma figura, pois as personagens não podem pertencer a outro senão ao Papa de Roma"(Robert Hawker[1753-1827], Ministro Anglicano, Com de Ap 13:11-18)
"Muito provavelmente, trata-se do Papa. Ele é propriamente o ídolo da Igreja. Ele representa em si todo o poder da besta e é o chefe de toda autoridade, tanto temporal quanto espiritual. Ele não passa de uma pessoa comum, sem poder e sem autoridade, até que a besta de dois chifres, ou o clero corrompido, ao elegê-lo Papa, lhe dê vida e o capacite a falar e proferir seus decretos, e a perseguir até a morte todos aqueles que se recusarem a submeter-se a ele e a adorá-lo"(Thomas Coke[1747-1814], Ministro Metodista, Com de Ap 13:18)
"O mesmo reino papal romano, aqui é mencionado como sendo outra besta porque ele é descrito de outra forma: aquela besta surgiu do mar, e esta besta veio para fora da terra"(Hanserd Knollys[1599–1691], Teólogo Batista Particular, Com de Ap 13:11)
"Isso significa que a besta aqui e o número 666 estão conectados ao papado em Roma. Você considerará a inscrição em latim na mitra do papa, 'Vicarius Filii Dei', que se traduz como 'no lugar de Deus'. Se você pegar essa frase em latim e encontrar os valores em algarismos romanos, o total é [rufem os tambores, por favor]666"(Dr. Manly Luscombe, Com de Ap 13)
O próprio escritor preterista parcial César Francisco Raymundo, acaba negando que Nero tenha sido o Anticristo, quando diz que o recebimento de marca do Anticristo não estava restrita àquela época, mas em qualquer época da história:
"Isto também vale para quem quer que seja, em qualquer época da história, que tenha recebido e apoiado a 'marca' de governantes que são verdadeiras bestas"(Comentário Preterista do Apocalípse, p.307)
(e)O Anticristo terá um precursor - o Falso Profeta:
"E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a boca de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio. E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses. E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação. E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Se alguém tem ouvidos, ouça. Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá; se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto. Aqui está a paciência e a fé dos santos. E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada"(Ap 13:1-12)
Se o Império Romano fosse o Anticristo, ao invés de uma pessoa real, como sugerem alguns preteristas, quem então seria o Falso Profeta? Será que vão dizer também que se trata de um outro sistema religioso ou político, ao invés de uma pessoa real?
(e)O Anticristo será derrotado por Cristo durante sua segunda vinda:
"E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo Espírito da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda"(2 Ts 2:8)
A definição desse texto parece ser um cheque-mate na questão. Em primeiro lugar, Paulo diz que o Anticristo é "o íniquo" será derrotado por Cristo "pelo esplendor da sua vinda", isto é, na sua vinda. A primeira coisa a se observar aqui é o adjetivo grego "ἄνομος"(anomos), aqui traduzido por "íniquo", que de acordo com o Léxico Grego do Novo Testamento de Edward Robinson, significa literalmente "ímpio"(p.76).O Léxico do Novo Testamento Grego Português de F. W. Gingrich e F. W. Danker reza o adjetivo grego "ἄνομος"(anomos) por "impio, o Anticristo"(p.25). Walter Bauer[1877-1960], em sua obra "A Greek-English Lexicon of the New Testament, and Other Early Christian Literature", reza o adjetivo grego "ἄνομος"(anomos)por "o íniquo do Anticristo"(p.70)
A referência aqui é a um homem em particular, o Anticristo. Note. Ele é chamado de "o homem do pecado"(2 Ts 2:4). João, falando nele, diz: "Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis"(Ap 13:18), acrescentando mais tarde, que ele[o Anticristo] seria lançado vivo no Lago de Fogo, onde seria atormentado para todo o sempre(Ap 19:19,20; 20:10). Ninguém pode atormentar um sistema de pensamento político ou religioso. Só se pode atormentar uma pessoa.
A segunda coisa a se observar é que o substantivo grego neutro "παρουσία"(parousia), aqui traduzido por "vinda", de acordo com o Léxico Grego do Novo Testamento de Edward Robinson, se refere aqui em 2 Ts 2:8 como "julgamento para receber os santos à recompensa deles[[1 Co 15:23; 1 Ts 2:19; 2 Ts 2:8; 2 Pd 3:4; 1 Jo 2:28]"(p.702). Já o Léxico do Novo Testamento Grego Português de de F. W. Gingrich e F. W. Danker, se refere a "Cristo e seu Advento Messiânico no fim desta era"(p.160). A referência exegética para a derrota do Anticristo se refere literalmente, não a um evento em 70 d.C, mas a segunda vinda visível de Cristo, "no fim desta era", não após a metade ou no fim daquela era do 1º século da era cristã.
Em segundo lugar, Paulo diz que em sua segunda vinda, Jesus aniquilará" o Anticristo. O verbo grego "καταργέω"(katargeō), aqui traduzido por "desfará", de acordo com a Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego de W. Haubeck e H. V. Siebenthal, tem o sentido de "anular o efeito"(p.1155). A Chave Linguística do Novo Testamento Grego de Fritz Rienecker e Cleon Rogers, reza "καταργέω"(katargeō)por "tornar inoperante, anular, abolir, colocar fora de funcionamento"(p.451). O Léxico do Novo Testamento Grego Português de F. W. Gingrich e F. W. Danker reza "καταργέω"(katargeō)por "tornar ineficaz, sem poder, abolir, colocar de lado, levar ao fim"(p.112).
A Igreja Primitiva[Pós-Apostólica - os Pais da Igreja], entendia a manifestação do Anticristo, não como algo que já tinha ocorrido em 70 d.C, mas como algo que ainda seria futuro, como se segue:
(i)Irineu(130-200), diz:
"E não somente pelos detalhes já mencionados, mas também por meio dos eventos que ocorrerão no tempo do Anticristo é mostrado que ele, sendo um apóstata e um ladrão, está ansioso para ser adorado como Deus ; e que, embora um mero escravo, ele deseja ser proclamado como um rei. Pois ele[o Anticristo], sendo dotado de todo o poder do diabo, virá, não como um rei justo, nem como um rei legítimo, [isto é, alguém] em sujeição a Deus, mas um ímpio, injusto e sem lei; como um apóstata, iníquo e assassino; como um ladrão, concentrando em si mesmo [toda] a apostasia satânica, e deixando de lado os ídolos para persuadir [os homens] de que ele mesmo é Deus, levantando-se como o único ídolo, tendo em si mesmo os múltiplos erros dos outros ídolos. Ele faz isso para que aqueles que agora adoram o diabo por meio de muitas abominações possam servir a si mesmos por meio deste único ídolo, de quem o apóstolo fala na segunda Epístola aos Tessalonicenses"(Contra Heresias, V; 25:1)
(ii)Hipólito(169-215) diz:
"E o abençoado apóstolo Paulo, escrevendo aos tessalonicenses, diz: 'Irmãos, rogamo-vos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião nela, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, nem por espírito, nem por palavra, nem por epístolas, como se vindas de nós, como se o Dia do Senhor estivesse próximo. Ninguém de maneira alguma vos engane, porque (esse dia não virá) sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, de sorte que se assentará no templo de Deus, ostentando-se como Deus. Não vos lembrais de que eu vos dizia estas coisas quando ainda estava convosco? E agora sabeis o que o retém, para que a seu tempo seja revelado. Porque o mistério da iniquidade já opera; somente aquele que agora o retém até que do meio seja tirado. E então será revelado o ímpio, a quem o Senhor Jesus desfará pelo sopro da sua boca e destruirá pelo esplendor da sua vinda; a ele, cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam na mentira, para que sejam condenados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça'. E Isaías diz: 'Seja exterminado o ímpio, para que não veja a glória do Senhor'
Estas coisas, então, estando para acontecer, amados, e a semana sendo dividida em duas partes, e a abominação da desolação sendo então manifestada, e os dois profetas e precursores do Senhor tendo terminado sua carreira, e o mundo inteiro finalmente se aproximando da consumação, o que resta senão a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo do céu, por quem aguardamos com esperança? Quem trará a conflagração e o justo julgamento sobre todos os que se recusaram a crer nEle? Pois o Senhor diz: 'Quando estas coisas começarem a acontecer, então, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima. E não se perderá um fio de cabelo da vossa cabeça. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e brilha até o ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem. Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias. Ora, a queda ocorreu no paraíso; pois Adão caiu ali. E Ele diz novamente: Então o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles reunirão os seus eleitos desde os quatro ventos do céu'. E Davi também, ao anunciar profeticamente o julgamento e a vinda do Senhor, diz: 'A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até a outra extremidade dos céus; e ninguém se esconde do seu calor. Por calor ele se refere à conflagração'. E Isaías fala assim: 'Vem, povo meu, entra no teu quarto, fecha a tua porta; esconde-te, por assim dizer, por um breve momento, até que passe a ira do Senhor'. E Paulo, da mesma forma: 'Porque a ira de Deus se revela do céu contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade de Deus em injustiça'"(Sobre Cristo e o Anticristo, 62-63)
(iii)Tertuliano(160-230), diz:
"Quem já viu Jesus descendo do céu da mesma forma que os apóstolos O viram ascender, conforme a determinação dos dois anjos[At 1:11] Até o presente momento, tribo por tribo, não bateram no peito, olhando para Aquele a quem traspassaram. Ninguém ainda se juntou a Elias[Ml 4:5]; ninguém ainda escapou do Anticristo[1 Jo 4:3]; ninguém ainda teve que lamentar a queda da Babilônia[Ap 18:2]. E há agora alguém que tenha ressuscitado, exceto o herege? Ele, é claro, já deixou a sepultura de seu próprio cadáver — embora esteja agora sujeito a febres e úlceras; ele também já pisoteou seus inimigos — embora tenha agora que lutar com os poderes do mundo. E, naturalmente, ele já é um rei — embora agora mesmo deva a César as coisas que são de César[Mt 22:21]"(Sobre a Ressurreição da Carne, 22)
"Pois mais uma vez uma multidão incontável é revelada, vestida de branco e distinguida por palmas de vitória, celebrando seu triunfo, sem dúvida, sobre o Anticristo, já que um dos anciãos diz: 'Estes são os que vêm da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro'[Ap 7:14]"(Escorpião, 12)
(iv)Orígenes(184-255), diz:
"Pois, assim como ouvimos que o Anticristo vem, e ainda aprendemos que há muitos anticristos no mundo, da mesma forma, sabendo que Cristo veio, vemos que, graças a Ele, há muitos cristos no mundo que, como Ele, amaram a justiça e odiaram a iniquidade, e, portanto, Deus, o Deus de Cristo, os ungiu também com o óleo da alegria"(Contra Celso, 6:79)
(v)Cipriano(200-258), diz:
"Também sobre o Anticristo, que ele virá como um homem. Em Isaías: 'Este é o homem que agita a terra, que perturba os reis, que torna toda a terra um deserto'"(Tratadi XII, 3º Livro).
(vi)Alexandre de Alexandria(+ 328), diz:
"Em nossa diocese, portanto, não faz muito tempo, surgiram homens sem lei e adversários de Cristo, ensinando os homens a apostatar; o que, com razão, se poderia suspeitar e chamar de precursor do Anticristo"(Epístola sobre o Aranismo e a Deposição de Ário, 1)
(vii)Vitorino(281-365 d.C), diz:
"O curto período significa três anos e seis meses, nos quais, com todo o seu poder, o diabo se vingará sob o Anticristo contra a Igreja. Finalmente, ele diz, depois disso, o diabo será solto e seduzirá as nações em todo o mundo e provocará a guerra contra a Igreja, cujo número de inimigos será como a areia do mar"(Comentário do Apocalípse, XX)
(viii)Atanásio(296-373), diz:
"E uma vez também os arianos , tendo afirmado mentindo que as opiniões de Antônio eram as mesmas que as deles, ele ficou descontente e irado contra eles. Então, sendo convocado pelos bispos e todos os irmãos, desceu da montanha e, tendo entrado em Alexandria, denunciou os arianos , dizendo que sua heresia era a última de todas e uma precursora do Anticristo"(Vida de Santo Antonio, 69)
(ix)Cirilo de Jerusalém[332-386], diz:
"A Igreja agora o incumbe diante do Deus Vivo; ela declara a você as coisas referentes ao Anticristo antes que elas cheguem. Não sabemos se elas acontecerão em seu tempo, ou se acontecerão depois de você, não sabemos; mas é bom que, sabendo dessas coisas, você se prepare com antecedência"(Leitura Catequética, 15:3)
(x)Crisóstomo(347-407), diz:
"Pois alguns, nos dias dos apóstolos, enganaram a multidão; 'porque virão', diz Ele, 'e enganarão a muitos'[Mt 24:11] e outros o farão antes da Sua segunda vinda, os quais serão também mais graves do que os primeiros. 'Pois farão', diz Ele, 'sinais e prodígios, para enganar, se possível, até os escolhidos'[Mt 24:24], aqui Ele está falando do Anticristo e indica que alguns também o servirão. Dele, Paulo também fala desta maneira. Tendo-o chamado homem do pecado e filho da perdição"(Homília 76 sobre Mateus)
(xi)Jerônimo(347-420), diz:
"E com razão; pois, visto que o bispo é constituído na Igreja para evitar que o povo se engane, quão grande será o erro do povo quando aquele que ensina errar! Como pode ele remir pecados, sendo ele próprio um pecador? Como pode um homem ímpio santificar um homem? Como entrará a luz em mim, se meus olhos estão cegos? Ó miséria! O discípulo do Anticristo governa a Igreja de Cristo"(O Diálogo contra os Luciferianos, 5)
"Quando Teofrasto assim discorre, há algum de nós, cristãos, cuja conversação está no céu e que diariamente diz Fl 1:23: 'Anseio por ser dissolvido e estar com Cristo, a quem ele não envergonha?'. Um co-herdeiro de Cristo realmente desejará herdeiros humanos? E desejará filhos e se deleitará em uma longa linhagem de descendentes, que talvez caiam nas garras do Anticristo, quando lemos que Moisés e Samuel preferiram outros homens aos seus próprios filhos e não consideraram como seus filhos aqueles que consideravam desagradáveis a Deus?"(Contra Joviniano, I:48)
(xii)Sulpício Severo(363-425), diz:
"Descobriu-se, ainda, que, mais ou menos na mesma época, havia um jovem na Espanha que, tendo obtido autoridade entre o povo por meio de muitos sinais, envaideceu-se a tal ponto que se fez passar por Elias. E quando as multidões creram nisso com muita facilidade, ele passou a dizer que era de fato Cristo; e teve tanto sucesso nessa ilusão que um certo bispo chamado Rufo o adorou como se fosse o Senhor. Por isso, vimos esse bispo ser posteriormente destituído de seu ofício. Muitos irmãos também me informaram que, ao mesmo tempo, surgiu no Oriente alguém que se gabava de ser João. Podemos inferir disso, visto que falsos profetas desse tipo têm surgido, que a vinda do Anticristo está próxima; pois ele já está praticando nessas pessoas o mistério da iniquidade. E, sinceramente, penso que este ponto não deve ser ignorado, com as artes com que o diabo tentou Martinho, precisamente neste tempo"(Da Vida de São Martinho, 24)
(xiii)Agostinho(354-430), diz:
"Eu não penso, de fato, que o que alguns pensaram ou podem pensar seja precipitadamente dito ou acreditado, que até o tempo do Anticristo a Igreja de Cristo não sofrerá nenhuma perseguição além daquelas que ela já sofreu — isto é, dez — e que a décima primeira e última será infligida pelo Anticristo"(A Cidade de Deus, 18:52)
"Pois, assim como a aflição da cidade de Deus, como nunca houve antes, que se espera que ocorra sob o Anticristo, foi simbolizada pelo horror de Abraão diante de grandes trevas ao pôr do sol, isto é, quando o fim do mundo se aproxima — assim, ao pôr do sol, isto é, no próprio fim do mundo, é simbolizado por aquele fogo o dia do julgamento, que separa os carnais que serão salvos pelo fogo daqueles que serão condenados no fogo"(A Cidade de Deus, 16:24)
(xiv)Sócrates(380-439), diz:
"Saibam, portanto, que recentemente surgiram em nossa diocese homens sem lei e anticristãos, ensinando apostasia, a qual se pode justamente considerar e denominar precursora do Anticristo"(História Eclesiástica, I:6)
(xv)Gregório I(590-604), declarou:
“Quem quer que se chame bispo universal, ou tal título cobice, é, por seu orgulho, precursor do Anticristo; porque isto é pretender levantar-se acima dos outros. Quando um patriarca se intitula ‘Bispo Universal’, o título de patriarca sofre incontestável descrédito. Quantas desgraças não devemos esperar entre os sacerdotes se suscitarem tais ambições. Esse ‘bispo’ será o rei dos orgulhosos”(Epístola a Ciríaco)
(xvi)João Damasceno(676-749), diz:
"Primeiro, portanto, é necessário que o Evangelho seja pregado entre todas as nações[Mat 25:14]: 'E então será revelado o maligno, cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem; aos quais o Senhor desfará pela palavra da sua boca, e destruirá pela manifestação da sua vinda'. O próprio diabo, portanto, não se torna homem da maneira como o Senhor se fez homem. Deus nos livre! Mas ele se torna homem como filho da fornicação e recebe toda a energia de Satanás. Pois Deus, prevendo a estranheza da escolha que faria, permite que o diabo habite nele.
Ele é, portanto, como dissemos, filho da fornicação e é criado em segredo, e de repente se levanta, se rebela e assume o governo. E no início de seu governo, ou melhor, de sua tirania, ele assume o papel de santidade. Mas, quando se torna senhor, persegue a Igreja de Deus e manifesta toda a sua maldade"(Uma Exposição da Fé Ortodoxa, 4:26)
Anteriormente, Paulo havia dito que em sua segunda vinda vísivel e física, Jesus "desfará" o Anticristo. O verbo grego "ἀναλίσκω"(analiskō), que segundo o Léxico Analítico do Novo Testamento Grego de William D. Mounce, tem o sentido de "esgotar"(p.82)
Então, veja. Se o Anticristo é o Império Romano, como insinuam os preteristas, então quer dizer que no ano 70 d.C ou no 1º século da era cristã, o Império Romano ficou sem efeito, anulado, inoperante, abolido, sem nenhum funcionamento e esgotado? Mas, onde estão as evidências históricas de que o Império Romano deixou de perseguir os cristãos no 1º século da era cristã? Não temos nenhuma evidência disso. Que saibamos, as perseguições ao Cristianismo só terminaram quando Constantino subiu ao poder no século IV, proibindo as perseguições aos cristãos, por achar que o favorecimento ao Cristinismo seria benéfico ao seu reino. Paulo está literalmente afirmando que o Senhor Jesus, na sua segunda vinda visível e física, derrotaria o Anticristo. O entendimento de Paulo sobre esse assunto fica ainda mais claro em 1 Co 15:23-26 =
"Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte"(ACF)
O entendimento de Paulo sobre esse assunto, literalmente significa que:
(i)Cristo ressurreto e glorioso volta
(ii)Ele volta pra entregar o Reino [a Igreja - Ef 2:5-6; Ap 1:6]ao Pai, não para estabelecer um reino milenar
(iii)Cristo vem para reinar para sempre, não por mil anos literais.
(iv)Todos os seus inimigos serão derrotados e submissos a Ele na sua vinda.
(v)Se o último inimigo a ser derrotado é a morte, então homens ímpios [dentre eles o Anticristo] e demônios já seriam derrotados e trancafiados no Lago de fogo(Ap 19:11-21) antes da morte ser destruída, logo o Anticristo não pode ter sido derrotado por Cristo e lançado vivo no Lago de Fogo em 70 d.C ou em qualquer parte do 1º século da era cristã.
(vi)Note, que as Escrituras, segundo João, mostram que o Falso Profeta e o Anticristo serão lançados vivos no Lago de Fogo, na volta de Cristo (Ap 19:11-21). Portanto, se trata de uma pessoa real, como o diabo e o falso profeta, que será atormentada para todo o sempre no Lago de Fogo(Ap 20:10). Preteristas precisam achar um único texto bíblico dizendo que o Anticristo foi lançado vivo no Lago de Fogo em 70 d.C ou em qualquer outra parte do 1º século da era cristã, porque o juízo final não foi marcado para 70 d.C. A ideia de alguém ser lançado no Lago de Fogo, aponta para a segunda vinda visível de Cristo, onde ele lançará os ímpios no fogo eterno(Mt 25:31-34,41,46; 2 Ts 1:7-10; 2 Pe 3:7-12), não para o evento de 70 d.C!. Lembrando que enquanto a Bíblia diz que o Anticristo será lançado vivo [junto com o Falso Profeta] no Lago de Fogo[Ap 19:20], ela diz que todos os demais inimigos de Cristo e da Igreja serão mortos, após o Anticristo ser lançado vivo no Lago de Fogo[Ap 19:20-21]. A pergunta sem resposta para os preteristas é: "O Anticristo foi, junto com o Falso Profeta, lançado vivo no Lago de Fogo em 70 d.C; e todos os inimigos de Cristo e da Igreja foram todos mortos em 70 d.C ou depois de 70 d.C até o século XXI?". Fica patente que esse dogma é a mula sem cabeça do preterismo. Sua irracionalidade beira o nível 'hard'!
(vii)A Igreja Militante, ainda antes de ser glorificada, está ao lado de Cristo, vendo os poderes políticos ímpios, chefiados pelo Anticristo serem derrotados por Cristo(Ap 17:8-14)
(viii)A Igreja Militante e a Igreja Triunfante serão reunidas, para receberem um corpo imortal e glorificado durante a segunda vinda visível de Cristo(1 Ts 4:13-18; 1 Co 15:50-55; Fl 3:20-21)
(7)Os Reformadores entenderam que o papa de Roma era o Anticristo:
(a)Martinho Lutero(1483-1546], em seu "Comentário de 1 Jo 4:3", diz:
"Todos os outros hereges são anticristos em parte, mas ele, o papa, que é contra Cristo todo, é o único e verdadeiro anticristo"(Comentário de 1 João 4:3)
(b)João Calvino(1509-1564], em suas "Institutas", diz:
“A alguns parecemos demasiadamente maledicentes e insultuosos quando chamamos Anticristo ao pontífice romano”(IV; 7:25)
(8)Os Símbolos de Fé Reformados ensinam que o papa de Roma é o Anticristo:
(a)O Sumário de William Farel(1529), diz:
"Aqueles que carregaram e carregam a verdade, os pobres não creem facilmente: pois as trevas reinaram por tanto tempo, e o Anticristo (que é o papa) governou com tanta força sobre todos os povos, príncipes, reis e nações, perseguindo e matando todos os que são pela verdade: por isso, os ignorantes não conseguem crer na verdade, mas a rejeitam e a condenam"(XXVII)
(b)A Confissão de Fé da Congregação de Glastonbury[1551], diz:
"Além disso, eu repudio o papa como o Anticristo Romano, e toda a sua doutrina e religião; em particular, no tocante à transubstanciação; no tocante a invocação dos santos, confiança na retidão das obras que pertencem a nós ou a qualquer outro que não seja Cristo; livre arbítrio, purgatório e qualquer preço pelos pecados que não seja o sangue de Cristo; e, finalmente, no que se refere a toda adoração de imagens e todas as outras invenções humanas semelhantes que estão contidas em sua religião"(4ª Parte, 'Concernente a Igreja')
(c)A Confissão de Fé de John Lascco(1551), diz:
"Pois, nestes tempos em que a terrível tirania do Anticristo Romano e seu poder são ouvidos como nunca antes, e todas as coisas, acima e abaixo, se misturam nos presságios antinaturais de seitas que surgem por toda parte, vemos a verdadeira religião quase perecendo"('Da Única Igreja de Deus e Cristo')
(d)A Confissão de Fé Católica Húngara[1562], diz:
"O Papa ou Anticristo não é o noivo, nem o chefe, nem o fundamento da Igreja Católica, mas, como uma meretriz ambiciosa, se eleva acima de Deus e profana a casta virgem de Cristo[2 Ts 2]"('As Marcas da Verdadeira Igreja')
(e)A Confissão de Fé de Westminster[1643-1649], diz:
"Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus"(25:6)
(f)A Declaração de Fé e Ordem de Savoy(1658)(Congregacional), diz:
"Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus"(25:6)
(g)A Confissão de Fé Batista de 1689, diz:
"Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus"(25:6).
(9)Seguindo o jesuíta Luiz de Alcazar, os comentaristas católicos romanos, como seus colegas preteristas parciais, também negam ser o papa de Roma o Anticristo:
"É tão ridículo quanto malicioso pretender, como fizeram diversos reformadores posteriores, que o papa, e todos os papas desde a destruição do Império Romano, sejam o grande anticristo, o homem do pecado, etc"(George Leo Haydock[1774-1849, Teólogo Católico Romano, Com de 2 Ts 2:4)
"Certamente, ele não pode ser o próprio Satanás, pois recebe seus poderes dele. Como essa atividade vem ocorrendo há dezenove séculos, o Anticristo parece ser uma personificação apocalíptica dos poderes do mal desencadeados"(John Archibald Henslowe Orchard[1910=2006], Monge Beneditino, Com de 2 Ts 2:4)
(10)Os preteristas parciais dizem que Roma Pagã ou Nero era[m] o Anticristo. Mas a afirmação de que Nero, ou Roma pagã seriam o Anticristo é falsa pelos seguintes motivos:
(i) – Paulo diz que o Anticristo “se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora”(2 Ts 2:8), enquanto que Roma Pagã, na época de Constantino, criou um decreto fazendo cessar a perseguição contra os cristãos, tornando-a a religião oficial do ímpério, e, portanto, elevando-a acima de todas as demais religiões. A mesma Romã Pagã, em 1964, através do Concílio do Vaticano ii Concílio do Vaticano II(1964), na palavra do ‘papa’ Pàulo VI, em seu decreto “Unitatis Redintegratio", chama os protestantes de “Irmãos Separados”.
(ii)Os preteristas parciais dizem que o valor numérico do nome de Nero [‘Neron Kaiser’] dá 666(Kenneth Gentry, Pós-Milenarismo Para Leigos, p.105). Bem, o nome ‘ELLEN GOULD WHITE’, líder e profetiza adventista, somado numericamente, dá 666. Ellen White é o Anticristo? Se os preteristas parciais devem ser levados à sério em seu uso do argumento da gematria para defender que Nero ou Roma pagã eram o Anticristo, então o mesmo tipo de argumento que eles usam [a gematria] destroi ainda com muito mais propriedade o argumento deles, uma vez que a mitra que o papa de Roma usa, traz o nome latino "VICARIUS FILII DEI", que em lido em letras numerais latinas seperadamente, somam 666, e as letras restantes, que não trazem nenhuma soma numérica, rezam o titulo "FERAS", o que aponta ainda mais ao papa como a Besta do Apocalípse.
(iii)Qual foi o fim de Nero? Segundo o próprio escritor preterista parcial Kenneth Gentry, “Nero cometeu suicídio ao perfurar a garganta com uma espada”(Pós-Milenarismo Para Leigos, p.105), enquanto que a Bíblia diz que o Anticristo será derrotado por Cristo durante a sua vinda(2 Ts 2:8), sendo lançado vivo no lago de fogo(Ap 19:20). A Bíblia diz que o Anticristo será, junto com o Falso Profeta e Satanás, atormentado para todo o sempre no lago de fogo(Ap 20:10). Será que dá pra atormentar um sistema político pagão para todo o sempre? Na realidade, os preteristas parciais não se diferenciam dos espíritas, que alegam ser Satanás a personificação alegórica do mal, como eles fazem com relação ao Anticristo, dizendo que “João identifica o anticristo com um movimento, e não como um indivíduo”(Pós-Milenarismo Para Leigos, p.182)
(11)Os preteristas parciais dizem que a “a mulher [de Ap 17 - a grande protituta] representa Jerusalém”(Pós-Milenarismo Para Leigos, p.106). Mas, não há nenhuma base bíblica para isso. O contexto mostra que esta grande meretriz mantem ligações e relações políticas e religiosas com reis(Ap 17:1-2). O v.9 diz que a grande meretriz está assentada sobre sete montes. Geograficamente, Roma é a única cidade que está alicerçada sobre sete montes. Isto já desmonta o preterismo parcial. O v.18 diz que a grande meretriz ou grande cidade exerce poder sobre reis da Terra, o que não ocorreu com Israel. Deixe-me dar uns exemplos. Quando Stalin, lider comunista soviético, observou que um de seus ministroas, um judeu, estava sendo homenageado, o prendeu, junto com outros judeus, enviando-os a campos de concentração, conforme disse Allan Bullock[1914-2004], Historiador Britânico:
"A URSS foi, na verdade, um dos primeiros Estados a reconhecer o governo israelense em 1948. Mas uma visita a Moscow de Golda Meir, a ministra das Relações Exteriores de Israel, em outubro de 1948, produziu uma forte reação. Quando ela apareceu em uma sinagoga de Moscou, uma manifestação espontânea e entusiasmada em sua homenagem por judeus russos convenceu Stalin de que qualquer um com simpatias sionistas deve ser considerado um traidor da União soviética. Quando Svetlana protestou contra as suspeitas de Stalin, ele se voltou contra ela e declarou: 'Toda geração mais velha está contaminada e agora eles estão ensinando os jovens também'.
O Comité Antifascista Judaico, que tinha sido criado durante a guerra para garantir o apoio judaico no estrangeiro, parecia agora um centro cripto-sionista, um túnel secreto escavado por baixo das defesas que Stalin tinha erguido contra influência estrangeira hostil. O MGB logo encontrou as 'evidências' necessárias, o comité foi dissolvido, e seu diretor Solomom Losovsky, um ex-ministro das relações exteriores, foi preso e eventualmente executado em 1952.
Entre outros presos do Comité detidos ao mesmo tempo que a esposa judia de Molotov, Pauline, que teve uma conversa animada com a Sra. Meir em Iidiche, Stalin há muito que a considerava como suspeita como uma das amigas mais próximas da sua esposa Nadezhsda e a última pessoa com quem ela conversou antes de cometer suicídio. A posiçao do marido como Ministro das Relações Exteriores não fez nada para salvá-la; ela foi condenada e presa em um campo na Ásia Central e libertada somente quando Stalin morreu. Em consonância com o renascimento da sentença de morte, o tratamento daqueles que estavam detidos no campo do Gulag ou foram exilados na Sibéria foi tornado mais severo. Durante a guerra, os membros dos campos não foram reduzidos, exceto pela morte. Aqueles que sobreviveram aos expurgos anteriores tiveram as suas penas aumentadas em cinco, oito, dez anos, e muitos foram transferidos de campos gerais com um regime 'intensificado'. A população do campo foi reabastecida e aumentada no final da guerra com aqueles que regressavam da frente, aqueles que haviam sido deportados para trabalhar na Alemanha e aqueles que viveram sob ocupação alemã, muitos dos quais foram condenados a trabalhos forçados sob a acusação de traição. O total foi da ordem de doze a quatorze milhões. No final da década de 1940, aqueles que foram libertados após cumprirem as suas penas foram condenados, juntamente com os exilados e deportados durante a guerra, a permanecerem nos distritos remotos e inóspitos do Norte 'para sempre', sem qualquer esperança de regressar ao seu país. famílias ou cidades de origem. Invisível, nunca mencionado em público, mas nunca fora da mente, o Arquipélago Gulac permaneceu como o sombrio cenário da União Soviética.
Pouca publicidade foi dada ao caso de Leningrado ou, para comneçar, às perseguições aos judeus. Mas nas duas capitais, Moscow e Leningrado, e em todos os escalões superiores do partido e da burocracia estatal, o boato era ativo e combinado com o silêncio total para renovar a atmosfera de ameaça. Em comparação com 1937-1938, apenas um pequeno número foi até agora diretamente afetado, mas ninguém sabia até que ponto a doença se iria espalhar, ou quem poderia ser o próximo"(Hitler e Stalin, Vidas Paralelas', Harper Collins. Londres, 1991, pp.1055-1056)
Esse fato, serve, para demonstrar que a interpretação de que a grande prostituta de Ap 17, que exercia poder sobre os reis da Terra, não pode ser Jerusalém.
Agora, se há uma organização que pode ser identificada como 'a grande meretriz' de Ap 17, é a Igreja Católica Romana, segundo oo textos de Apocalípse. João diz que com ela [a grande meretriz] "fornicaram os reis da terra"(Ap 17:2 e que ela "reina sobre os reis da terra"(Ap 17:18). Raciocine conosco:
Quem influenciou o rei Sigismundo a retirar o salvo conduto de John Huss, para que ele fosse morto na fogueira, como herege em 1415? A Igreja Romana.
Quem foi, que influenciou o rei católico Carlos V, a retirar o salvo conduto de Lutero em Worms, em 1520, declarando-o 'fora da lei', e passível de ser capturado e morto por qualquer um? A Igreja Romana.
Quem foi que influenciou a rainha Catarina de Medici a mandar matar os huguentos na noite de São Bartolomeu? A Igreja Romana. Quem foi que influencuou Vilegaignon, para que entregasse os quatro pastores huguenotes [enviado por Calvino em 1557] nas mãos de Anchieta, que os estrangulou? A Igreja Romana.
Quem foi que fez uma aliança com o ditador facista Benito Mussolini, que assinou o pacto de Latrão, criando o Estado [o Pais] do Vaticano em 1929? A Igreja Romana. Quem foi que enviou o nuncio Basalo di Torregrossa em 1933, para dar apoio ao governo de Hitler na Alemanha? A Igreja Romana.
Quem foi que criou a 'Teologia da Libertação', que introduzindo o marxismo dentro de sua teologia, flertou com vários países comunistas do mundo todo? A Igreja Romana. E provo isso. As Comunidades Eclesiais de Base representavam e representam outra fonte de infiltração marxista dentro da igreja romana, sob o pretexto de lutar pela libertação dos “pobres” e dos “oprimidos”. Os escritores Plínio Correa de Andrade e Gustavo A. Solimeo, falando dessas CEBS(100.000), dizem:
“Com tudo isso, as Comunidades Eclesiais de Base vão salpicando de descontentamento e de revolta os ambientes que se movem. Elas trasnformam as doutrinas marxistas da Teologia da Libertação em praxis miúda, atingindo por essa forma setores da população refratária à pregação comum direita”(As CEBS Das Quais Muito Se Fala, Pouco Se Conhece – A TFP as Descreve Como São, Editora Vera Cruz LTDA, SP, 1982, p.121)
Os escritores, citando o Pe. Battista Mondin, professor da Pontifícia Universidade de Roma, registram as palavras dele:
“O princípio arquitetônico (da Teologia da Libertação) é constituído pelo mistério da libertação da Humanidade realizado por Cristo: O princípio hermenêutico (interpretativo) é a Filosofia Marxista da Libertação... E a estratégia para conseguir a libertação é a proposta de Marx, a luta de classes”(Ibidem, p.148)
Outro sacerdote católico romano, defensor da Teologia da Libertação, o Pe. Juan Luiz Segundo, em sua obra “Teologia da Libertação: Política ou Profetismo?’(Edições Loyola, SP, 1977), diz:
“O marxismo pretende evidenciar a mentira social, e para isso, elaborou um instrumento analítico científico. É algo de deve regozijar-se o cristão, como deve alegrá-lo o fato deste instrumento ser empregado também para manifestar a ideologização da própria igreja e a reflexão teológica. Purifica-se, assim, a Igreja, coisa de que ela sempre tem necessidade”(p.227).
O então Frei Leonardo Boff, ferrenho defensor da Teologia da Libertação, dentro da igreja romana, diz:
“A opção na política, ética e evangélica prévia em favor dos pobres contra a sua pobreza ajuda a escolher aquele instrumental que faça justiça aos reclamos de dignidade por parte dos exploradores. O teólogo pode se utilizar do aporte da teoria marxista da história. O que propomos não é teologia dentro do marxismo, mas marxismo dentro da teologia”(‘Marxismo na Teologia’, Jornal do Brasil, 06/04/1980)
Por fim, outro famoso teólogo romanista, o Prof. Clodovis Boff, em seu livro "Comunidades Eclesiais de Base e Práticas de Libertação", disse:
“Caberia aqui se perguntar o que seria do cristianismo hoje sem a contribuição desse gênero de crítica, particularmente da parte do marxismo, pois elas lhe serviram de poderoso estimulante no sentido de buscar sua verdade mais profunda. Será que a sua fé das CEBs seria o que é sem ter assacado tais críticas? Mais: Será que a fé cristã teria condições de ser historicamente revolucionária sem integrar uma teoria social igualmente revolucionária? Essas perguntas abrem para o quanto o cristianismo de hoje pode estar devendo a tradição marxista”(p.599).
Afirmação de que a grande prostituta de Ap 17 é Jerusalém é um argumento antisemita, e não tem qualquer respaldo bíblico e não tem nenhum respaldo entre os reformadores, os padrões confessionais, os puritanos e os comentaristas das Escrituras. A história demonstra que a nação judaica de fato sofreu todas as condenações mencionadas acima por conta de sua rebelião contra Deus. E não precisamos ir muito longe para comprovar esse fato, basta observar o Holocausto, os pogroms na França, a Inquisição Espanhola e as inúmeras cruzadas e genocídios católicos. Os judeus simplesmente nunca tiveram o privilégio de dominar o mundo, mas certamente foram alvo de extrema discriminação racial e ataques de propaganda.
Quem criou a grande inquisição, responsável pela morte de milhares de protestantes? Foram os judeus? Pasmem, vocês, que um dos argumentos de que Jerusalém é a grande prostituta é que o sumo sacerdote é descrito como tendo as mesmas cores da grande meretriz de Ap 17 – púrpura, vermelho e ouro[amarelo]. Mas a República Dominicana também tem as mesmas cores em sua bandeira. A República Dominicana também é a grande prostituta de Ap 17?
Ademais, o termo ‘prostituta’ é aplicado a Nínive e a Tiro(Na 3:4-5; Is 23:17). Nínive e Tiro são a grande prostituta?
Ademais, Ap 17:6 diz = "E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus"(ACF). Observe o verbo grego "μεθύω"(methyō), aqui traduzida por "embriagada", que de acordo com o "Thayer's Greek-English Lexicon of the New Testament", tem o sentido literal de "alguém que derramou sangue profusamente"(p.896), se referindo a algo que "ocorre ou é dado em grande volume". A ideia aqui é de uma organização responsável por uma enorme carnificina contra os cristãos, que não encontra evidências históricas como referência a Jerusalém. E aí vem a pergunta: 'Onde temos evidencias históricas de que o povo judeu assassinou a grande maioria dos cristãos mártires?". No livro "Uma História Universal do Martírio Cristão: Um Relato Completo e Autêntico das Vidas, Sofrimentos e Mortes Triunfantes dos Mártires Primitivos e Protestantes... e da Perseguição Papal,", do historiador John Fox, lemos sobre o martírio dos protestantes na França, na noite de São Bartolomeu:
"No espaço de um mês, trinta mil protestantes, pelo menos, é dito que foram mortos, conforme relatado de forma confiável por testemunhas do ocorrido"(p.148)
Na mesma página, lemos:
"O martírio deste homem virtuoso mal havia ocorrido quando os soldados armados começaram a matá-los. protestantes que pudessem encontrar dentro da cidade. Isso continuou por muitos dias, mas o maior massacre ocorreu nos três primeiros dias, nos quais se diz que mais de 10.000 homens e mulheres, jovens e idosos, de todos os tipos e condições foram assassinados. Os corpos dos mortos foram carregados em carroças e jogados no rio, que ficou todo manchado com o sangue; além disso, riachos inteiros em várias partes da cidade corriam com o sangue dos mortos. Entre os mortos, entre os mais instruídos, estavam Pedro Ramo, Lambino, Plateano, Ijomênio, Chapésio e outros".
Neste livro acima citado, temos menção de cristãos mortos perseguidos por judeus no 1º século da era cristã, mas não temos nenhuma menção de um numero que cristãos mortos por perseguição judaica, que chegue perto dos 30.000 ou 40.000 huguenotes mortos pelos católicos na noite de São Bartolomeu. Assim, faltam evidências históricas para os preteristas parciais provarem que a grande prostituta de Ap 17 tenha sido Jerusalém. Por isso, não resta nenhuma dúvida de que a grande prostituta de Ap 17 seja a Igreja Católica Romana. A declaração de escritores preteristas parciais, além de falsa, caluniosa e fantasiosa, é notoriamente antisemita!
O próprio escritor preterista parcial Kenneth Gentry diz em alusão a Ap 17:3,9 que “Roma se encontra afinal, sobre sete Colunas”(Pós-Milenarismo Para Leigos, p.106). Vários comentaristas das Escrituras não dão outra interpretação de Ap 17:1, senão se referindo a Roma Papal:
“Apocalipse 14:8 e não é outra senão Roma Papal; pois que se trata de uma cidade ou estado fica claro em Apocalipse 17:18 e é comum que cidades idólatras ou apóstatas sejam chamadas de prostitutas ou meretrizes”(Gill[1697-1771], Ministro Batista, Com de Ap 17:1)
“Em Ap 17:18, é dito expressamente que ‘esta mulher é a grande cidade que reina sobre os reis da terra’ – isto é, como suponho, a Roma papal”(Albert Barnes[1798-1870], Ministro Presbiteriano, Com de Ap 17:1)
“Se nos lembrarmos disso, veremos que a Babilônia do Apocalipse, embora seja, sem dúvida, a Roma pagã, não pode ser limitada a ela. Seria, então, a pergunta que se deve fazer: a Roma papal? A resposta é: na medida em que a Roma papal exerceu poder tirânico, tornou-se perseguidora, interpôs-se entre o espírito dos homens e Cristo, depravou a consciência dos homens, ocultou a verdade, tolerou a maldade, buscou o engrandecimento e foi uma máquina política em vez de testemunha do Rei justo, ela herdou as características da Babilônia. O reconhecimento dessas características levou Dante a aplicar essa mesma passagem do Apocalipse à Roma sob o domínio de papas mundanos e tiranos”(Charles J. Ellicott[1819-1905], Ministro Anglicano, Com de Ap 17:1)
“Não duvido que Deus, portanto, permitiu que uma meretriz notória fosse elevada ao papado (e isso justamente na época em que os papas estavam mais ocupados em subjugar os reis da terra e torná-los seus vassalos), para que pudesse apontar aos homens esta prostituta aqui mencionada, com quem os reis da terra cometeram fornicação”(John Trapp[1601-1669], Ministro Anglicano, Com de Ap 17:1)
“A prostituta é a igreja apóstata, assim como a mulher (Ap 12:1-17 ) é a Igreja enquanto fiel”(Robert Jamieson[1802-1880], Andrew Robert Fausset[1821-1910] e David Brown[1803-1897], Ministros Anglicanos, Com de Ap 17:1)
"Não hesito, portanto, motivado principalmente por essas considerações, que serão confirmadas à medida que avançarmos passo a passo na profecia, em manter a interpretação que considera a Roma papal e não a Roma pagã, como apontado pela meretriz desta visão"(Henry Alford[1810-1871], Ministro Anglicano, Com de Ap 17:1)
"A atual igreja papal de Roma merece esse nome, tendo sido culpada da maior deserção e apostasia da verdadeira doutrina e adoração evangélica que já existiu no mundo; e ela é merecidamente chamada também de a grande prostituta, por causa de suas prostituições cometidas com tantos sob seu poder e jurisdição, tendo muitas pessoas sujeitas a ela, e por essa razão é aqui dito que está assentada sobre muitas águas"(William Burkitt [1650-1703], Ministro Anglicano, Com de Ap 17:1)
"Eis um problema com a ideia de misturar 'Igreja e Estado'"(Brian Bell, Com de Ap 17:18)
"Roma era o que se pretendia, como todos, tanto papistas quanto protestantes, concordam; e creio que fica evidente, quase que por demonstração, que não a Roma pagã, mas a cristã; não a Roma imperial, mas a papal, era a aqui inscrita; e os argumentos em contrário apresentados pelo próprio bispo de Meaux, o melhor e mais capaz defensor do papado, nada mais comprovam do que a fraqueza e a maldade da causa que se propõem a defender"(Joseph Benson[1749-1821], Ministro Metodista, Com de Ap 17:1)
"Ele constrói um suposto Sacro Império Romano, um império político-religioso de perseguição, com um Papa em vez de um César como chefe, e com a mulher de púrpura e escarlate como a igreja falsificada"(Benajah Harvey Carroll[1843-1914], Ministro Batista, om de Ap 17:1-18)
"Não há dúvida de que esta mulher é a Igreja Latina, pois ela está sentada sobre a besta de sete cabeças e dez chifres, que já foi comprovado ser o Império Latino, porque somente este império contém o número 666[Ap 13:18]. Esta é uma representação da Igreja Latina em seu mais alto estado de prosperidade anticristã, pois ela está sentada sobre a besta cor de escarlate, um emblema impressionante de seu domínio completo sobre o império latino secular. O estado da Igreja Latina desde o início do século XIV até a época da Reforma pode ser considerado o que corresponde a esta descrição profética no sentido mais literal e abrangente das palavras; pois durante este período ela estava no auge de sua grandeza mundana e autoridade temporal. A besta está cheia de nomes de blasfêmia ; E é bem sabido que as nações, em apoio à Igreja Latina ou Romana, abundaram em denominações blasfemas e não se envergonharam de atribuir a si mesmas e à sua Igreja os títulos mais sagrados, não só blasfemando pelo uso impróprio de nomes sagrados, mas até mesmo aplicando ao seu bispo aqueles nomes que pertencem somente a Deus; pois Deus declarou expressamente que não dará a sua glória a outro, nem o seu louvor a imagens esculpidas"(Adam Clark[1760-1832], Ministro Metodista, Com de Ap 17:3)
"Não há nada mais na história do mundo que cumpra isso, exceto a hierarquia papal mundial e seus filhos espirituais, as filhas da Prostituta. É pura fantasia interpretar isso como os promotores do 'culto ao imperador'. Não é de admirar, portanto, que Lutero, Tyndale, Huss, Knox, Wesley, Alexander Campbell e outros grandes nomes da Reforma tenham aceitado a interpretação aqui apresentada"(James B. Coffman[1905-2006], Com de Ap 17)
"Quem é, então, essa mulher, tachada de meretriz, que um dos sete anjos que derramaram as taças mostrou a João? Ela representa o sistema papal em seu poder e controle absolutos sobre o mundo"(Arno C. Gaebelein [1861-1945], Ministro Metodista, Com de Ap 17:1-6)
"O argumento de João é que a meretriz é uma assassina. A falsa religião matou milhões de fiéis ao longo dos séculos"(Windell Gann, Com de Ap 17:6)
"Satanás tem sua mulher vulgar, a prostituta (a meretriz), uma fornicadora e adúltera religiosa, talvez o Romanismo e o Catolicismo, ambos os quais se fazem passar pela igreja de nosso Senhor e por suas ordenanças, mas são infiéis a ela"(Albert Garner and J.C. Howes, Com de Ap 17:1)
"E, em um sentido religioso (isto é, refiro-me a uma religião meramente nominal), quantos reis e nações reconheceram a supremacia do Papa!"(Robert Hawker[1753-1827], Ministro Anglicano, Com de Ap 17:1-2)
"Pela descrição que se segue, parece que isso indica a Igreja Católica Romana"(Ger de Koning, Ministro Reformado, Com de Ap 17:1-4)
"A cidade das sete colinas é chamada Roma, e assim fica clara a referência à Igreja do Anticristo, à Igreja de Roma; pois Roma foi a sede do Papa desde o princípio, e todos os partidários do papado reconhecem Roma como a capital de seu império"(Paul E Kretzmann[1883-1965], Ministro Luterano, Com de Ap 17:9-14)
"Aplicação do julgamento sobre a Babilônia à 'Igreja idólatra do Papado'"(Johann P. Lange[1802-1884], Teólogo Calvinista, Com de Ap 17:18)
Lembrando que o próprio reformador Martinho Lutero identificou a Igreja Romana como a 'grande prostituta' de Ap 17, quando na capa de sua edição da Bíblia de 1545, identificou a grande meretriz com uma tiara papal. Lutero se referiu a Igreja Romana como "a igreja prostituta do diabo"(Luther Works, Volume 41, p.119)
Outro argumento preterista parcial usado para dizer que a grande meretriz de Ap 17 é Jersualém é a expressão "grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o nosso Senhor também foi crucificado"(Ap 11:8). A expressão diz respeito a ela como Sodoma, porque estava sob o domínio dos romanos, conhecidos por suas práticas homossexuais, como Nero e Calígula. E foi chamada de Egito", porque, assim como Israel ficou 430 anos escravizado sob o domínio do Egito, Jerusalém estava escravizada sob o domínio de Roma, no século I. Mas nada disso prova que Israel era a grande meretriz, até porque a grande meretriz não se associava com práticas sexuais homossexuais, incesto, nem com zoofilia, como ocorria entre primitivos egpícios e romanos. Assim, o argumento é totalmente improcedente, e só imnpressiona incautos.
(12)Os preteristas parciais atacam o caráter ortodoxo dos reformadores.
No livro "Comentário Preterista sobre o Apocalípse”, o autor, preterista parcial, diz:
“O preterismo aqui defendido é prova disso. Os reformadores em parte ignoraram o preterismo das profecias e fizeram algumas interpretações equivocadas sobre a profecia. Não poderiam errar também a respeito da salvação, predestinação e livre arbítrio?”(p.148)
Os preteristas parciais são assim. Quando você, fulano, sicrano ou beltrano não concordam com eles, os mesmos passam a atacar você pessoalmente, ao invés de tuas ideias. São intolerantes, arrogantes, soberbos, mas agem assim, quando não tem bíblia na mão, para provarem seu dogma.
(13)O Lado Oculto do Preterismo Parcial Omitido Por Seus Adeptos - SUA ORÍGEM NA CONTRA REFORMA DO SÉCULO XVI!
"O padre Luiz de Alcazar apresenta a primeira abordagem preterista, formal e completa do Apocalípse... A primeira apresentação sistemática do ponto de vista preterista teve orígem no século XVII com Luiz de Alcazar, um frade jesuíta"(Kenneth L. Gentry, 'Ele Terá Domínio: Uma Escatologia Pós-Milenista', 2009, p.164)
O próprio escritor pós-milenista e preterista parcial, em um certo sentido, admitindo que os que seguem essa posição, estão seguindo uma ideologia criada pela Contra Reforma, por um jesuíta, Luiz Alcazar. Ele, em seus escritos, lutou para combater a crença da Reforma Protestante, de que a Igreja Romana seria uma prostituta e o papa o Anticristo, afirmando em seu livro "Investigação no Sentido Oculto de Apocalípse"[1614], que todas as profecias de Apocalípse foram aplicadas a Roma Pagã, e, portanto, não poderiam ser aplicadas ao Papa de Roma, como entendiam os Reformadores e os Símbolos de Fé Reformados, como a Confissão de Fé de Westminster[1643-1649], a Declaração de Fé e Ordem de Savoy(1658) e a Confissão de Fé Batista de 1689.
Kieran Beville, em seu livro "Desenvolvendo Igrejas Saudáveis, Um Estudo de Caso no Apocalipse", reconhece:
"Alguns historiadores cristãos atribuem às raízes do preterismo ao padre jesuíta Luiz de Alcazar[1554-1613]. Acredita-se que a interpretação de Alcazar seja uma reação à interpretação historicista protestante do Apocalípse, que identificava o Papa como o Anticristo"(p. 45)
Børge Beck, em seu livro "Profecia do Fim dos Tempos - Uma Interpretação Literal, Gramatical-Histórica", diz:
"Luiz de Alcazar[1554-1613], um padre jesuíta nascido na Espanha, desempenhou um papel fundamental na Contra Reforma do século XVI. Ele é geralmente considerado o pai do preterismo, e seus argumentos preteristas, tornaram-se de grande valor parta a Igreja Católica em suas respostas às acusações dos historicistas protestantes, de que ela era a 'manifestação da apostasia'. O historicismo era, portanto, a comnpreensão protestante de como as profecias deveeriam ser interpretadas, e, em sua visão, o Papa teria o papel do Anticristo, portanto, a ser revelado no fim dos tempos. Dessa forma, o preterismo também foi útil na disputa com os protestantes, pois se a revelação do Anticristo pudesse ser atribuída ao primeiro século, a alegação do Papa como Anticristo não seria mais válida"(p. 250).
R. W. Mills, ministro norte americano, em sua obra "Verdade - Não Exatamente Um Livro para Buscadores da Verdade e Para Aqueles Que se Importam com Eles"(2004), diz:
"Essas visões foram adotadas pelos franciscanos do século XIII, especialmente os de Paris. Foi a ligação da Besta ao papado romano que mais tarde galvanizou os reformadores contra o sistema papal. Em defesa do papado, destacaram-se Francisco Ribera[1537-1590] e Luiz de Alcazar[1554-1613], um jesuíta que introduziu uma abordagem prterista ao Apocalípse. Ela consistia em uma interpretação em três partes. Nos capítulos 4 a 11, a Igreja luta contra o judaísmo, culminando na queda de Jerusalém em 70 d.C. Os capítulos 12 a 19 detalham a luta da Igreja contra a Roma pagã, que triunfa em 326 d.C. Os capítulos 20 a 22 descrevem a ascensão e o triunfo da Roma papal. Nós, no século XXI, temos so benefício dos registros históricos. Eles demonstram que essa é uma interpretação falsa. Criativa, mas incapaz de remover a identificação das Escrituras do Papado como a Besta. Esta versão nunca foi aceita pela corrente principal do Cristianismo. Uma versão modificada dessa visão preterista é defendida por alguns hoje. A visão preterista do século XXI acredita que o Apocalipse se cumpriu completamente para os judeus durante a destruição de Jerusalém. Isso ignora totalmentet as história e o fato de que o Apocalípse foi escrito para a Igreja e depois de 70 d.C."(p. 199)
Brad H. Young, Ph.D., fundador e presidente da Gospel Research Foundation, e Professor Titular de Estudos Judaico-Cristãos, em suas obra "Quando a Perfeição Chegar, As Predições da Bíblia, Simplificadas"(2022), diz:
"O preterismo foi posteriormente popularizado pelo jesuíta espanhol Luiz de Alcazar[1554-1613], em seu comentário foi a 'Investigação do Sentido Oculto do Apocalipse', Ele tentou refutar o historicismo, a visão protestante da época, que considerava o Papa o Anticristo e o Catolicismo o sistema do Anticristo".
John Walvoord[1910-2002][pastor e presidente do Seminário Teológico de Dallas de 1952 a 1986] e Philip Rawley, [ex-editor da Moody Publishers, um dos editores e escritores fundadores do Today in the Word, graduado pela Universidade do Sul da Flórida e pelo Seminário Teológico de Dallas, em sua obra "Apocalípse"(2011), dizem:
"Abordagem preterista. Os adeptos dessa abordagem sustentam que o Apocalipse é um registro dos conflitos da igreja primitiva com o judaísmo e o paganismo. Os eventos de Apocalipse 4-20 são vistos principalmente como uma descrição da guerra judaica, seu ápice na destruição de Jerusalém em 70 d.C. e a perseguição da igreja primitiva. Embora alguns na igreja primitiva possam ter tido visões semelhantes, o crédito por sua orígem é geralmente atribuído ao jesuíta Luiz de Alcazar[1554-1613]".
Realmente, hoje, estamos percebendo que algumas pessoas estão introduzindo dentro do meio reformado crenças jesuítas, para minarem a pureza da fé reformada. A coisa é sinistra. Estou pasmo e estupefato. Eu já desconfiava de algo assim. Estamos vivendo no tempo da apostasia e do latitudinarismo.
É realmente inacreditável você imaginar que 'preteristas' recorreriam a Roma, à Contra Reforma, aos jesuítas, para justamente refutar o pensamento dos próprios reformadores! O que dizer disso?
(14)A interpretação preterista de que a 'Grande Tribulação' já se cumpriu completa e literalmente em 70 d.C é uma heresia?
Levando em consderação as consequências finais de sua crença, pode ser considerada uma heresia. Mas quando comparamos os eventos de Mt 24:15-22;Lc 21:20-24 exatamente com o evento próprio da verdadeira 'Grande Tribulação', levando até às ultimas consequências as implicações da interpretação preterista, descambaremos em blasfêmia contra a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Considere conosco:
(a)Os eventos da 'grande aflição'[não 'grande tribulação'] de Mt 24:15-22;Lc 21:20-24, dizem respeito apenas a um povo só - Israel, enquanto que o evento da verdadeira grande tribulação envolve judeus e gentios crentes(Ap 7:9-17)
(b)Se você diz que Jesus está falando da mesma 'grande tribulação' em Mt 24:15-22;Lc 21:20-24 e Ap 7:9-17, você vai colocar Jesus contradizendo Jesus, pois enquanto ele afirma em Ap 7:9-17, que a 'grande tribulação' envolveria judeus e gentios crentes, já em em Mt 24:15-22;Lc 21:20-24, ele fala de um evento que envolveria apenas o povo judeu.
(c)Se você diz que João em Ap 7:9-17, e os evangelistas Mateus e Lucas, em Mt 24:15-22;Lc 21:20-24 estão falando do mesmo evento da 'grande tribulação', você coloca João contradizendo os evangelistas, pois enquanto João diz que a grande tribulação envolveria judeus e gentios crentes, os evangelistas fazem alusão a um evento que envolveria apenas os judeus.
Poderia Jesus se contradizer, ou o Espírito Santo fazer João entrar em contradição com Mateus e Lucas? Não.
(d)Se você admite que João, Mateus e Lucas estão falando do mesmo evento da 'grande tribulação' [quando, na verdade, eles não estão], você, inconscientemente e indiretamente, acaba negando atributos incomunicáveis da segunda pessoa da Santíssima Trindade - a onisciência e a imutabilidade.
(e)Esse tipo de interpretação leva inconscientemente e indiretamente a negação da onisciência de Jesus, porque em Ap 7:9-17, ele diz que a grande tribulação se destinaria a judeus e gentios crentes martirizados, enquanto que em Mt 24:15-22, ele afirma que a grande aflição de 70 d.C, se aplicaria apenas a judeus crentes, que não passariam pelo martírio sob as mãos de Tito(Mt 24:13,22). Afinal, Jesus sabia ou não quem eram os que passariam pela grande tribulação? E, afinal, Jesus sabia ou não, o que aconteceria aos que passariam pela grande tribulação? Isso poderia até abrir espaço para o teísmo aberto.
(f)Esse tipo de interpretação leva inconscientemente e indiretamente a negação da imutabilidade de Jesus(Hb 13:8), pois enquanto ele diz em Ap 7:9, que os que passariam pela grande tribulação seriam judeus e gentios crentes que seriam martirizados; ele, em contrapartida, levando em consideração a interpretação preterista, negaria isso em Mt 24:15-22;Lc 21:20-24, afirmando que o evento de 70 d.C envolveria apenas judeus crentes [que não seriam martirizados] e descrentes. Ao nosso ver, fica claro, que se levarmos até às ultimas consequências as implicações da interpretação preterista de Mt 24:15-22;Lc 21:20-24 e Ap 7:9-17, incorremos em grande blasfêmia contra a segunda pessoa da Santíssima Trindade, e, portanto, em grande heresia.
Esse tipo de interpretação preterista, além de sugerir uma idéia de blasfêmia contra o Senhor Jesus, também sugere que ele, ao supostamente derramar a 'grande tribulação' apenas sobre judeus crentes em Mt 24:15-22;Lc 21:20-24, volta atrás de suas decisões[que consistiam em ter feito judeus e gentios um povo só, como sua Igreja - Jo 10:16; 1 Co 12:13; Gl 3:27-29; Ef 2:11-19], dividindo o seu povo, ao derramar um evento escatológico apenas sobre uma parte de seu povo [os judeus crentes - Mt 24:15-20], o que negaria a catolicidade de sua igreja, como se alguém estivesse restringindo seu povo apenas à uma nação, algo que não só a Bíblia nega, mas os próprios símbolos confessionais reformados[que entendem a grande tribulação de Ap 7:9-17, como uma referência a judeus e gentios crentes], como se segue:
(i)A Confissão de Fé da Bohemia(1535, VIII), diz:
"Eles ensinam, em primeiro lugar, que Cristo, o Senhor, por Seu mérito, graça e verdade, é a Cabeça e o Fundamento da Igreja, sobre a qual ela é edificada pelo Espírito Santo, pela palavra e pelos sacramentos, como Cristo disse a Pedro: 'E sobre esta pedra (isto é, eu mesmo) edificarei a minha Igreja'[Mt 16,18]. E Paulo, em 1 Coríntios, diz: 'Ninguém pode lançar outro fundamento, a não ser o que já foi posto, o qual é Jesus Cristo'[3,11]. E em outro lugar, ele escreve o mesmo: 'Ele mesmo é a Cabeça do seu corpo, a Igreja, que cumpre tudo em todos'[Ef 1,22-23].
Eles ensinam ainda que se deve crer e confessar a santa Igreja Católica, que em seu estado atual é composta por todos os cristãos do mundo, onde quer que vivam na Terra e em quaisquer lugares onde estejam dispersos, todos os quais foram reunidos em uma só fé em Cristo e na Santíssima Trindade pela palavra do santo Evangelho, de todas as nações, povos, tribos e línguas, de todas as classes, idades e condições. Como está escrito por João no Apocalipse: 'Depois disso, olhei, e eis uma grande multidão, que ninguém podia contar, etc'[Ap 7:9]. E o Senhor disse: 'Onde dois ou três (em qualquer nação ou povo) estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles'[Mt 18:20]. Pois onde quer que Cristo seja pregado e aceito, onde quer que sua palavra e seus sacramentos estejam presentes, e sejam administrados e recebidos de acordo com sua ordem e vontade, ali está a santa Igreja, a sociedade cristã e o povo de Deus, qualquer que seja seu número. Mas onde Cristo está ausente e Sua palavra é rejeitada, não pode existir nem a verdadeira Igreja nem um povo agradável a Deus"(Reformed Confessions of The 16º and 17º Centuries In English Translation, Volume 1, p.312)
(ii)A Confissão de Fé de Teodoro de Beza(1560, 'Da Igreja', O 5º Ponto), diz:
"Por esta razão deve-se confessar uma só igreja católica (isto é, uma igreja universal), não porque ela abranja todos os homens em geral (pois a maior parte não faz parte dela), mas porque os crentes estão dispersos por toda a terra[Mt 20:16; Lc 13:23-24], assim como o Senhor os escolheu, não estando restritos a nenhum lugar, tempo ou nação específica]At 10:27-28; Ap 7:9; Mt 11:27]"(Reformed Confessions of The 16º and 17º Centuries In English Translation, Volume 2[1552-1566], p.299)
(iii)A Confissão de Fé da Bohemia[1575, VII], diz:
"A partir destas coisas se ensina o que deve ser crido, mantido e publicamente confessado, que a santa Igreja Católica, presente em todos os tempos e militante na Terra, é a comunhão de todos os cristãos, que estão dispersos por todo o mundo e reunidos pelo santo evangelho de todas as nações, famílias, línguas, graus e idades, em uma só fé em Cristo Senhor ou na Santíssima Trindade, de acordo com aquela palavra de São João que fala assim: 'E vi uma grande multidão, que ninguém pode contar, de todas as nações, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro'[Ap 7:9]. Esta verdadeira Igreja, enquanto jaz aqui na eira do Senhor [o vasto mundo], e, por assim dizer, reunida promiscuamente em um monte, contém em si o trigo puro, bem como a palha, os filhos piedosos de Deus e os filhos ímpios do mundo, os membros vivos e mortos, dos ministros e do povo; mas onde for menos contaminado ou mais puro, também pode ser conhecido pelos seguintes sinais: ou seja, onde quer que Cristo seja ensinado em assembleias sagradas, a doutrina do santo evangelho seja pregada pura e completamente, os sacramentos sejam administrados de acordo com a instituição, mandamento, significado e vontade de Cristo, e também o povo fiel de Cristo os recebe e usa, e por estes se reúne na unidade da fé e do amor e no vínculo da paz, se une na unidade e se edifica em Cristo. Ali está, portanto, a santa igreja, a casa de Deus, os templos do Espírito Santo, membros vivos, participantes da Jerusalém celestial, o corpo espiritual de Cristo e juntas unidas, que são unidos e acoplados cada um ao outro por uma cabeça Cristo, um Espírito de regeneração, uma Palavra de Deus, os mesmos sacramentos genuínos, uma fé, um amor e santa comunhão, um vínculo de paz, ordem, disciplina e obediência, seja o número deste povo grande ou pequeno, como o Senhor testifica: 'Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome (em qualquer país ou nação e em qualquer lugar que ele faça isso), aí estou eu no meio deles'[Mt 18:20]. E, ao contrário, onde Cristo e o Espírito de Cristo não habitam, o santo Evangelho também não encontra lugar que lhe seja concedido, mas, ao contrário, erros manifestos e uma vida pagã têm pleno curso e, superando-os, eles os atacam; mesmo ali, necessariamente, existe uma igreja tão contaminada que Cristo não a reconhecerá como Sua amada noiva, visto que ninguém pertence a Cristo se não tiver o Espírito de Cristo[Rm 8:9]"(Reformed Confessions of The 16º and 17º Centuries In English Translation, Volume 3[1567-1599], p.349)
(iv)A Confissão de Fé de Westminster[1643-1649], diz:
"A Igreja Visível, que também é católica ou universal sob o Evangelho (não sendo restrita a uma nação, como antes sob a Lei) consta de todos aqueles que pelo mundo inteiro professam a verdadeira religião[1 Co 1:2; 12:12-13; Sl 2:8; Ap 7:9; Rm 15:9-12], juntamente com seus filhos[1 Co 7:14; At 2:39; Ez 16:20-21; Rm 11:16; Gn 3:15; 17:7]; é o Reino do Senhor Jesus[Mt 13:47; Is 9:7], a casa e família de Deus[Ef 2:19; 3:15, fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação[At 2:47]"(XXV)(Reformed Confessions of The 16º and 17º Centuries In English Translation, Volume 4[1600-1693], p.264)
(v)O Catecismo Maior de Westminster[1647], diz:
"P. 62. Que é a Igreja visível? R. A Igreja visível é uma sociedade composta de todos quantos, em todos os tempos e lugares do mundo, professam a verdadeira religião[1 Co 1:2; 12:13; Rm 15:9-12; Ap 7:9; Sl 2:8; 22:27-31; 45:17; Mt 28:19-20; Is 59:21], juntamente com seus filhos[1 Co 7:14; At 2:39; Rm 11:16; Gn 17:7]"(Reformed Confessions of The 16º and 17º Centuries In English Translation, Volume 4[1600-1693], p.311)
(15)A interpretação preterista de Mt 24:15-22;Lc 21:20-24 e Ap 7:9-17 tem algumas semelhanças com crenças de seitas falsas
Quando os preteristas, em uma interpretação totalmente contraditória, bizarra e inconsistente, tentam, sem nenhuma biblicidade, dizer que o evento de Ap 7:9-17 é o mesmo de Mt 24:15-22;Lc 21:20-24, acabam caindo em uma situação constrangedora. E por que? Simples. Ap 7:9-17 afirma que judeus e gentios crentes participariam da grande tribulação; enquanto que os preteristas, ao dizerem que Mt 24:15-22;Lc 21:20-24 [que é um evento biblicamente relacionado a judeus crentes] é o mesmo evento de Ap 7:9-17, não só violam o 9º mandamento, e blasfemam contra nosso Senhor Jesus Cristo, fazendo-o se contradizer, mas também agem de forma semelhante [não igual] aos membros de seitas falsas. Considere comigo alguns exemplos:
(a)Os testemunhas de jeová
Essa seita falsa divide a classe de 'crentes' em duas - os 144.000[o pequeno rebanho] e a 'grande multidão'. O primeiro grupo, é composto de 144.000 ungidos, que tem direito exclusivo a participarem na ceia, são nascidos de novo e vão para o céu, e tem o poder de purificar as pessoas do pecado e da imperfeição. Segundo os russelitas apenas os 144.000 tem Jesus como Mediador.
- Com relação ao grupo da grande multidão, não precisam de justificação pela fé e da imputação da justiça
(b)Os Israelitas Britânicos
Ligados ao precursor do pentecostalismo, Charles Fox Parham, eles criam que as bençãos do milênio estavam asseguradas aos que possuíam sangue britânico nas veias.
A pergunta a se fazer é: Se João disse que a Grande Tribulação foi direcionada a judeus e gentios crentes, de onde tiraram os preteristas a idéia de que ela foi direcionada apenas a uma parte da Igreja - os judeus, como no caso de Mt 24:15-22;Lc 21:20-24? Não faz nenhum sentido. Logo, entendemos que Mt 24:15-22;Lc 21:20-24 não tratam da mesma 'grande tribulação' de Ap 7:9-17, mas de um evento totalmente distinto dela.
(16)Os Preteristas Parciais ensinam que o Livro de Apocalípse foi escrito antes de 70 d.C:
"Neste tópico vou anlisar algumas evidências internas que provam que o livro de Apocalípse foi escrito antes do ano 70 d.C"(Comentário Preterista da Bíblia, p.17)
"Este versículo é a prova de que o Apocalípse foi escrito antes da queda do templo de Jerusalém no ano 70 d.C"(Comentário Preterista da Bíblia, p.246)
Ireneu(130-200), discípulo de Policarpo, e este, discípulo do apóstolo João(Contra Heresias, III; 3:4), desfaz este delírio preterista parcial, aludindo a data do Apocalípse, diz:
"Essa visão não ocorreu há muito tempo, mas quase que em nossos dias, perto do fim do reinado de Domiciano"(Contra Heresias, V; 30:3)
Certamente, se existisse alguém com autoridade ou gabarito, para falar da data do livro de Apocalípse, escrito por João, seria Ireneu, que foi discípulo de Policarpo, e este, de João. Ninguém estaria mais autorizado a falar desse assunto, do que ele.
Domiciano reinou até 95 d.C.
Essa é a opinião da grande maioria dos eruditos e comentaristas das Escrituras, sob a data da escrita do Apocalipse. Por exemplo, a "Bíblia de Estudo de Genebra" da IPB, diz:
"Embora os dados disponíveis não sejam conclusivos, a maioria dos especialistas crê que o peso da evidência favorece uma data ao redor de 95 d.C. Isso concorda com as indicações dos pais da Igreja do século II"(p.1719)
A "Enciclopédia da Bíblia"(Volume 1), publicada pela Cultura Cristã, da IPB, diz:
"O conceito tradiciona atribui Apocalípse ao reinado de Domiciano, com base no testemunho de Ireneu[Contra Heresias, V; 30:3; veja também Eusébio, 'História Eclesiástica', III:18; iv:8], Clemente de Alexandria estava de acordo comn essa posição[Quis Dives, 42], e Vitorino, em seu 'Comentário do Apocalípse' a confirma[17:10]. A data tradicional é provavelmente a melhor opção"p.364)
O Dr. John Davis, teólogo presbiteriano, em seu "Novo Dicionário da Bíblia", diz, com relação a isso:
"A opinião tradicional, pela voz de Ireneu, d.C 175-200, diz que o Apocalípse foi escrito no fim do reinado de Domiciano, ano 96. Existem provas mais abundantes dando a prisão do apóstolo na ilha de Patmos, ordenada por Domiciano e seu regresso a Éfeso depois da morte desse tirano. Não se deve supor que um testemunho tão unânime e pormenorizado quanto o que a tradição fornece não seja digno de fé. As condições em que se achavam as sete igrejas, igualmente, se acomodam mais com a segunda data do que com a primeira[68 d.C]. O estilo não exige que o Apocalípse precedesse a data do Evangelho nem as razões em favor da primeira data[68 d.C] satisfazem aos que acreditam na inspiração do livro"(p.95)
Há outras opiniões, desde patrísticas, até de comentaristas das Escrituras, todas apontando para a data do do Apocalípse, para o fim do reinado de Domiciano:
(i)Hipólito de Roma[+ 235 d.C], diz:
“João, novamente, na Ásia, foi exilado pelo rei Domiciano para a ilha de Patmos, onde também escreveu seu Evangelho e teve a visão apocalíptica; e no tempo de Trajano, adormeceu em Éfeso, onde seus restos mortais foram procurados, mas não puderam ser encontrados”(Sobre os Doze Apóstolos, Onde Cada Um Deles Pregou e Onde Encontrou Seu Fim 3)
(ii)Eusébio de Cesareia[260-340], diz:
“Domiciano, tendo demonstrado grande crueldade para com muitos, e tendo injustamente executado um grande número de homens nobres e notáveis em Roma, e tendo exilado e confiscado sem motivo os bens de muitos outros homens ilustres, tornou-se finalmente um sucessor de Nero em seu ódio e inimizade para com Deus. Ele foi, de fato, o segundo a incitar uma perseguição contra nós, embora seu pai, Vespasiano, não tivesse feito nada prejudicial a nós. Diz-se que, nessa perseguição, o apóstolo e evangelista João, que ainda estava vivo, foi condenado a habitar na ilha de Patmos em consequência de seu testemunho da palavra divina”(História Eclesiástica III; 17:1; 18:1)
(iii)Jerônimo[342-420], diz:
“No décimo quarto ano, depois de Nero, Domiciano instaurou uma segunda perseguição, João foi exilado para a ilha de Patmos e escreveu o Apocalipse, sobre o qual Justino Mártir e Irineu posteriormente escreveram comentários”(Vidas de Homens Ilustres 9)
(iv)Sofrônio[560-638], diz:
“Agora, no décimo quarto ano de seu reinado, o imperador Domiciano iniciou a segunda grande perseguição aos cristãos (a perseguição de Nero foi a primeira). João foi exilado para a ilha de Patmos e lá escreveu o Apocalipse, posteriormente traduzido por Justino Mártir e Irineu”(A Vida do Evangelista João)
Além dos escritores pós-apostólicos, vários comentaristas negam que Apocalípse tenha sido escrito em 70 d..C ou antes dele, mas sempre no fim do reinado de Domiciano:
“Os principais períodos de perseguição oficial ocorreram na década de 60 d.C., sob o imperador Nero, e na década de 90 d.C, durante o reinado do imperador Domiciano. Este último período coincidiu com a revelação que o escritor João registrou neste livro”(Donald C. Fleming, Introdução do Apocalípse)
“Isso, por consenso quase unânime dos primeiros escritores da Igreja, é atribuído ao final do reinado do Imperador Domiciano, por volta de 96 d.C., na época da chamada ‘Segunda Perseguição Geral’ dos ‘Cristãos’”(Ethelbert William Bullinger (1837-1913), Introdução do Apocalípse)
“A perseguição de Nero foi local; ele nunca exilou ninguém em Patmos. A perseguição de Nero, embora muito amarga, tendo Paulo e Pedro morrido nela, limitou-se a Roma ou às regiões próximas da Itália. Essa perseguição que colocou João em posição de escrever este livro é uma perseguição mundial que alcança os confins do reino de Deus. Portanto, quando me pedem para precisar a data, tenho plena confiança em afirmar que foi escrito em 95 ou 96 d.C., perto do fim do reinado de Domiciano, tendo João sido exilado para a ilha de Patmos, onde trabalhava nas minas – banido de Éfeso, onde a perseguição o alcançou. Essa é a data”(Benajah Harvey Carroll[1843-1914], Ministro Batista ‘Introdução’ do Apocalípse)
“No ano 96, São João foi exilado para a ilha de Patmos por Domiciano, onde recebeu de Jesus Cristo e escreveu o Apocalipse”(Thomas Coke[1747-1814], Ministro Metodista, Introdução de Apocalípse)
“Com relação ao livro do Apocalipse, a tradição da Igreja primitiva nos diz que ele foi escrito pelo apóstolo João no final do primeiro século”(Gary H. Everett. Ministro Batista, ‘Introdução do Apocalípse’)
“Recentemente, alguns críticos adotaram a data mais recente, o ano 96 d.C., que é a visão tradicional desde o início. Ireneu, amigo de Policarpo, que conhecia João, afirmou por volta do ano 180 que ‘o Apocalipse foi visto em Patmos no final do reinado de Domiciano’. Domiciano reinou de 81 a 96 d.C. Clemente de Alexandria deixou o testemunho de que João retornou do exílio para a ilha de Patmos após a morte do imperador, que era o imperador Domiciano, no ano 96. Esta é a data correta”(Arno C. Gaebelein [1861-1945], Ministro Metodista, Introdução ao Apocalípse)
“Mas a opinião mais aceita é que ele teve essa visão lá, no final do reinado de Domiciano, por quem foi banido, por volta do ano 95 ou 96”(John Gill[1697-1771], Ministro Batista, Introdução de Apocalípse)
“Os cinco livros escritos pelo apóstolo João foram todos publicados posteriormente a quaisquer outros escritos das Escrituras, sendo seu evangelho considerado como tendo sido escrito por volta de 85 d.C., suas três epístolas por volta de 90 d.C. e o Apocalipse por volta de 95 d.C”(Leslie M. Grant[1917-2011], Introdução ao Apocalípse)
“Que João, o amado Apóstolo, foi o Escritor sob a inspiração de Deus, e que o lugar onde essas revelações lhe foram feitas foi Patmos, no Mar Mediterrâneo, para onde foi exilado por testemunhar de Jesus Cristo, por volta do ano 94 de Nosso Senhor Deus; essas são verdades tão amplamente aceitas e confirmadas que não necessitam de comprovação adicional para serem observadas”(Robert Hawker[1753-1827], Ministro Anglicano, Introdução ao Apocalípse)
“O exílio de João provavelmente ocorreu durante o reinado do imperador Domiciano, e o livro foi escrito na década de 90 do primeiro século”(Paul E Kretzmann, Ministro Luterano, ‘Introdução ao Apocalípse’).
“Sob Domiciano, por outro lado, juntamente com a execução de cristãos, encontramos exemplos de seu exílio político. Esse fato, por si só, situa a Escritura que estamos examinando, que manifestamente se originou com base no exílio do apóstolo para Patmos, na época de Domiciano”(Johann P. Lange[1802-1884], Teólogo Calvinista, ‘Introdução ao Apocalípse’)
“As revelações do futuro que ele contém foram dadas ao amado Apóstolo na ilha de Patmos, para onde ele havia sido exilado pelo Imperador Domiciano, em 94 ou 95 d.C”(Frederick B. Meyer[1847-1929], Ministro Batista, ‘Introdução de Apocalípse’).
“Este livro é intitulado Apocalipse ou Revelação (isto é, a revelação ou desvelamento daquilo que estava oculto), por consistir principalmente em assuntos proféticos, que foram revelados a João por nosso Senhor Jesus Cristo. Isso ocorreu quando ele estava na ilha de Patmos, no Mar Egeu, para onde foi banido, como geralmente se supõe, pelo imperador Domiciano, em 94 ou 95 d.C”(Joseph Parker[1830-1902], Ministro Congregacinal, ‘Introdução ao Apocalípse’).
“Diante desses fatos, parece melhor manter a data tradicional, sugerida inicialmente por Irineu, para o livro em sua forma final, ou seja, em algum momento entre 80 e 96 d.C”(Arthur Samuel Peake[1865-1929], ‘Introdução ao Apocalípse’).
“Quanto à época em que o escreveu, ele mesmo nos diz, em Ap 1:9, que recebeu esta Revelação de Deus, enquanto estava em Patmos, para a palavra de Deus e para o testemunho de Jesus Cristo; isto foi (se pudermos acreditar na história, e não temos mais nada que nos informe) na época de Domiciano, o imperador romano, por volta do 94º ou 95º ano após o nascimento de Cristo; portanto, este livro apresenta uma prescrição de quase mil e seiscentos anos, durante os quais muito poucos questionaram sua autoridade divina”(Matthew Poole[1624-1679], Ministro Congregacional, ‘Introdução ao Apoicalíse’).
“Data: 96 d.C”(Cyrus Ingerson Scofield[1843-1921], 'Introdução a Apocalípse')
“De acordo com Ap 1:9, João estava na ilha de Patmos, a 80 quilômetros da costa da Ásia Menor (atual Turquia). Foi lá que ele escreveu o Apocalipse de Jesus Cristo por volta de 95 d.C., por ordem de Deus”(Charles H. Spurgeon[1834-1892], Ministro Batista, 'Introdução ao Apocalípse’)
“Esse escritor autêntico afirma o que então era muito conhecido: que o Apocalipse foi visto em visão por João, um pouco antes de seu tempo, no final do reinado de Domiciano”(Joseph Sutcliff[1762-1856], Ministro Metodista, ‘Introdução a Apocalípse’).
"Temos uma tradição primitiva constante e inabalável de que o exílio de São João ocorreu e o Apocalipse foi escrito perto do fim do reinado de Domiciano"(Henry Alford[1810-1871], Ministro Anglicano, Introdução de Apocalípse).
"Esta discussão poderia ser continuada, e é importante para qualquer interpretação correta que a data seja claramente definida, mas creio que já foi dito o suficiente para demonstrar que todos os fatos apontam para 'perto do fim do reinado de Domiciano, ou por volta do ano 96 d.C'"(Barton Warren Johnson[1833-1894], Introdução ao Apocalípse)
"Isso fica evidente pelo fato de ele se contentar com apenas uma breve indicação e silenciar completamente sobre a perseguição de Domiciano e o exílio do apóstolo em Patmos, ocasião que deu origem à composição do Apocalipse nas circunstâncias da época — confiante de que seus primeiros leitores prontamente acrescentariam tudo isso por si mesmos"(Ernst W. Hengstenberg[1802-1869], Ministro Luterano, Introdução de Apocalípse).
"A visão tradicional é que a data do livro é 96 d.C. Isso está correto"(Henry A. Ironside[1876-1951], Ministro dos Irmãos de Plymouth, Introdução a Apocalípse)
"A data tradicional situa-se durante o reinado de Domiciano[81-96 d.C], pois coincide com as evidências internas de perseguição"(Robert Utley, Introdução a Apocalípse)
"Foi escrito em grego para as igrejas da Ásia Menor, sob o reinado de Domiciano, por volta do ano 96 ou 97, muito tempo depois da destruição de Jerusalém, quando São João foi exilado para a ilha de Patmos, no Mar Egeu"(George L. Haydock[1774-1849], Sacerdote Católico Romano,'Introdução a Apocalípse')
É interessante esse comentário acima[George L. Haydock], pois se trata de um comentarista que defende pontos de vistas do preterismo parcial, e, que, portanto, nega que o papa de Roma seja o Antciristo e a Igreja Romana a grande prostitua, mas sendo honesto, reconhece que Apocalípse não foi escrito nem em 70 d.C, nem antes desse ano, mas entre os anos 96-97, portanto dentro da década de 90, do 1º século da era cristã
Assim, cada argumento do preterismo parcial, vai caindo por terra.
Oremos para que nossos irmãos que adotam a visão preterista, a abandonem!

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