quarta-feira, 15 de julho de 2026

Providencialismo, Heresia Condenada nas Escrituras e na História!

Providencialismo é uma heresia que tem sido difundida no meio reformado, ensinando que mesmo após o fechamento do Canon, Deus pode dar uma revelação especial ao seu povo, mas essa revelação não é infalível, e, portanto, não é canônica. Isso contraria Mt 4:4 e Lc 4:4, que diz que "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus"(Mt 4:4 ACF), e o verbo grego "ζάω"(zaō), aqui traduzido por "viverá", de acordo com o "Thayer's Greek-English Lexicon of the New Testament", aqui nesse texto específico, significa literalmente "continuar a viver, a ser mantido vivo"(p.270). Como é que o cristão pode continuar a viver espiritualmente por uma palavra que sai da boca de Deus, sem essa palavra ser infalível? Porventura, pode sair da boca de Deus alguma palavra que não seja infalível? A Bíblia diz que não!(Pv 8:8). Portanto, todo providencialista que afirma que Deus envia alguma revelação especial a alguém, após o fechamento do Canon, está afirmando, direta, indiretamente, implícita ou explicitamente, que Deus está trazendo sim uma palavra inspirada, portanto, canônica, e nesse sentido, uma nova revelação ao seu povo, o que negaria a doutrina bíblico do cessacionismo absoluto ensinado por Marcos(Mc 16:17-20), por Paulo(1 Co 13:8-13; 2 Tm 3:15-17) e por Jesus(Ap 22:18-19). Essa é uma camisa de força, da qual nenhum providencialista pode sair ou escapar, pois fica claro que ele está, [a rigor dos católicos romanos, anabatistas, mórmons, adventistas, membros da Igreja da Unificação, nulçumanos, meninos de deus, uncistas pentecostais] negando da doutrina da Reforma Protestante da 'Sola Scriptura'[Suficiência das Escrituras]. (1)O Cessacionismo absoluto é ensinado em Mc 16:17-20! O grande erro dos carismáticos é ignorar textos como Mc 16:17-20, onde o contexto deixa bem claro que todos aqueles dons miraculosos ou revelacionais do Espirito Santo, foram prometidos para serem concedidos, não a toda Igreja em todos os séculos, mas apenas a igreja apostólica, no século I. Uma vez já dissecado 1 Co 13:8-13, deveríamos ir para Mc 16:17-20.Se observarmos o texto, entenderemos realmente que estes sinais seriam dados, como credenciais do ministério dos apóstolos, para confirmar a sua pregação, o que ocorreu após a ascensão do Senhor Jesus, depois do estabelecimento da Igreja em Jerusalém(vv,17,28 comp. com o v.20).

O contexto não mostra que esses dons permaneceriam após a morte dos apóstolos. Por exemplo nesse caso do verbo grego λαλήσουσιν (lalēsousin), traduzido aqui por “falarão”, que está em seu aoristo, no tempo futuro, e não expressa uma ação contínua mas uma ação pontual, pois ele prediz um acontecimento que se esperaria no futuro(após a ascensão de nosso Senhor), e gramaticalmente não indica algo contínuo, e nesse sentido representa que essa ação miraculosa do Espírito Santo não poderia mais ser repetida por aqueles que foram instrumentos dela uma vez, muito menos permaneceria após a morte dos apóstolos. Logo, o dom de línguas se restringiu apenas àquela época.

Aliás, comentaristas das Escrituras tem entendido assim esta passagem:

Os milagres foram prometidos apenas por um tempo, a fim de dar brilho ao evangelho, enquanto era novo e em um estado de obscuridade”(João Calvino [1509-1564], Comentário de Mc 16:17)

Apesar dos poderes miraculosos não serem mais necessários, porque a verdade do Evangelho foi suficientemente confirmada, no entanto, esta cooperação de Deus é indispensavelmente necessária, sem a qual ninguém pode ser um pregador de sucesso; e sem que nenhuma alma pode ser salva"(Adam Clark [1760-1832], Ministro Metodista, Comentários de Mc 16:20)

"Neste aparece a razão para os 'sinais' que Jesus prometeu 'seguir' os apóstolos em sua missão no mundo; eles foram dados com a finalidade de confirmar a Palavra de Deus. Apenas o que, talvez, ele perguntou, poderia ser o objetivo de qualquer um desses sinais em nossa geração? Será que a Palavra de Deus precisa de confirmação? E como é que as seitas religiosas que afirmam operar esses sinais sejam tão contraditórias como um barril de escorpiões? Alguém pode realmente crer que Deus está 'trabalhando com eles', confirmando cada tipo de erro religioso já conhecido? Creio que pode!"!(James Burton Coffman[1905-2006], Comentários de Mc 16:20)

"Eles foram limitados à dispensação abrangida pelos atos dos apóstolos"(E. W. Bullinger[1837-1913], Ministro Anglicano, Comentários de Mc 16:17)

"A época dos milagres, sem dúvida, há muito que passou. O seu propósito não era continuar, após o estabelecimento inicial da Igreja. Somente quando as plantas são recém plantadas é que precisam ser regadas e cuidadas diariamente. A totalidade da analogia do relacionamento de Deus com a sua Igreja proibe-nos esperar que milagres prossigam para sempre. De fato, os milagres deixaram de ser milagres, se ocorressem regularmente, sem cessação ou intermissão. Fazemos bem em lembramos isso. Tal recordação pode poupar-nos de muitas perplexidades"(J. C. Ryle[1816-1900], Ministro Anglicano, Comentário de Mc 16:15-18)

"Quando o cristianismo foi firmemente plantado, o dom de milagres foi retirado"(Um Comentário da Bíblia Sagrada: John Dummelow, Ministro Anglicano [E mais 40 Estudiosos Americanos da Biblia], Comentário de Mc 16:17)

(2)O Cessacionismo absoluto é ensinado em 1 Co 13:8-13! A interpretação de 1 Co 13:8-13

Portanto, no dizer de Paulo, baseado sob as Escrituras, o cristão é considerado espiritualmente falando, em matéria de fé e prática, irrepreensível, alguém que atingiu o mais alto grau numa escala de valores espirituais, alguém que atingiu um conceito ou padrão espiritual ideal.

Estudar 1 Co 13:8 a luz do texto original, seria relevante aqui. Cremos que 1 Co 13:8-13 serve como parâmetro geral, para discussão desse tema e seu elucidamento. Nesse texto, Paulo mostra que estes dons revelacionais seriam, respectivamente, aniquilados, cessados e desaparecidos:

"O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá"(1 Co 13:8)

E como ocorre tal processo? Paulo explica, fazendo uma analogia:

Primeiro, ele explica que estes dons importam no conhecimento parcial e na revelação parcial:

"Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos"(1 Co 13:9).

É preciso entender 1 Co 13:8-9, porque esse texto explica e define a questão. Primeiro, ele fala que esses dons revelacionais seriam extintos('cessarão', 'aniquiladas', 'desaparecerá'). Depois ele explica o porque esses dons revelacionais seriam extintos - simplesmente porque não passavam de revelação parcial de Deus:

"Porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos"(1 Co 13:9).

Evidentemente, Paulo está aqui (1 Co 13:9) claramente afirmando que estes dons ('línguas', 'ciência' ['conhecimento' concedido de uma maneira divina'], e 'profecias') constituíam a revelação parcial de Deus. O 'porque' aqui, é uma explicação do verso 8.

Depois diz que quando viesse o que é perfeito, aquilo que era 'parcial' seria aniquilado. O que era 'parcial'? Esse conhecimento [junto com línguas] e profecia. E esse conhecimento e revelação parcial do v.9, correspondem a uma continuação do assunto do v.8, onde se menciona 'línguas', 'profecias', 'ciência'

E por que a necessidade destes dons cessarem? Paulo explica:

Porque estes dons revelacionais faziam parte da infância da Igreja, e que seriam abandonados após a Igreja chegar a idade espiritual adulta(v.11 comp. com Ef 2:20)
Quando a igreja foi fundada, os dons serviram como autenticação da promessa do Senhor e credencial do ministério dos apóstolos(Mc 16:17-18,20; 2 Co 12:12)

Portanto, não há necessidade destes dons continuarem após a morte dos apóstolos.

Hoje temos apóstolos vivos? Não, não temos. Portanto, não há necessidade destes dons continuarem após a morte dos apóstolos.

Paulo afirma que esse tipo de revelação parcial(línguas; profecias; ciências) era uma imagem não muita plena das coisas espirituais e que não passavam de conhecimento parcial de Deus(1 Co 13:12)

E qual é a certeza de que 'aquilo que é perfeito'(1 Co 13:10) se trata das Escrituras completadas no fechamento do cânon do NT? É simples. Primeiro, o contexto do verso, que liga 'linguas', 'profecias' e 'ciência' a conhecimento parcial de Deus e a infância da Igreja(1 Co 13:8-11); Segundo, o sentido da palavra no texto grego original, concorda com a definição que os léxicos gregos dão de "τέλειος"(teleios)(palavra que aparece em Tg 1:25 como referência às Escrituras), que aparece em 1 Co 13:10, favorece às Escrituras como sendo esse "perfeito" do verso:

"Maioridade, isto é,. no conhecimento, etc[1 Co 13:10; comp. com o v.11]"(Samuel Thomas Bloomfield, A Greek and English Lexicon to The New Testament:, p.435)

"Completo, perfeito[Tg 1:4,25. 1 Jo 4:18. 1 Co 13:10]"(J. W. Hickie, Greek-English Lexicon to The New Testament, p.191)

"Completo, inteiro, em oposição ao que é parcial e limitado[1 Co 13:10]; perfeito, consumado[Rm 12:2; Tg 1:17,25]"(Charles F. Hudson, A Critical Greek and English Concordance of the New Testamen, p.186)

"Completo, perfeito"(1 Co 13:10; Tg 1:4,17,25; 1 Jo 4:18"(John Parkust, A Greek and English Lexicon to The New Testament, p.747)

"Perfeito, completo, universal[1 Co 13:10]"(J. Bass; A Greek and English Manual Lexicon to The New Testament, p.220)

"Idade completa, isto é, no conhecimento[1 Co 13:10]"(Charles Robson, A Greek Lexicon to The New Testament p.457)

"Completo, inteiro, em oposição ao que é parcial e limitado[1 Co 13:10]"(Samuel Bagster, The Analytical Greek Lexicon: Consisting of an Alphabetical Arrangement of Every Occurring Inflexion of Every Word Contained in The Greek New Testament Scriptures, p.400)

"Perfeito, de maior idade[1 Co 13:10]"(Theodore Jones, A Lexicon of New Testament Greek, p.102)

"O que é completo, o que é perfeito, em matéria de conhecimento da verdade[1 Co 13:10]"(Edward Robinson, Léxico Grego do Novo Testamento, p.898)

"Completo, inteiro, em contraste com o que é parcial e limitado[1 Co 13:10]"(William D; Mounce, Léxico Analítico do Novo Testamento Grego, p.589)

"Completo, inteiro, em oposição ao que é parcial e limitado[1 Co 13:10]"(Harold K. Moulton, Léxico Grego Analítico, p.413)

"A revelação completa da vontade e dos caminhos de Deus[1 Co 13:10]"(The New Strong’s Expanded of Bible Words, p.1408)

Nesse sentido, o entendimento dos lexicógrafos é que o apóstolo está constrastando uma revelação parcial e incompleta de Deus('linguas', 'profecias', 'ciência') com a revelação completa de Deus, que só é definida no NT como a completude das Escrituras(2 Tm 3:15-17; Ap 22:18-19). De formas que, uma tradução literal de 1 Co 13:10, seria assim:

"Mas, quando vier o que é completo em matéria de conhecimento da verdade, então o que o é em parte será aniquilado"

"Mas, quando vier o que é inteiro, então o que o é em parte será aniquilado"

"Mas, quando vier o que é completo, então o que o é em parte será aniquilado"

"Mas, quando vier a maioridade, então o que o é em parte será aniquilado"

"Mas, quando vier a idade completa, então o que o é em parte será aniquilado"

Outra coisa, o texto não menciona Jesus Cristo em lugar algum no texto grego original de 1 Co 13:10. Não aparecem nada ali sobre Jesus Cristo, e temos palavra gregas para Jesus Cristo - 'Ἰησοῦ Χριστοῦ'(iēsous christos), como em Mc 1:1.

Segundo, se os dons miraculosos do Espírito eram revelações incompletas e parciais do conhecimento de Deus(1 Co 13:9), fica claro, que estas revelações incompletas seriam substituídas por uma revelação completa do conhecimento de Deus, através das Escrituras(1 Co 13:11 comp. com 2 Tm 3:15-17; Ap 22:18-19).

Ao mesmo tempo que Paulo menciona que a revelação parcial de Deus(línguas; profecias, ciência) seriam retirados da esfera espiritual da Igreja, ele mostra que três coisas permaneceriam após essa retirada - fé; esperança e amor.

Após a vinda de Cristo, haverá necessidade de fé e esperança? Não, pois o objeto de nossa fê e esperança estará conosco, que é Cristo(Tt 2:13).

Nesse caso, só uma coisa permanecera depois da vinda de Cristo - o amor; porque nós vamos amá-lo por toda a eternidade.

Não é por mera coincidência que o adjetivo grego “τέλειος”(teleios) que aparece aqui em 1 Co 13:10, seja o mesmo que aparece em Tg 1:5, com relação as Escrituras, e que, segundo o ‘The New Strong’s Expanded of Bible Words’, significa literalmente “acabado; não querendo nada necessário para completude, perfeito”(p.1408), significando em 1 Co 13:10 “a revelação completa da vontade e dos caminhos de Deus”(Ibidem)

Quanto a Ef 2:20, o texto menciona a fundação da Igreja em Jerusalém e em outras cidades, isto é, seu estabelecimento em Pentecostes, externamente evidenciado por dons de línguas e profecia(At 2:1-4,30-36; 8:6-7; 10:44-48; 11:15-18; 19:1-7). Aqui temos menção da ‘infância’ espiritual da Igreja, quando ela era alimentada da revelação parcial de Deus, através de dons miraculosos do Espírito(1 Co 13:8-11), enquanto que na maioridade da Igreja, ela deixa as coisas de criança(as revelações parciais do conhecimento de Deus) e passa a ser adulta(a ser homem), recebendo a totalidade da revelação de Deus, com a completude e fechamento do Canon(2 Tm 3:15-17 comp. Com Ap 22:18-19), de formas a não necessitar de nenhuma outra revelação além daquela registrada em sua Palavra, dada a natureza de sua suficiência:

“Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro”(Ap 22:18).

Não faz nenhum sentido, os continuístas, falsamente se apresentarem como possuidores das credenciais do apostolado, que são os dons do Espírito, restritos ao ministério dos apóstolos(Mc 16:17-18,20), a menos que eles [acidentalmente ou propositalmente] peguem em cobras e bebam algo mortífero, sem sofrerem “dano algum”(Mc 16:18). Aguardando aqui alguma notícia de algum continuista que acidentalmente ou propositalmente] pegaram em cobras e bebam algo mortífero, sem sofrerem “dano algum”. Primeiro de Abril ainda tá longe, né?

É fato - “νόμος”[lei] no texto grego de Tg 1:25(‘εἰς νόμον τέλειον’)é uma referência a Palavra de Deus.

Se procurarmos uma definição lexical do substantivo grego “νόμος”, de Tg 1:25, não vamos encontrar nenhuma definição que diste de ‘Palavra de Deus’, ‘Escrituras’.

O ‘Thayer’s Greek-English Lexicon of the New Testament’ se refere literalmente à “νόμος” em Tg 1:25 como instrução moral dada por Cristo"(p.428).

Em que seriam baseadas as instruições de Cristo, senão nas Escrituras?(Mt 5:17; Jo 1:45; 3:14; 5:39,46; Tg 1:25-27)

G. Kittel e G. Friedrich, em seu “Dicionário Teológico do Novo Testamento”(Volume 1), aludindo a “νόμος” em Tg 1:25, diz: “Em 1:25, a lei perfeita da liberdade é quase a mesma coisa que a palavra em nós implantada no v.21. Ela é o evangelho em sua aplicação à vida, uma lei; porém em contraste com a lei legalista, é uma lei de liberdade”(p.725). O que é o Evangelho de Jesus Cristo, senão a exposição das Escrituras?(Mc 1:1-2)

Edward Robinson reza a expressão ‘ὁ νόμον τέλειον’ por “a lei mais perfeita, expressão usada para a dispensação cristã, em contraste com a lei de Moisés”(p.697). Robinson está aqui textualmente dizendo que ‘a lei mais perfeita’ é o Novo Testamento.

William D. Mounce reza “νόμος” por “uma regra de vida e conduta[Gl 6:2; Tg 1:25]”(Léxico Analítico do Novo Testamento Grego, p. 430). O que é a ‘regra de vida e conduta’, exceto as Escrituras?(Sl 119:4-6,24,30,42,67,71,96-100,104,130).

James Strong reza “νόμος” por “a lei da liberdade[Tg 1:25], um termo abrangente que se refere a todas as Escrituras”(The New Strong’s Expanded Dictionary of Bible Words, p.1255).

Harold K. Moulton reza “νόμος” por “regra de vida e conduta”[Gl 6:2; Tg 1:25]”(Léxico Grego Analítico, p.290).

2.1. A opinião dos comentaristas das Escrituras não parece discordar dos lexicógrafos:

“Além disso, visto que é uma bênção do Antigo Testamento que a lei de Deus nos reforma, como aparece em Jr 31:33 e outras passagens, segue-se que não pode ser obtida até que venhamos a Cristo”(João Calvino[1509-1564], Com de Tg 1:25)

A lei da liberdade deve significar o Evangelho; é uma lei, pois impõe obrigações de Deus e prescreve uma regra de vida; e pune os transgressores e recompensa os obedientes. É, no entanto, uma lei que dá liberdade da culpa, poder, domínio e influência do pecado; e é perfeita, proporcionando plenitude de salvação para a alma: e pode ser chamado de perfeito aqui, em oposição à lei, que era um sistema de tipos e representações de que o Evangelho é a soma e a substância. Alguns pensam que a palavra τελειον, perfeito, é adicionada aqui para significar que todo o Evangelho deve ser considerado e recebido, não uma parte; todas as suas ameaças com suas promessas, todos os seus preceitos com seus privilégios”(Adam Clark[1760-1832], Ministro Metodista, Com de Tg 1:25)

“A lei perfeita da liberdade - Referindo-se à lei de Deus ou à sua vontade, como quer que seja conhecida, como o padrão correto de conduta. É chamada de lei perfeita, por ser totalmente livre de todos os defeitos; sendo apenas como uma lei deve ser[Comp. com o Sl 19:7]. É chamada de lei da liberdade, ou liberdade porque é uma lei que produz liberdade da servidão das paixões e concupiscências pecaminosas[Comp. Com o Sl 119:45; Notas, Rm 6:16-18]”(Albert Barnes[1798-1870], Ministro Presbiteriano, Com de Tg 1:25)

E o que é essa lei maravilhosa? Não hesito em responder: é o evangelho ... o evangelho é uma lei; ninguém se assuste”(John Coffman[1848-1899] Ministro Menonita, Com de Tg 1:25)

“Com o que se entende, não a lei moral, mas o Evangelho; pois somente disso está o apóstolo falando no contexto: esta não é outra senão a palavra da verdade, com a qual Deus gera os homens por sua própria vontade; e é a palavra enxertada que é capaz de salvar, e da qual os homens devem ser praticantes, bem como ouvintes[Tg 1:18], e isso é comparado a um copo pelo apóstolo Paulo[2 Co 3:18] , e a palavra aqui usada para examiná-lo é a mesma palavra que o apóstolo Pedro usa para os anjos, que desejavam examinar os mistérios do Evangelho[1 Pe 1:12]; todos os que servem para fortalecer esse sentido; agora o Evangelho é chamado de lei; não que seja uma lei, estritamente falando, consistindo em preceitos, e estabelecida e executada por penalidades de sanções; pois é uma declaração de justiça e salvação por Cristo; uma publicação de paz e perdão por ele; e uma promessa gratuita de vida eterna, por meio dEle; mas como é uma instrução, ou doutrina: a lei com os judeus é chamada תורה, porque é ensinante e instrutiva; e tudo o que é assim é por eles chamado por este nome: daí encontramos a doutrina do Messias, que não é outra senão o Evangelho, está no Antigo Testamento chamada a lei do Senhor, e sua lei[Is 2:2] e no Novo Testamento é chamada de lei, ou doutrina da fé[Rm 3:27] e esta doutrina é perfeita, como no Sl 19:7, sendo um plano perfeito da verdade, contendo em si toda a verdade, como está em Jesus, até mesmo todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento; e porque é uma revelação de coisas perfeitas; da perfeita justiça de Cristo, e da justificação perfeita por ela, e do perdão total e gratuito dos pecados por meio dele, e da salvação completa por ele; e porque se dirige a Cristo, em quem a perfeição está: e é uma lei ou doutrina da liberdade; τον της ελευθηριας, ‘o que é se liberdade’; que tem como sujeito a liberdade, que trata dela, mesmo da liberdade com que Cristo torna o seu povo livre: o Evangelho anuncia esta liberdade às almas cativas; e é a palavra da verdade, que os torna livres, ou é o meio de libertá-los da escravidão do pecado, do cativeiro de Satanás e da escravidão da lei; e é o que dá às almas liberdade e ousadia no trono da graça; e é o que os conduz à liberdade da graça aqui, e lhes dá uma visão e esperança da gloriosa liberdade dos filhos de Deus no futuro. Essa doutrina é como um vidro para olhar; no qual é vista a glória da pessoa e ofício de Cristo, e graça; e embora pela lei esteja o conhecimento do pecado, ainda assim um homem nunca descobre tão plena e claramente o pecado que habita nele, e os enxames de corrupção que estão em seu coração, como quando a luz do glorioso Evangelho brilha nele, e quando nele ele contempla a beleza e glória de Jesus Cristo; Veja Is 6:5 e olhe para este espelho, ou para esta doutrina, é pela fé, e com os olhos do entendimento, abertos e iluminados pelo Espírito de Deus; e a palavra aqui usada significa olhar melancolicamente e atentamente, com grande cuidado e reflexão, e não de uma maneira leve e superficial; e tal olhar é planejado, visto que tem efeito; aquele que se transforma na mesma imagem que é vista, de glória em glória; e feliz é o homem que olha para isso”(John Gill[1697-1771], Ministro Batista Calvinista, Com de Tg 1:25)

“Lei perfeita da liberdade’ - a regra de vida do Evangelho, perfeita e aperfeiçoadora (conforme mostrado no Sermão da Montanha(Mt 5:48], e nos fazendo realmente andar em liberdade(Sl 119:32], versão do livro de orações da Igreja da Inglaterra)”(Robert Jamieson[1802-1880], Andrew Robert Fausset[1821-1910] e David Brown[1803-1897], Ministros Anglicanos, Com de Tg 1:25)

Tiago aqui se refere à palavra da verdade(Tg 1:18), o evangelho da graça(Gl 6:2; Rm 12:2)”(A. T. Robertson [1863-1934], Ministro Batista Calvinista, Com de Tg 1:25)

A lei perfeita da liberdade; o Evangelho; assim designado porque libera a alma da escravidão do pecado”(John C. Abbott[1805-1877] e James Abbott[1803-1879], Ministros da Igreja dos Irmãos de Plymouth, Com de Tg 1:25)

“E essa oposição é reforçada por καὶ παραμείνας, a lei perfeita que é [a lei] de nossa liberdade [cristã] τὸν νόμον τέλειον, não, o Evangelho em contraste com a lei, nem a aliança de fé como mais perfeita do que a da obediência legal: mas, a regra de vida conforme revelado no evangelho, que é perfeito e aperfeiçoador, mas não em contraste com a lei anterior como sendo não perfeito e incapaz de aperfeiçoar: essa distinção não está em vista aqui: veja abaixo. Toda a epístola é baseada nessa lei perfeita de Cristo, mais especialmente sobre a declaração dela contida no sermão da montanha: veja Prolegg. E que esta lei aqui se refere, o λόγος ἔμφυτος, λόγος ἀληθείας, como é uma regra de conduta, é evidente a partir do que se segue, onde os atos, e apenas eles, são falados. É a lei da nossa liberdade, não em contraste com uma antiga lei da escravidão, mas vista do lado de ser a lei da nova vida e nascimento, com todo o seu desenvolvimento espontâneo e livre de obediência”(Henry Alford[1810-1871], Ministro Anglicano e Perito em Grego, Com de Tg 1:25)

Ao chamar o evangelho de lei perfeita, São Tiago parece ter insinuado aos cristãos judeus que não havia necessidade deles acrescentarem a observação da lei de Moisés à da lei cristã; a lei cristã sendo perfeita por si mesma, e sem esse acréscimo: e chamando-a de lei da liberdade, ele parece também ter insinuado temporariamente que a lei cerimonial foi abolida com a vinda de Cristo, ou que a religião cristã os libertou de qualquer obrigação adicional para com essa lei. Mas essas eram verdades ingratas, contra as quais eram tão preconceituosos, que ele só poderia insinuá-las, a menos que tivesse uma inclinação de derrotar o fim de sua escrita a eles”(Thomas Coke[1747-1814], Ministro Metodista, Com de Tg 1:25)

“Por νόμος τέλειος ὁ τῆς ἐλευθερίας não se entende nem a lei do AT, nem lex naturalis (Schulthess), mas λόγος ηληθείας Tg 1:18), portanto, o evangelho, visto que ele coloca antes do cristão - por motivo de redenção a regra de sua vida”(Henrich Meyer[1800-1873], Ministro Luterano e Perigo em Grego, Com de Tg 1:25)

“’A lei perfeita da liberdade’; toda a doutrina da Escritura, ou especialmente o evangelho, chamado lei[Rm 3:27], tanto por ser uma regra, como por causa do poder que tem sobre o coração; e uma lei da liberdade, porque mostra o caminho para a melhor liberdade, a liberdade do pecado, a escravidão da lei cerimonial, o rigor da moral e da ira de Deus; e também a maneira de servir a Deus livre e puramente como filhos; e porque, sendo recebido no coração, é acompanhado com o Espírito de adoção que opera esta liberdade[2 Co 3:17]. É chamada de lei perfeita, não apenas por ser íntegra e sem qualquer defeito, mas como nos direcionando para a maior perfeição, plena conformidade com Deus e desfrute dele[2 Tm 3:16-17]”(Matthew Poole[1624-1679], Ministro Congregacional, Com de Tg 1:25)

A lei perfeita da liberdade; o evangelho, que dá verdadeira liberdade à alma e é uma regra de ação perfeita”(Justin Edwards[1787-1853], Ministro Congregacional, Com de Tg 1:25)

A lei à qual Tiago se referiu é a revelação da vontade de Deus contida nas Escrituras(cf. Mt 5:17). É perfeita porque é a vontade perfeita de um Deus perfeito”(Dr. Thomas Constable, Com de Tg 1:25)

“’A lei perfeita da liberdade’: correspondente ao vidro na metáfora, o mesmo que a palavra da verdade ou a palavra implantada, a saber, o Evangelho de Cristo”(Philip Schaff [1819-1893], Ministro Presbiteriano, Com de Tg 1:25)”

“A expressão implica muito pensamento e meditação, junto com o auto-exame: na lei perfeita - Ou seja, a do evangelho, denominado uma lei, como sendo uma regra de fé e prática, obrigatória para todos a quem é divulgado, absolvendo ou condenando os homens (pois por isso eles serão julgados no último dia) e determinando nosso estado para sempre: chamada de perfeita lei, primeiro, porque é clara, concisa, completa, sem deficiência, mas não contendo nada supérfluo”(Joseph Benson[1749-1821], Ministro Metodista, Com de Tg 1:25)

“’Perfeito’ – ‘tendo alcançado o seu fim, acabado’(Vine, p. 173). ‘levado ao seu fim, acabado, não faltando em nada o necessário à completude’(Thayer, p. 618); ‘tendo alcançado o fim ou propósito, completo"’(Arndt, p. 809). Em outros lugares a Palavra de Deus, a revelação do Novo Testamento é chamada de 'perfeita' (Rm 12: 2; 1 Co 13:10)... O Novo Testamento é chamado de lei porque contém mandamentos que devem ser obedecidos(Jo 14:15)” (Mark Dunagan, Ministro da Fifth Street Church of Christ in Beaverton, Oregon, EUA, Com de Tg 1:25)

“O ponto é que devemos olhar para a Palavra e fazer isso se quisermos ser abençoados. É óbvio no contexto que a lei da liberdade se relaciona de alguma forma com a própria Palavra”(Stanley Lewis Derickson, Ministro da Berean Church, EUA, Com de Tg 1:26)

Assim, se você, caro irmão, interpretou que o “τέλειος”(teleios) de 1 Co 13:10 e Tg 1:25 é a própria Palavra de Deus, você acertou. Parabéns pra você!

Da mesma forma, a leitura de 1 Co 13:12 também favorece o cessacionismo (Sola Scriptura), visto que sendo um comentário posterior do apóstolo sobre a sua afirmação nos vv,8-10, mostra que esses dons constituíuam uma visão implícita da revelação divina:

"Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face...".

Interessante, que a palavra grega que aqui aparece como sendo traduzida por "enigma" é a palavra αἰνίγματι(ainigmati), que segundo o Léxico Grego Inglês do Novo Testamento de J. H. Thayer significa literalmente "uma coisa obscura", mostrando que tais dons não representavam uma visão clara, completa e perfeita da revelação divina, e justamente por isso, seriam abolidos por algo que representaria uma visão explicita, completa e perfeita desta revelação('mas então veremos face a face'), que seria as Escrituras(2 Tm 3:15-17; Ap 22:18-19)

Quando então teremos uma visão totalmente perfeita da revelação de Deus? Na vinda de nosso Senhor? Positivamente não. Observe que Paulo continua, afirmando que essa visão parcial ou obscura da revelação de Deus seria abolida:

“Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face..."

Evidentemente, essa visão completa e perfeita da revelação de Deus, só viria mediante a totalidade das Escrituras(2 Tm 3:15-17), pois se ‘toda a Escritura’ consegue “ensinar”, “redarguir”, “corrigir”, “instruir”, e se o homem munido e alicerçado sobre ‘toda a Escritura’ se torna “perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”(2 Tm 3:17), qual é a necessidade que temos da existência e manutenção das antigas revelações parciais de Deus no passado(‘línguas,’, ‘profecias’, ‘sonhos’, ‘visões’, ‘ciência’)?

Justamente por isso, Paulo mostra que esses dons miraculosos do Espírito eram essas revelações parciais ou conhecimentos parciais de Deus:

“...agora conheço em parte, mas então conhecerei com o também sou conhecido”(1 Co 13:12).

As línguas, visões, sonhos e profecias no NT eram tidas como algo de natureza canônica, sendo considerado palavra de Deus, caía fresquinha do céu(At 2:4 comparar com At 2:11; At 21:11 [Comparar com com Dt 18:20-22]; Ap 1:19; Mt 1:20-24). Os modernos fenômenos de “línguas”, “profecias”, “sonhos”, “visões” são também de natureza canônica, e, portanto, são considerados “palavra de Deus”?

Só há duas respostas pra isso: “sim” e ‘não”. Se a resposta for “sim”, então temos um problema insolúvel para os continuístas, pois como o Canon do NT pode estar fechado e Deus ainda falar autoritativamente, canonicamente, a seu povo, por meio de “vasos”? Então Deus está mudando de natureza, porque se após Malaquias fechar o cânon do AT, Deus ficou 400 aos sem falar ao seu povo, como pode hoje, há quase dois mil anos ininterruptos ainda estar falando ao seu povo, se no caso do AT, segundo historiador judeu Flávio Josefo em seu livro "Contra Apion", o registro divino cessou 400 anos antes de Cristo com o livro de Malaquias? Os próprios apócrifos compartilham dessa opinião, pois um deles fala do "tempo em que os profetas cessaram de aparecer entre os judeus", e olha com esperança para o tempo em que "um profeta confiável viesse a aparecer". Lemos isto em 1 Mac 9:27; 14:41.

Pergunte para o continuísta/pentecostal, se ele acredita que 1 e 2 Macabeus, Tobias, Judite, Eclesiástico, Sabedoria e Baruque, escritos após o fechamento do Canon, com o livro de Malaquias, eram canônicos e se eles os aceitam como canônicos e Palavra de Deus. Eles respoderão: 'Não, porque foram escritos depois do fechamento do Canon'.

Nesse caso, pergunte ao mesmo continuísta/pentecostal, se ele crê que o Didaché, A Epistola de Clemente aos Romanos; as Sete Epístolas de Inácio (aos Efésios, Magnésios, Tralianos, Romanos, Filadelfienses, Esmirniotas e a Policarpo); as duas Epístolas de Policarpo aos Filipenses; o Martírio de Policarpo, Bispo de Esmirna, de Crescente; o 'Pastor', de Hermas; a Epístola de Barnabé e as Explicações das Sentenças do Senhor' de Papias, eram canônicos e Palavra de Deus. Ele vai dar a mesma resposta: 'Não, porque foram escritos depois do fechamento do Canon'. Nesse caso, pergunte a ele: 'Então, por que você acredita nas 'linguas', 'profecias', 'sonhos' e 'visões' do continuismo, que também ocorreram igualmente depois do fechamento do Canon? Que diferença há entre elas e os livros escritos, se todos 'ocorreram' após o fechamento do Canon no AT e no NT? Por que aceitar uns(linguas, profecias, sonhos e visões) e rejeitar outros(1 e 2 Macabeus; Tobias; Judite; Eclesiástico; Sabedoria; Baruque; Didaché; a Epistola de Barnabé; as 7 Epístolas de Inácio, as duas epístolas de Policarpo; o Martírio de Policarpo, de Crescente; as Explicações das Sentenças do Senhor, de Papias; e o Didaché). Que tipo de critério existe, quando se faz uso de dois pesos e duas medidas para uma mesma coisa???


Lembrando que, quando a igreja foi fundada, os dons serviram como autenticação da promessa do Senhor e credencial do ministério dos apóstolos(Mc 16:17-18,20; 2 Co 12:12, Ef 2:20; Hb 2:4). Nesse sentido, precisamos tecer alguns comentários sobre o que seria um apóstolo. Os requisitos para ser apóstolo estão em At 1:21-22, onde lemos:

"É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição"(At 1:21-22 ACF)

Então temos aí os seguintes pré-requisitos:

(a)Ter convivido com os apóstolos do século I.

(b)Pertencer aquele grupo durtante todo o tempo em que o Senhor Jesus esteve com eles. Isto é, para alguém ser apóstolo, teria que ter convivido pessoalmente com o Senhor Jesus Cristo;

(c)Teria que ter aprendido pessoalmente com o Senhor Jesus durante três anos, durante o tempo de seu ministério terreno.

(d)Ser testemunha ocular e pessoal da ressurreição do Senhor Jesus Cristo, como Paulo[At 9:1-5; 1 Co 9:1-3]). Interessante, que depois do encontro pessoal com o Senhor Jesus já ressuscitado(1 Co 15:4-8), ficou três anos no deserto da Arábia, aprendendo com Cristo(Gl 1:11-19). Stott diz que Paulo ficou tres anos na Arábia, justamente para compensar os três anos em que ele não esteve pessoalmente com o Senhor Jesus Cristo, durante seu ministério terreno.

(e)Ser testemunha ocular de sua ascenção aos céus.

Outra coisa. A Igreja foi edificada [fundada] sobre o fundamento dos apóstolos e profetas(Ef 2:20) e o próprio Paulo fala que lançou seu fundamento(1 Co 3:10). A ordem aqui é 'apóstolos e profetas', porque está se aludindo ao dom do apostolado e da profecia, correntes naquele século I. Fundamento é algo lançado apenas uma vez, exatamente como ocorre com o alicerce de uma casa. Quais foram os fundamentos dos apóstolos, senão os escritos dos apóstolos, seus 27 livros? Os escritos dos apóstolos eram considerados Palavra de Deus, e colocados em pé de igualdade com as Escrituras do AT(1 Co 14:37; 2 Pe 3:15-16). Paulo ensina isso, citando os Evangelhos de Mateus e Lucas como 'Escrituras'(1 Tm 5:18 comp. com Mt 10:10; Lc 10:7). Algum 'apóstolo' moderno lança 'fundamento' pra igreja de hoje? Se algum continuísta disser 'sim', fala como louco e herege, pois estaria admitindo que a Igreja de hoje ainda vive em sua fase inaugural[fundação, infância], com revelação e doutrina nova sempre vindo por aí, e que a revelação do Canon está incompleta, e que o Canon ainda está aberto.

Hoje temos apóstolos vivos? Não, não temos. Alguém moderno 'apóstolo' hoje, conviveu pessoalmente com o Senhor Jesus, aprendendo pessoalmente com ele; foi testemunha ocular de sua ressurreição e ascenção aos céus?

Portanto, não há necessidade destes dons continuarem após a morte dos apóstolos.

Ademais, se os continuístas realmente creem que os dons revelacionais parciais da era apostólica permaneceram até hoje na história da igreja, então igualmente admitindo que:

(i)A Bíblia não é a única e final revelação de Deus para fé e prática do cristão

(ii)Deus fala autoritativa e canonicamente através dessas modernas revelações. Nesse caso, Deus fala fora das Escrituras. Como pode Ele falar fora da Escritura, se o Canon do NT está fechado para sempre?(Ap 22:19). Nesse caso, se é verdade que essas modernas revelações constituem a palavra de Deus, por que então seus relatos e descrições não foram registrados e adicionados às Escrituras? Todos os eventos ligados aos dons de visões, sonhos, línguas e profecias foram registrados no NT. Se essas modernas revelações do continuísmo são realmente palavra de Deus, caída fresquinha do Céu, de sua própria boca para o seu povo, deveriam ser escritas:

“Veio, pois, Moisés, e contou ao povo todas as palavras do Senhor, e todos os estatutos; então o povo respondeu a uma voz, e disse: Todas as palavras, que o Senhor tem falado, faremos. Moisés escreveu todas as palavras do Senhor”(Ex 24:3,4)

Afinal, aqueles eventos de revelações parciais de Deus não foram registrados nas Escrituras? Por exemplo, as alegadas ‘visões’ do movimento continuísta são palavras de Deus? Porque se são, e se são de natureza igual às visões do NT, deveriam ser registradas nas Escrituras:

“...E o que vês, escreve-o num livro”(Ap 1:11)

Alguma das ‘visões’ do movimento continuísta foram registradas nas Escrituras?

Esse tipo de crença do movimento continuísta é eivado de ecumenismo e hipocrisia. Por exemplo, se na época do NT, quem não cresse nas revelações divinas concedidas através dos apóstolos e da influência de seu ministério, não poderia ser salvo(Mt 10:40; Lc 10:46). Hoje, se eu não creio que as ‘revelações’ modernas do continuísmo (‘línguas’, ‘profecias’, ‘sonhos’, ‘visões’), eu posso ser salvo? Como pode um adulto racional, incrédulo, rejeitando propositalmente a Palavra de Deus, ser salvo?(Jo 3:18;36;). O próprio Jesus diz sobre quem ouve a sua palavra e não crê nelas:

“E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crêr, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeitar, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia”(Jo 12:47,48).

De formas que, não crer na própria palavra de nosso Senhor equivale a não recebê-las e rejeitá-lo. Alguém que não recebe as palavras de nosso Senhor e que o rejeitar, pode ser salvo?

Ademais, concernente a Jo 12:47-48, qual é o julgamento destinado no último dia àqueles que são incrédulos diante das palavras de nosso Senhor? Ele mesmo responde:


“Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos , e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte”(Ap 21:8)


Veja só... Enquanto que para nosso Senhor, quem rejeitasse a mensagem vinda ou ligada aos apóstolos de forma direta ou indireta, era considerado condenado, os continuístas tratam os cessacionistas como irmãos em Cristo e salvos! O que é isso, senão ecumenismo?! Aliás... se os incrédulos cessacionistas podem ser salvos, por que não os demais incrédulos? Então eles - os continuístas - estão abrindo um precedente para o universalismo!!!


Portanto, defendemos, sem nenhuma hesitação que a expressão “mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado”(1 Co 13:10), se refere a aniquilação e consequente substituição da revelação parcial de Deus(‘dons revelacionais’: línguas, profecias, sonhos, visões, ciência) pela totalidade das Escrituras(2 Tm 3:16-17), , de formas que as Escrituras, sozinhas, tornam o cristão, em matéria de fé e prática “perfeito” e “perfeitamente instruído para toda a boa obra”(2 Tm 3:17). Interessante, que por “perfeito” se entende “que atingiu todas as qualificações concebíveis, que atingiu o mais alto grau grau de uma escala de valores, incomparável, único, sem par. que corresponde precisamente a um conceito ou padrão ideal. Ótimo, excelente, irrepreensível, sem defeito, impecável, completado, total””(Dicionário Aurélio Escolar da Língua Portuguesa, 1ª Edição, 1988, p.497)

(2.2)Hermenêutica Furada do Providencialismo[ou Continuísmo]

Os continuístas, como que querendo zombar de nossa capacidade de compreensão, tem afirmado que a expressão “Toda a Escritura”(2 Tm 3:16) se refere somente ao AT, como se Paulo não considerasse Escrituras seus escritos e o de seus companheiros apóstolos, mas Paulo, antes mesmo de escrever suas cartas a Timóteo, considerava seus escritos como ‘Escritura’. Ele se refere a sua ‘Primeira Epístola aos Coríntios’ como “mandamentos do Senhor”(1 Co 14:37), sendo esta expressão correspondente a Escrituras(Sl 119:176 comp. com Sl 119:98-104). Ele considerava tanto seus escritos como Escrituras, ao ponto de coloca-los em pé de igualdade com as Escrituras do AT, ordenando que fossem lidos nas demais igrejas(Cl 4:16 comp. com Is 34:16). Pedro também considera os escritos de Paulo como ‘Escrituras’, ao ponto de também coloca-los em pé de igualdade com as Escrituras do AT(2 Pd 3:16 com 2 Pd 3:2).

Interessante, que para vergonha dos continuístas, Paulo cita a Escritura do Evangelho de Mateus, chamando-a literalmente de “Escritura”(1 Tm 5:18 comp.com Mt 10:10)

(2.3)Voltando a 1 Corintios 13:10(‘Mas, quando vier o que é perfeito...’)...

A palavra grega que aqui foi traduzida por “perfeito” é a palavra τέλειον(teleios), que de acordo com o Léxico do Novo Testamento de Edward Robinson, tem o significado de “completar, aperfeiçoar, de formas a estar completo, em nada faltando”. Essa mesma palavra grega é aplicada a Escritura em Tg 1:25. Isso indica que as Escrituras contém toda a revelação necessária para a fé e prática do cristão, e, justamente por isso, é que Paulo diz que ela, sozinha, são só é suficiente para redarguir(responder), corrigir e instruir, de um modo tão completo, que torna o homem “perfeito” e “perfeitamente instruído para toda a boa obra”. Agora, pense... Se a Bíblia torna o homem perfeito e perfeitamente instruído para toda a boa obra, precisamos de que mais? O que se precisa para se tornar o homem mais perfeito e perfeitamente instruído?

(2.4)A posição dos eruditos cristãos sobre 1 Co 13:8-13

“O ‘que é perfeitodeve se referir a completa revelação da vontade de Deus. Quando o Novo Testamento foi completado, os meios de revela-lo (profecia, conhecimento) e confirma-lo(línguas), não se tornaram mais necessários”(Mark Dunagam, Ministro da 5ª Igreja de Cristo em Beaverton, Comentário de 1 Co 13:8)

Línguas não são mais permanentes, eles estavam inicialmente presentes no dia de Pentecostes, mas não permaneceram na Igreja Primitiva”(J. A. Bengel[1687-1752], Ministro Luterano, Comentário de 1 Co 13:8)

Um cumprimento principal teve lugar quando a Igreja atingiu sua maioridade; então as línguas cessaram, EprofeciasEconhecimento’, como dons sobreanturais foram substituídos, de formas que não foram mas necessários, quando as Escrituras foram juntamente coletadas”(Robert Jamiesson[1902-1880], David Brown[1803-1897], A. R. Fausset[1821-1910], Ministros Anglicanos, Comentário de 1 Co 13:8).

Todos esses dons sobrenaturais foram concedidos apenas no início da Igreja, e geralmente cessaram”(Philip Schaff [1819-1893], Ministro Presbiteriano, Comentário de 1 Co 13:13).

O dom de línguas não é mais necessário, porque temos completada toda a nossa Bíblia”(Charles Box, Ministro da Igreja de Cristo de Walnut Street, Alabama, Comentário de 1 Co 13:8).

Essas coisas foram temporárias, durando até toda fé ter sido dada ao homem”(Gary Hampton, Ministro da Jefferson Avenue Church, Comentário de 1 Co 13:8).

(2.5)Uma palavra sobre o dom de línguas

O dom de línguas é considerado um dom de milagres (tendo em vista que foi mencionado entre dons de milagres [Mc 16:17-18] com efeito revelacional, haja visto que em At 2:4,11-12, as maravilhas de Deus eram a revelação concedida mediante o Espírito Santo, por intermédio dessas línguas. Aqueles judeus estrangeiros se maravilharam ouvindo a mensagem vinda das outras línguas, divinamente concedidas pelo Espírito Santo(At 2:7-12). Imagine... Um homem pecador fica maravilhado ouvindo palavras de homem ou palavra de Deus?(At 13:7-12). Como dissemos, por ser um dom que é mencionado entre dons de milagres, é considerado como dom de milagres. Um dos milagres citados é o dom de cura(Mc 16:17-18), e o dom de curas é ainda mencionado como cessando ainda antes da morte de Paulo. Em Fl 2:25-27 Paulo menciona seu amigo Epafrodito que esteve doente, à beira da morte, mas não morreu porque o Senhor teve misericórdia dele. Por que ele simplesmente não curou a Epafrodito? Ou por que nenhum operador de curas fora enviado por ele ou por outrem. Da mesma forma Paulo menciona ter deixado Trófimo doente em Mileto(2 Tm 4:20), e posteriormente, recomenda que Timóteo tome vinho como um ‘remédio’, para ajudar nas suas "frequentes enfermidades" do estômago(1 Tm 5:23). Por que não curá-los? Por que deixa-los doentes? Creio que a resposta é simples – o dom de cura havia cessado. E se este dom havia cessado, o que diremos do dom de línguas?!

O dom de curar, embora temporário, era um dom milagroso de sinal para ser usado com propósitos específicos. Não deveria ser usado como um modo de manter a comunidade cristã em perfeitas condições físicas. Era apenas uma das credenciais do apostolado, que ajudaram os apóstolos a levar adiante a mensagem do Evangelho. Ao que tudo indica, o último milagre do NT ocorreu em 58 d.C com a cura do pai de Púbilo(At 28:7-10). Dos anos 58-96 d.C, quando João escreveu Apocalípse, não há nenhuma documentação de milagres. Por isso que os dons de milagres como línguas e curas só são mencionados nas epístolas mais antigas, como em 1 Coríntios. Quando se adentra em Efésios e Romanos, não há menção alguma de dons de milagres como línguas e curas. Enquanto Paulo mandou Timóteo usar vinho como remédio contra suas "frequentes enfermidades"(1 Tm 5:23), Gunnar Vingren, fundador das Assembléias de Deus mandava as pessoas deixarem de tomar remédios, para receber a cura:

"Durante aquela semana realizamos cultos de oração todas as noites n a casa de uma irmã que tinha uma enfermidde incurável nos lábios. Ela não podia assistir aos cultos na igreja. A primeira coisa que fiz foi perguntar-lhe se cria que Jesus podia curá-la. Ele respondeu que sim. Dissemos-lhe que deixasse de lato todos os remédios que estava tomando. Oramos por ela, e o Senhor Jesus a curou completamente!"(Diário do Pioneiro Gunnar Vingren, p.40)

O dom de línguas, embora fosse um dom de milagres com caráter revelacional, era apenas um sinal para os infiéis, os descrentes, isto é, um sinal de juízo sobre Israel por causa de sua incredulidade(1 Co 14:21,22).

A expressão “havendo línguas, cessarão”(1 Co 13:8) também nos chama a atenção. A palavra grega que aqui é traduzida por “cessarão” é a palavra παύσονται(pausontai), que segundo o Léxico Grego Inglês do Novo Testamento de J. H. Thayer, significa “deixar de fora”, indicando algo que cessaria, para jamais ter reinício, jamais ser repetido. Por isso, que nunca vemos em Atos as mesmas pessoas que falaram em línguas uma vez, voltarem a falar novamente. Nunca esse evento se repetira entre eles, diferentemente hoje em dia, quando os mesmos pentecostais falam em línguas repetidas vezes, em várias e várias ocasiões. Note que a única epístola em que o dom de línguas é mencionado é a de 1 Coríntios. Depois Paulo escreveu mais treze epístolas, sem fazer menção desse assunto. Os demais apóstolos Tiago, Pedro, Judas e João também não o mencionam. As línguas já haviam desaparecido. Após a morte dos apóstolos, apenas entre grupos heréticos é que se menciona o fenômeno de ‘linguas’.

Da mesma forma, no tocante a “profecia”, a palavra que aparece aqui como “aniquiladas”, é a palavra grega καταργηθήσονται(katargēthēsontai), que também está no aoristo, e segundo o Léxico Grego Inglês do Novo Testamento de J. H. Thayer, tem o significado de “fazer com que uma pessoa ou coisa não tenha mais eficácia... tornar nulo... fazer cessar, pôr fim a, acabar com, anular”.

E no tocante a “ciência”, a palavra que aparece aqui é “desaparecerá”, é a palavra grega καταργηθήσεται(katargēthēsetai), que segundo o o Léxico Grego Inglês do Novo Testamento de J. H. Thayer, tem o mesmo significado de “ “fazer com que uma pessoa ou coisa não tenha mais eficácia... tornar nulo... fazer cessar, pôr fim a, acabar com, anular”.

Evidentemente, olhando para 1 Co 13:9-10, entendemos, que, com a chegada daquilo “que é perfeito”, isto é, o cânon completo do NT, toda essa revelação parcial de Deus(‘línguas’, ‘profecias’, ‘ciências’, ‘sonhos’, ‘visões’) perderam toda a sua eficácia, sendo anulados, e portanto, cessando.

Em sua definição do substantivo grego "γλῶσσα"(glossa), James Strong diz:

"Não há evidência da continuação deste dom após os tempos apostólicos, nem mesmo nos últimos tempos dos próprios apóstolos; isso fornece a confirmação do cumprimento dessa maneira de 1 Co 13:8, que esse dom cessaria nas igrejas, assim como 'profecias' e 'conhecimento' no sentido de conhecimento recebido por poder sobrenatural imediato [cf. 14:16]. A totalidade das Sagradas Escrituras forneceu às igrejas tudo o que é necessário para orientação, instrução e edificação individuais e coletivas"(The New Strong's Expanded Dictionary of Bible Words, p.1026)

(3)A História documenta a cessação de línguas e de outros dons revelacionais

O que é fato é que durante os quatro primeiros séculos do Cristianismo, o fenômeno de “línguas" só é encontrado entre grupos heréticos, tais como os cevennes, montanistas, jansenistas, shakers, irvinguitas e mórmons. O fenômeno é negado pelo Cristianismo pós-apostólico:

(3.1)Pais da Igreja:

(a)Justino Mártir[69-165], diz:

"Entre nós, com efeito, até o presente existem carismas proféticos"(Diálogo com Trifo, 82)

"Assim, entre nós, podem-se ver homens e mulheres que possuem carismas do Espírito de Deus"(Ibidem, 88)

Esses textos são citados pelos continuístas como prova de que Justino estava ensinando continuismo, isto é, que o os dons de línguas, profecias, ciência, sonhos e visões' ainda vigoravam entre os cristãos de seus dias. Contudo, isso é um engodo continuísta, primeiro, porque 'carismas'[dons] do Espírito Santo, não se restringe aos dons miraculosos ou revelacionais, como Paulo deixa claro(Rm 12:6-8; 1 Co 12:28; Ef 4:11). Segundo, porque, nessas frases, quando Justino definiu a natureza dos dons existentes, ele retratou a sabedoria, entendimento, conselho, poder, piedade, temor e conhecimento, e antes de fazer isso, sempre salientava o fechamento do Canon com o livro de Malaquias, quando Deus não falava mais com os judeus:

"Perguntaste com agudez e inteligência, pois realmente parece haver aqui uma dificuldade. Escuta,porém, o que vou dizer, para que entendas também porque ela existe. A palavra não diz que as potências do Espírito aqui enumeradas viriam sobre ele como se estivesse falto delas, mas porque elas iriam descansar sobre ele, isto é, que nele teria fim o fato de que em vosso povo continuasse a haver profetas, como antigamente. Isso podeis confrontar com vossos próprios olhos. Com efeito, depois de Cristo não surgiu entre vós absolutamente nenhum profeta. Considerai que os próprios profetas que existiram entre vós, cada um deles recebeu uma ou outra potência de Deus para falar e realizar aquelas coisas que nós agora conhecemos por meio das Escrituras. Prestai atenção no que vos digo. Salomão teve espírito de sabedoria, Daniel de inteligência e conselho, Moisés de fortaleza e piedade, Elias de temor e Isaías de ciência. O mesmo se pode dizer dos outros, que tiveram cada um uma só, ou uma alternando com a outra, como Jeremias, os Doze, Davi e, em geral, todos os profetas que existiram entre vós. Descansou, portanto, quer dizer cessou, tendo vindo aquele depois do qual, cumpridos os tempos dessa sua dispensação entre os homens, haveriam de cessar em vós e, descansando nele, como foi profetizado, converter-se novamente em dons da mesma graça do poder daquele Espírito, que Cristo reparte entre os que nele crêem, a cada um conforme ele julga ser digno. Já vos disse como foi profetizado que ele deveria fazer isso depois de sua ascensão aos céus, e agora vos repito. A Escritura diz: 'Subiu às alturas, levou cativo o cativeiro, deu dons aos filhos dos homens'. E se diz de novo em outra profecia: 'E, depois disso, acontecerá que derramarei meu Espírito sobre toda carne, sobre meus servos e minhas servas, e profetizarão'"(Ibidem, 87)

Veja que Justino diz aqueles 'dons da mesma graça'... 'Cristo reparte... depois de sua ascensão aos céus', não depois da morte dos apóstolos, o que seria muito diferente. Qual continuísta poderá torcer tão clara opinião cessacionista de Justino?

E em outro lugar, Justino repete isso, mencionando os dons miraculosos do Espírito, negando que estes seriam dados de modo perpétuo ao seu povo:

"Assim, entre nós, podem-se ver homens e mulheres que possuem carismas do Espírito de Deus. Desse modo, foi profetizado que as potências do Espírito, enumeradas por Isaías, deveriam vir sobre Cristo, não porque ele estivesse falto de seu poder, mas porque daí por diante não deveriam mais existir"(Ibidem, 88:1)

(b)Irineu(130-200) é citado de forma desonesta pelos contínuistas(Contra Heresias, II; 32:4), como citando eventos que ocorriam em seus dias, quando na realidade, ele estava se referindo aos eventos que haviam ocorrido na época dos apóstolos, exatamente durante o ministério deles:

"eis por que em seu nome os seus verdadeiros discípulos, depois de terem recebido dele a graça, agem para o bem de outros homens... não é possível dizer o número de carismas , no mundo inteiro, a Igreja recebeu de Deus, no nome de Jesus Cristo, sob Poncio Pilatos'"(Contra Heresias, II; 32:4). Note a expressão "a Igreja recebeu de Deus", ao invés de 'a Igreja recebe de Deus"

(c)Tertuliano(160-220) é citado como dizendo:

"Pois vendo que nós admitimos os carismas espirituais, ou dons, nós também temos merecido o recebimento do dom profético"(Um Tratado sobre a alma, 9)

Mas veja. A frase de Tertuliano é cortada e truncada. Veja a parte anterior, omitida pelos continuistas:

"Quanto a nós, de fato, inscrevemos na alma os traços da corporeidade, não apenas pela certeza que o raciocínio nos ensinou de sua natureza corpórea, mas também pela firme convicção que a graça divina nos imprime pela revelação".

Pela expressão 'dom profético', Tertuliano estava aludindo a revelação que vem da graça de Deus, e isso remete às Escrituras.

Em seguida, ele menciona uma mulher [montanista] que supostamente tinha 'dons de revelação'. Mas note, que ele também diz que ela "distribui remédios para os necessitados"(Ibidem). Mas, você percebe que há algo errado com essa citação? Cadê o dom de curas? Para que se distribuir remédios, se o dom de curas ainda existisse?

(d)Orígenes(185-254), em sua obra "Contra Celso", diz:

"Pois na opinião de todos, o Espírito Santo abandonou os judeus culpados de impiedade para com Deus e aquele que tinha sido profetizado por seus profetas. Mas os sinais do Espírito Santo apareceram no tempo em que Jesus ensinava, e em maior número depois de sua ascensão, mas a seguir em menor número. Entretanto existem ainda hoje vestígios entre alguns cujas almas foram purificadas pelo Verbo e pelas ações que Ele inspira"(VII:8)

Qaundo Orígenes fala dos sinais que apareceram em 'maior número' depois de sua ascensão, e durante um longo tempo depois de sua ascensão, em menor número, está se referindo ao dom de curas, que já começou a ser extinto nos anos que antecederam a morte de Paulo(1 Tm 5:23; 2 Tm 4:20))

(e)Cipriano(200-258), diz

"Estando os fiéis em meio a essa perturbação, fugindo daqui para ali pelo medo da perseguição, abandonando suas pátrias e passando a outras regiões - havia, com efeito, a possibilidade de mudar-se, pois aquela perseguição não se estendia ao mundo inteiro, mas era de caráter local -, surgiu por aqui, de repente , certa mulher que, num estado de extase, declarou-se profetiza, agindo como se estivesse cheia do Espírito Santo. De tal modo era ela movida pelo impulso dos principais demônios, que por muito tempo seduziu e enganou a comunidade, realizando algumas obras admiráveis e portentosas e chegando até a prometer que faria que a terra se movesse. Não que o poder do demônio fosse tão grande a ponto de fazer, por sua própria força, a terra mover-se ou abalarem-se os elementos, mas talvez, pórque, ao pressentir e entender que havia de ocorrer um terremoto, o espírito malígno simulou que ele próprio causaria o que via estar para acontecer"(Epístola 75)

Na pinião de Cipriano, dizer-se portador de um primitivo dom do Espírito, não é necessariamente se declarar ser portador das mesmas credenciais do ministério e pregação dos apóstolos, mas, especificamente, nesse caso, é apontar para si mesmo como um instrumento de Satanás.

No mais, os Pais da Igreja defenderam uma posição majoritária, ligada ao cessacionismo, como se segue:

(i)João Crisóstomo (344–407):

“A passagem inteira[1 Cop 12:1-2] é muito obscura, mas a obscuridade é produzida por nossa ignorância dos fatos referidos e por sua cessação, fatos que ocorriam, mas agora não tem mais lugar. Eis, pois, que a causa da obscuridade gera outra interrogação para nós. Por que acontecia então e agora, não? Deixemos essa questão para depois, por enquanto, mencionemos o que então acontecia”(19ª Homília sobre 1 Coríntios)

"Não é espantoso que cessem as profecias e o dom das línguas; dizer, porém, que a ciência desaparecerá levanta uma questão"(33ª Homília sobre 1 Coríntios)

"E por que, dizes, não existem mais agora os que ressuscitam mortos e fazem curas? Por quê? Não quero afirmar de antemão. Por que agora não há quem despreze a vida presente? Por que servimos a Deus apenas em vista de um salário? Quando a natureza humana estava mais fraca, quando era preciso implantar a fé, realizavam-se muitos milagres; agora, porém, Deus não quer que dependamos destes sinais, mas que estejamos preparados para morte"(8ª Homília sobre Colossenses, 15)

"Mesmo agora há alguns que os procuram e dizem: Por que não acontecem milagres também neste tempo?. Se você é fiel como deve ser e ama a Cristo como deve amá-lo, não precisa de sinais, eles são dados aos incrédulos"(Homilia 25 sobre João)

"Não oferece dificuldade asseverar que desaparece o dom da profecia e cessa o dom das línguas, porque foi por certo tempo que essas graças nos foram dispensadas e podem acabar sem prejuízo para a Palavra; de fato,o dom da profecia e o das línguas atualmente já não existem, mas nem por isso criou-se obstáculo ao anúncio sagrado"(Da Incompreensibilidade de Deus, 1ª Homília)

"Certamente veremos que além dos milagres [Paulo]praticado inúmeros atos bons. Nós atualmente, contudo, sem possuirmos coisa alguma desta espécie, queremos obter o domínio de tudo"(6ª Homília sobre Efésios)

"Donde induzí-los a crer? Pelos milagres? Mas já não acontecem"(10ª Homília sobre 1 Timóteo)

"Por que, se quisesse referir-se ao Espírito, não diria de maneira obscura, mas de modo claro que também agora o retém a graça do Espírito, isto é, os carismas. Do contrário, seria necessário que já tivese vindo, quer dizer, teria vindo quando os carismas desaparecessem; e há muito que eles desapareceram"(4ª Homília sobre 2 Tessalonicenses)

(ii)Agostinho (354-430):

”Nos tempos antigos o Espírito Santo veio sobre os crentes e eles falaram em línguas, que não haviam aprendido, conforme o Espírito concediam que falassem. Estes foram sinais adaptados ao tempo. Pois aquilo foi o sinal do Espírito Santo em todas as línguas [idiomas] para mostrar que o Evangelho de Deus era para ser espalhado a todas as línguas sobre a terra. Isto foi feito por um sinal, e o sinal findou”(Homilias sobre a Primeira Epístola de João, 6.10).

"Por que,você diz, essas coisas não acontecem agora? porque eles não se moveriam, a menos que fossem maravilhosos e, se fossem usuais, não seriam maravilhosos. Eles foram feitos em um momento muito adequado, a fim de que, por meio dessa multidão de crentes reunidos e espalhados, a autoridade pudesse ser aplicada com efeito sobre os hábitos"(O Benefício da Fé, 34)

"Quando a Igreja Católica foi fundada e difundida por todo o mundo, por um lado, os milagres não foram permitidos até nossos dias, para que a mente não buscasse sempre coisas visíveis, e a raça humana se tornasse fria, acostumando-se com coisas que quando eram novidades acendiam sua fé"(Da Verdadeira Religião, 25:47)

"Não digo que agora, o Espírito Santo não é dado, porque os fiéis não falam em línghuas. Pois, então convinha que os apóstolos falassem em línguas para simbolizar as línguas de todos os povos que haveriam de crer em Cristo. Logo que se cumpriu o que era simbolizado, terminou o milagre"(Comentário do Salmo 130, 5)

"Por que agora quem recebe o Espírito Santo não fala as línguas de todos? Pois, tal era então o indício da vinda do Espírito Santo sobre os homens: que eles falavam as línguas de todos. Agora, o que hás de dizer, ó herege? Que o Espírito Santo não é dado?"(Comentário do Salmo 147, 19)

"Por que não se manifesta agora o Espírito Santo nas línguas de todos?"(Ibidem)

"Não exige esta alma fatos maravilhosos para se enraizar na fé; ela crê, mesmo que não veja sinais e prodígios, pois, ela já é terra fiel, distinta das águas amargas da incredulidade"(Confissões, XII:221:29)

"Pois atualmente não se recebe o Espírito Santo pela imposição das mãos, como antes de recebia com a manifestação de prodígios temporais e sensíveis para fortificar a fé incipiente e propagar a Igreja nascente. Pois quem agora espera essas manifestações, de modo que aqueles a quem se impõem as mãos para receber o Espírito Santo comecem a falar em linguas?"(Tratado sobre o Batismo, 3:21)

"Todavia nenhum milagre presenciamos nem pedimos"(Comentário do Evangelho de João. XVI:4)

"Por que então o Espírito Santo é dado agora de tal maneira, já que ninguém a quem é dado fala em várias línguas, exceto porque aquele milagre então prefigurou a fim de que todas as nações da terra cressem, e que assim o evangelho fosse encontrado?"(Respotas a Petiliano, o Donatista, II; 32:74)

(iii)Ambrósio de Milão(+ 397 d.C):

Esses sinais foram concedidos no início, para que a fé fosse nutrida; mas, depois de estabelecida a fé, não são mais necessários"(Do Espírito Santo, I; 6:80)

(iv)Jerônimo(+ 420 d.C):

"Antigamente, o Espírito Santo descia sobre os fiíes e eles falavam em línghuas. Estes sinais foram dados para um tempo. Hoje não mais existem"(Comentário sobre Isaías)

(v)Gregório Nazianzo(+ 390):

"Como me parece, tal era o tempo daqueles sinais, porque era necessário. Assim também foi dado o Espírito de maneira visível, pois era necessário para a confirmação da fé; mas, depois que a fé se estabeleceu, os sinais cessaram"(Oração #1:5 - A 5ª Oração Teológica)

(vi)Teodoreto de Ciro (393-466):

“Em tempos antigos, aqueles que aceitaram a divina pregação e que foram batizados para a sua salvação, receberam sinais visíveis da graça do Espírito Santo trabalhando neles. Alguns falaram em línguas que eles não sabiam e que ninguém lhes havia ensinado, enquanto outros realizaram milagres ou profetizaram. Os coríntios também fizeram essas coisas, mas não usaram os dons como deveriam ter usado. Eles estavam mais interessados em se mostrar do que em usar os dons para a edificação da igreja . . . Mesmo no nosso tempo a graça é dada para aqueles que são julgados dignos do santo batismo, mas não pode assumir a mesma forma que possuía naqueles dias”(Comentário sobra a primeira epístola aos Coríntios)

(vii)Gregório I(+ 604) diz:

"Será verdade, então, meus irmãos, que pelo fato de vocês não fazerem estes sinais vocês não crêem? Pelo contrári0o, eles [os apóstolos] estavam necessariamente no início da Igreja; pois para que aquela fé nascesse era necessário milagres que a nutrisse, tal como quando plantamos arbustos, regamo-los até que se desenvolvam na terra, e logo que estejam bem enraizados, paramos a nossa rega"(Homília 29 sobre os Evangelhos)

(viii)Isidoro de Sevilha(560-636), diz:

"A razão porque a igreja não opera agora os milagres que operou pelos apóstolos, encontra-se no fato de os milagres terem sido então necessários para convencer o mundo sobre a verdade do Cristianismo. Qualquer crente que hoje procure operar milagres, procura a vanglória e o aplauso humano"(Sententiarum, I:27)

(3.2)Os Reformadores:

a. Martinho Lutero (1483-1546)

“Na Igreja primitiva, o Espírito Santo foi enviado de forma visível. Ele desceu sobre Cristo na forma de uma pomba[Mt 3:16], e à semelhança de fogo sobre os apóstolos e outros crentes[At 2:3]. Esse derramamento visível do Espírito Santo foi necessário para o estabelecimento da Igreja primitiva, como também foram necessários os milagres que acompanharam o dom do Espírito Santo. Paulo explicou o propósito destes dons miraculosos do Espírito em I Co 14:22: ‘as línguas são um sinal, não para os que crêem, mas para os que não crêem’. Uma vez que a Igreja tinha sido estabelecida e devidamente anunciada por estes milagres, a aparência externa do Espírito Santo cessou”(Comentário de Gálatas 4:6.)

"Em uma grande cidade um pequeno rebanho de cristãos é mantido no conhecimento de Deus e na fé verdadeira, apesar de mais de centenas de demônios estarem soltos sobre eles e o mundo estar cheio de seitas, com canalhas e tiranos. Apesar da oposição de tudo isso, o Evangelho, o batismo, a Ceia do Senhor e confissão de Cristo ainda estão preservados. Nós podemos ver que, para os gentios, externamente, sinais tangíveis eram necessários. Os cristãos, porém, entretanto contemplam os sinais espirituais, em comparação com os anteriores que são apenas terrenos. Portanto, eles já não estão em evidência agora que o Evangelho reina em todo o mundo e entre os que antes não podiam compreemder até Deus trazê-los para o rebanho por sinais visíveis, como crianças pequenas são persuadidas com maçãs e peras"(Terceiro Sermão sobre Mc 16:16-20)

b. João Calvino (1509-1564):

“Embora Cristo não declare expressamente se Ele pretende que esse dom [de milagres] seja temporário ou a permaneça perpetuamente na Igreja, é mais provável que os milagres tenham sido prometidos apenas por um tempo, para dar brilho ao evangelho enquanto ele era novo ou em estado de obscuridade”(Comentário sobre os Evangelhos Sinóticos, III:389.)

“O dom de cura, como o resto dos milagres, os quais o Senhor quis que fossem trazidos à luz por um tempo, desapareceu, a fim de tornar a pregação do Evangelho maravilhosa para sempre”(Institutas da Religião Cristã, IV: 19, 18.)

"Mas, de fato, quando Cristo já não estava longe, foi apontado a Daniel o tempo 'para selar a visão e a profecia'[Dn 9.24), não somente para que a autoridade do vaticínio se evidenciasse segura do que ali se trata, mas também para que os fiéis ficassem de ânimo tranquilo, sem profetas por um tempo, uma vez que estaria iminente a plenitude e conclusão de todas as revelações"(Ibidem, II.XV.1)

"Entretanto, isto permanece estabelecido: com esta perfeição da doutrina, que Cristo trouxe, pôs-se um fim a todas as profecias, de tal sorte que violam sua autoridade quantos, não contentes com o evangelho, o remendam de algo estranho"(II.XV.2)

"Por isso agora, desde que Cristo, o Sol da Justiça, brilhou, temos o perfeito fulgor da verdade divina, como costuma ser a claridade ao meio-dia, quando antes a luz era fosca. Ora, de fato, o Apóstolo não quis proclamar algo vulgar quando escreveu 'haver Deus outrora falado aos pais, em muitas ocasiões e de muitos modos, pelos profetas; mas que nestes últimos dias começou a falar-nos pelo Filho dileto'[Hb 1:1-2]; pois ele quer dizer, mais ainda, declara abertamente que doravante Deus não falará como fez até agora, intermitentemente, pelos lábios de uns e de outros, nem acrescentará profecias a profecias, ou revelações a revelações, mas que no Filho consumou de tal modo todas as partes do ensino, que este será tido como o derradeiro e eterno testemunho de sua parte"(Ibidem, IV.VIII.7)

"Portanto, na Igreja Cristã, nos tempos atuais, profecia é simplesmente o correto entendimento da Escritura e o dom particular de explicá-la, visto que todas antigas profecias e todos os oráculos divinos já foram concluídos em Cristo e seu evangelho"(Comentário a Romanos 12)

"Ainda assim cessam de investir contra nossa doutrina e de invectivá-la e infamá-la com quantas alcunhas possam, no empenho de torná-la ou odiosa ou suspeita. Dizem ser ela doutrina nova e originada não há muito. Ridicularizam-na de ser duvidosa e incerta. Indagam de que milagres tenha sido confirmada"(Carta ao Rei Francisco I, 5)

Por exigirem de nós milagres, agem de má. Ora, não estamos a forjar algum evangelho novo; ao contrário, retemos aquele mesmo à confirmação de cuja verdade servem todos os milagres que outrora operaram assim Cristo como os apóstolos"(Carta ao Rei Francisco I, 7)

c.John Knox(1514-1572), diz:

"Embora não possamos esconder a verdade, afirmando que aquele que trabalhou fielmente nas línguas e nos escritos de homens piedosos é mais capaz de evitar erros e mais apto a ensinar a verdade e refutar o adversário do que aquele que é ignorante, a não ser na sua língua natural, sabemos que os milagres e os dons visíveis do Espírito Santo, dados nos dias dos apóstolos, agora cessaram"('Sobre a Predestinação', p.303).

(3.3)Confissões de Fé Reformadas:

a. A Confissão de Fé de Teodoro de Beza(1560), diz:

"Além disso, entre os antigos trabalhadores, há menção de três graus que depois eram chamados de Menores ordines, embora alguns contem quatro e outros mais. Lá também eram porteiros ou porteiros chamados Ostarii, que aguardavam os portões da igreja abrirem e fecharem, especialmente por causa dos catecúmenos, excomungados e penitentes que não eram permitidos na administração dos sacramentos (Canon 9, Quarta Concílio de Cartago). Havia também aqueles que seguiam o pároco ordinariamente para dar reverência e honra, bem como ser testemunhas das coisas que ele fez ou disse; também familiarizar-se e dar-se a conhecer à igreja e aprender a conhecer e exercer seus ofícios, e aqueles que eles chamavam de acólitos, isto é, seguindo. Eles também usaram para outros pequenos negócios necessários na assembléia (Canon 6, Quarto Concílio de Cartago). Além disso, havia aqueles a quem chamavam de Leitores, que liam abertamente o textos da Escritura, que pastores ou mestres posteriormente expuseram na igreja (Cânon 8, mesmo Concílio). Eles se juntaram a eles exorcistas, cujo ofício eu penso que agora cessou ou pelo menos deveria cessar na igreja junto com o dom de milagres, que foi apenas por um tempo para confirmar e estabelecer a verdade da Palavra de Deus recentemente declarada e revelada ao mundo. Eles serviram para todos aqueles pequenos assuntos que dizem respeito ao serviço eclesiástico, para tentar provar pouco a pouco aqueles a quem eles poderiam depois nomear para cargos de maior importância. E sempre que bom pedido serão estabelecidos e nomeados na igreja para tal e para bons propósitos, não iremos contestá-los ou recusá-los, desde que tenham respeito pelo que é necessário para a edificação”(Confissão de Fé de Teodoro de Beza[1560], ‘Da Igreja’, 5ª Parte, 31):

"Os profetas eram restritos a certos lugares que tinham dons singulares para expor os segredos das Escrituras. Às vezes, eles tinham o dom de entender e revelar as coisas que viriam, podendo aprovar e confirmar por esses milagres a doutrina dos apóstolos no princípio da Igreja. Resta agora comentar sobre os pastores e mestres cujo ofício é perpétuo na Igreja de Deus[na medida em que agrada a Deus]. Nós falaremos abaixo"(Ibidem,'Sobre a Igreja', 5º Ponto, 24)

"Eles se juntam a estes exorcistas, cujo ofício eu acho que hoje cessou ou pelo menos deveria cessar na na Igreja junto com o dom de milagres, que foi por um tempo para confirmar e estabelecer a verdade da Palavra de Deus, recém declarada e revelada ao mundo"(Ibidem, 31)

"Entre outras coisas a que está obrigada o pároco contamos a visitação dos enfermos, a quem ele deve confortar para confirmar-lhes sua salvação, conforme exigido de acordo com o conteúdo da Palavra de Deus. Agora, os apóstolos e outros da igreja primitiva, tanto tempo quanto o dom dos milagres durou, usaram em suas visitas não apenas esta cerimônia da imposição de mãos, mas também o óleo em que se ungiam os enfermos[Mc 6:13; Tg 5:14]"(Ibidem, 4º Ponto, 'Do Espírito Santo', 'Da Extrema Unção Chamada Unção')

"Também o dom de cura por milagres não foi dada à Igreja exceto por um certo tempo"(Ibidem)

(b)A Confissão de Fé de Nassau(1578) diz:

"Embora o dom ou poder de expulsar o demônio daqules cujos corpos foram possuídos como também o dom de curar os enfermos e realizar outros milagres estava em uso na Igreja Primitiva como confirmação da doutrina acompanhada do Evangelho, mas esses dons cessaram, como muitos outros carismas, depois que o Evangelho foi suficientemente confirmado por milagres"('Alguns Artigos da Doutrina Cristã em Particular', 'Exorcismo e Interdição do Diabo no Batismo')

(c)O Consenso de Bremen[1585], diz:

"Mas assim como nos dias de hoje ninguém deve pensar que necessita de um dom divino especial para poder tirar doença fisica ou para operar outros milagres externos, porque é inútil presumir expulsar o diabo porque tais dons não são mais comuns como eram na Igreja Primitiva após o Evangelho ter sido suficientemente confirmado pelos milagres visíveis feitos no passado"('Cerimônias')

"Quando sinais especiais anteriormente ocorreram ao fazer o sinal da cruz, ao apresentar as cruzes, e assim os maus espíritos se retiravam e fugiam, deve ser reconhecido que Deus fez muitos milagres na Igreja Primitiva no tempo dos apóstolos e por um tempo considerável depois disso trouxe temor aos incrédulos e aos discípulos de Cristo, e para maior conforto dos crentes. Assim, está registrado em At 5:15 que os enfermos eram levados para as ruas, para que, quando viesse a sombra de Pedro, caìsse sobre alguns deles. Em At 19:12 está o relato dos lenços e aventais de Paulo, pelo qual Deus, de acordo com as circunstâncias da época, teve o prazer de sustentar o testemunho da verdade da fé cristã. Mas nenhuma regra universal deve ser derivada disto, como se em todos os momentos Deus com Seus milagres e poderes especiais estivesse ligado a tais coisas"(Ibidem, 'Cerimônias'['Fazer o Sinal da Cruz']).

(d)A Confissão de Fé de Westminster(1643-1649):

“Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”(I:1)

(e)A Confissão de Fé Batista de 1677:

“A Sagrada Escritura é a única regra suficiente, certa e infalível de conhecimento para a salvação, de fé e de obediência. A luz da natureza, e as obras da criação e da providência, manifestam a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, de tal modo que os homens ficam inescusáveis; contudo não são suficientes para dar conhecimento de Deus e de sua vontade que é necessário para a salvação. Por isso, em diversos tempos e por diferentes modos, o Senhor foi servido revelar-se a si mesmo e declarar sua vontade à sua igreja. E para a melhor preservação e propagação da verdade, e o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja, contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazer escrever por completo todo esse conhecimento de Deus e revelação de sua vontade necessários à salvação; o que torna a Escritura indispensável, tendo cessado aqueles antigos mdodos em que Deus revelava sua vontade a seu povo"(I:1)

(f)A Confissão de Fé Batista de 1689:

“A Sagrada Escritura é a única regra suficiente, certa e infalível de conhecimento para a salvação, de fé e de obediência. A luz da natureza, e as obras da criação e da providência, manifestam a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, de tal modo que os homens ficam inescusáveis; contudo não são suficientes para dar conhecimento de Deus e de sua vontade que é necessário para a salvação. Por isso, em diversos tempos e por diferentes modos, o Senhor foi servido revelar-se a si mesmo e declarar sua vontade à sua igreja. E para a melhor preservação e propagação da verdade, e o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja, contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazer escrever por completo todo esse conhecimento de Deus e revelação de sua vontade necessários à salvação; o que torna a Escritura indispensável, tendo cessado aqueles antigos mdodos em que Deus revelava sua vontade a seu povo”(I:1)

(g)A Declaração de Fé e Ordem de Savoy(1658)(Congregacional), declara:

“Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”(I:1)

(h)A Confissão de Fé Congregacional [Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil](2015), declara:

"Cremos que e confessamos que ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providencia manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, de tal modo que os homens ficam indesculpáveis, contudo, elas não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e de Sua vontade que é necessário à salvação; portanto, aprouve ao Senhor, em vários momentos e de diversas maneiras, revelar-se, e declarar Sua vontade à Sua igreja. E depois, para melhor preservar e propagar a verdade, e para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás e do mundo, aprouve-lhe entregá-la para que fosse plenamente escrita. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”(I:1)

(3.4)Os Puritanos:

(a)David Dickson (1583-1663), ministro presbiteriano, diz:

Em seu comentário da CFW, que recebeu o nome de "A Vitória da Verdade Sobre o Erro", ele escreveu:

"P. 3. Aqueles modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo cessaram? Sim. Deste modo, então, não estariam os Entusiastas e os Quakers errados, ao afirmarem que o Senhor não cessou de revelar a sua vontade, como ele o fez na antiguidade? Sim.

Por quais razões eles devem ser rejeitados? Tendo falado aos pais, por meio dos profetas, nestes últimos tem nos falado por meio de seu Filho (Hb 1:1-2). O apóstolo chamou o tempo do Novo Testamento de últimos dias, por que sob o mesmo período nenhuma alteração deveria ser esperada, senão que todas as coisas estavam completas e deveriam permanecer sem adição ou mudança, como ensinadas e ordenadas por Cristo, até o último dia (veja também Jl 2:28; At 2:27). Os modos e maneiras da antiguidade eram: primeiro, pela inspiração (2 Cr 15:1; Is 59:21; 2 Pe 1:21); segundo, por visões (Nm 12:6); terceiro, por sonhos (Jó 33:14-16; Gn 40:8); quarto, pelo Urim e Tumim (Nm 27:21; 1 Sm 30:7-8); quinto, por sinais (Gn 32:24-32; Êx 12:21); sexto, por voz audível(Êx 20:1; Gn 22:15). Todos findaram com a escrita(Êx 17:14), que é o mais seguro e infalível modo do Senhor revelar a sua vontade ao seu povo"(Truth's Victory Over Error, A Commentary of The Westminster Confession of Faith, pp.3-4)

b. John Owen(1616-1683), Ministro Congregacional:

“Dons que em sua própria natureza excederam completamente o poder de todas as nossas habilidades, essa dispensação do Espírito há muito cessou e onde ela agora é simulada por alguém, pode ser justamente presumida como um delírio entusiasmado”(Works of John Owen, IV:518.)

c. Thomas Watson (1620-1686)(Ministro Anglicano):

“Claro, há tanta necessidade de ordenação hoje como no tempo de Cristo e no tempo dos apóstolos, quando então havia dons extraordinários na igreja, os quais agora cessaram”(As Bem-Aventuranças, 140)

d. Mattew Henry (1662-1714)(Ministro Presbiteriano):

“O que eram esses dons nos é largamente dito no corpo do capítulo [1 Co 12], ou seja, ofícios e poderes extraordinários, concedidos a ministros e cristãos nos primeiros séculos, para a convicção dos descrentes, e propagação do evangelho”(Comentário Completo, em referência a 1 Coríntios 12).

“O dom de línguas foi um novo produto do espírito de profecia e dado por uma razão particular, retirar o judeu e demonstrar que todas as nações podem ser conduzidas à igreja. Estes e outros sinais da profecia, começaram como sinais, e há muiuto cessaram e foram deixados pra trás, e nós não temos nenhum incentivo para esperar um avivamento deles; mas, pelo contrário, somos direcionados para o chamado das Escrituras, a mais certa palavra de profecia, mais certa que vozes dos céus, e ela nos orienta a tomar cuidado, a busca-la e se firmar nela[2 Pedro 1:19]”(Prefácio ao Vol IV de sua Exposição do AT e NT, vii.)

e. George Whitefield (1714-1770), Ministro Metodista, diz:

"Nunca pretendi ter estas operações extraordinárias de fazer milagres, nem falar em línguas"(The Works of George Whitefield, Volume. 4, p.9)

f. John Gill 1697-1771)(Ministro Batista), diz:

“Agora esses dons foram concedidos comumente, pelo Espírito, aos apóstolos, profetas e pastores, ou anciãos da igreja, naqueles primeiros tempos: a cópia de Alexandria, e a versão Latina da Vulgata, dizem, "por um só Espírito"(Comentário de 1 Coríntios 12:9)

"Não; quando estes dons estavam presentes, nem todos os possuíam. Quando a unção com óleo, a fim de curar o doente, estava em uso, ela só foi executada pelos anciãos da igreja, e não pelos seus membros comuns, que deveriam buscar o doente nesta ocasião”(Comentário de 1 Coríntios 12:30.)

g. Jonathan Edwards(1703-1758)Ministro Congregacional:

“Nos dias de sua [Jesus] encarnação, os seus discípulos tinham uma medida dos dons miraculosos do Espírito, sendo habilitados desta forma para ensinar e fazer milagres. Mas, depois da ressurreição e ascensão, ocorreu o mais completo e notável derramamento do Espírito em seus dons milagrosos que já existiu, começando com o dia de Pentecostes, depois da ressureição de Cristo e Sua ascenção ao céu. E, em conseqüência disto, não somente aqui e ali uma pessoa extraordinária era dotada de dons extraordinários, mas eles eram comuns na igreja, e assim continuou durante a vida dos apóstolos, ou até a morte do último deles, mesmo o apóstolo João, que viveu por cerca de cem anos desde nascimento de Cristo, de modo que os primeiros cem anos da era cristã, ou o primeiro século, foi a era dos milagres.

Mas, logo após a finalização do cânon da Escritura quando o apóstolo João escreveu o livro do Apocalipse, não muito antes de sua morte, os dons miraculosos tiveram seu fim na Igreja. Pois, agora, a revelação escrita da mente e da vontade de Deus estava completa e estabelecida. Revelação na qual Deus havia perfeitamente gravado uma regra permanente e totalmente suficiente para Sua igreja em todas as eras. Com a igreja, e a nação judaica derrotada, e a igreja cristã e a última dispensação da igreja de Deus estabelecidas, os dons miraculosos já não eram mais necessários e, portanto, eles cessaram; pois embora eles tenham continuado na igreja por tantas eras, eles se extinguiram, e Deus fez com que fossem extintos porque já não havia ocasião favorável a eles. E assim foi cumprido o que está dito no texto: ‘Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão;. Havendo ciência, desaparecerá’. E agora parece ser o fim para todos os frutos do Espírito tais como estes, e agora não temos mais razões de esperar que eles voltem”(O Espírito Santo deve ser comunicado ao Santos para sempre, em na graça da caridade, ou amor divino", em 1 Coríntios 13:8)

(4)A opinião de vários teólogos::

(a)Benjamin B. Warfield[1851-1921), ministro presbiteriano, diz:

"Os escritos dos chamados Pais Apostólicos não contém qualquer alusão clara e segura sobre a operação de milagres nem sobre o exercício dos dons carismáticos, no tempo em que eles viveram"(Milagres: Ontem e Hoje, p.10):

(b)Ronald E. Watterson(1935-2016), ministro da Igreja dos Irmãos de Plymouth, em seu livrete Milagres", diz:

"Manifestações Sobrenaturais eram comiuns entre os primeiros seguidores de Jesus Cristo. Temos que constatar, porém, que os Apóstolos e demais cristãos daquela época não retiveram para sempre aquele Poder Miraculoso. Logo se perderam"(p.3)

(c)Robert G. Gromacki, ministro batista, diz:

"Nenhuma manifestação genuína de línguas se viu no período pó-apostólico até o fim da Reforma Protestante. Nos primeiros três séculos após a Reforma Protestante manifestações pervertidas de linguas ocorreram entre grupos heréticos de persuação doutrinária diferente. O pentecostalismo moderno é um movimento do século vinte com sua base na teologia arminiana de santidade"(O Movimento Moderno de Línguas, pp.211-212)

(d)o Dr. John C. Whitcomb, ministro da Igreja dos Irmãos de Plymouth, diz:

"Portanto, a história da Igreja confirma as evidentes inferências das Escrituras, que os sinais dos apóstolos, de todos os tipos, cessaram com a morte dos apóstolos"(Deseja Deus Que Os Crentes Operem Milagres Hoje?, pp.15-16)

(e)G. Steid e W. Missen, em sua obra "O Falar em Linguas e o Movimento Carismático", dizem:

"As línguas são claramente da mesmna natureza que aquelas expressões de extases que caracterizam os primeiros seguidores de Irving e os mórmons do dia de hoje. Indicam possessão satânica ao invés de poder divino, ainda que muito desse fenômeno é sinceramente uma forma agravada de histeria"(p.22)

(f)Brian Schwertley, ministro presbiteriano, em seu livro "O Movimento Carismáticos e as Novas Revelações do Espírito", diz:

"Infelizmente, o Movimento Carismático está deixando a pureza das doutrinas da Reforma e retornando ao subjetivismo, misticismo e à superstição de Roma"(p.53)

Diz mais:

"A Bíblia ensina que os dons, sinais e milagres serviram para um propósito; uma vez que ele foi cumprido, os dons cessaram"(Ibidem, p.58)

"O testemunho objetivo da História é de que esses dons cessaram após o encerramento do Canon do Novo Testamento"(Ibidem, p.58)

(f)O Rev. Josafá Vasconcelos, ministro presbiteriano, em sua obra "Nada Se Acrescentará diz:

"Penso que não há como alguém possa defender a tese da Suficiência das Escrituras admitindo que línguas e profeciais, nos moldes do Novo Testamento, não tenham cessado"(p.53)

(g)O Rev. Olivar A. Pereira, ministro presbiteriano, diz:

"No passado Deus usou visões, anjos, profecias, profetas e vários outros recursos(Hb 1:1-2). Porém,a revelação máxima e plena do ser de Deus se dá na pessoa de quem conforme o texto?"(Confissão de Fé de Westminster Comentada, p.14)

"Somente livros divinamente inspirados podem guiar o nosso coração na vontade de Deus"(Ibidem, p.16)

"Assim, a inspiração em relação às Escrituras não acontece mais - não existem novas revelações em relação a Bíblia"(Ibidem, p.18)

(h)Chad V. Dixhoorn, ministro presbiteriano, diz:

"A Bíblia também é necessária porque Deus não se revela por sonhos, visões e profetas. Esses meios de revelação já não são necessários e já não funcionam"(Guia de Estudos da Confissão de Fé de Westminster, p.32)

(i)O Rev. Joseph Pipa Jr, em seu livro "Confissão de Fé de Westminter, Um Guia de EStudos Para Igrejas, Escolas Cristãs e Educação Domiciliar", diz:

"Onde encontramos a Palavra de Deus hoje? Resposta: Encontramos a Palavra de Deus nas Escrituras, a Bíblia"(p.135)

(l)O Dr. Alexander A.Hodge, ministro presbiteriano, diz:

"Aprouve a Deus, subsequentemente, entregar essa revelação para ser escrita, a qual se encontra agora, exclusivamente, circunscrita nas Sagradas Escrituras"(p.53)

(m)Owen P. Robertson, teólogo reformado, diz:

"O fim da revelação significa que todas as formas anteriores de Deus fazer conhecida sua vontade à sua Igreja agora cessaram"(A Palavra Final, Resposta Bíblia à Questão das Línguas e Profecias Hoje, p.70)

(n)John F. MacArthur Jr, teólogo reformado norte americano, diz:

"A era apostólica foi maravilhosamente única, mas acabou. O que aconteceu então não deveria mais ser a norma para gerações sucessivas de cristãos"(Os Carismáticos, p.78)

(o)O Rev. Antonio Almeida, ministro presbiteriano, registra:

"De fato, desde os dias apostólicos nenhuma pretensa revelação do Espírito apresentou as credenciais de uma revelação sobrenatural nem foi acompanhada dos competentes sinais. Pelo contrário, as que publicamente pretendem impor-se, como as de Swendenborg e dos mórmons, estão em conflito com as verdades bíblicas, opõem-se à autoridade das Escrituras e são incompatíveis com a moral cristã. Quanto a casos de supostas revelações privadas, só alguns entusiastas vãos as têm pretendido e são incapazes de verificação"(Curso de Doutrina Bíblica, p.19)

(p)James Bunachan(1791-1868), teólogo presbiteriano, disse:

"Os dons miraculosos do Espírito há muito tempo foram retirados. Foram usados para cumprir com um propósito temporal. Foram usados como um andaime que Deus usou para a construção de um templo espiritual"(A Obra do Espírito Santo, p.34)

(q)Robert Shaw(1795-1863), ministro presbiteriano, diz:

"Durante a nova dispensação, Deus completou toda a revelação de sua vontade em seu Filho, e nenhuma nova revelação deveria ser esperada até o fim do mundo"(A Fé Reformada - Uma Exposição da Confissão de Fé de Westminster, p.6)

(5)Picaretas do Providencialismo Tem Fazendo Uso Truncado [Esquartejado] de Frases de Autores Reformados Falecidos, Para Fazêlos Falar a Linguaguem Continuísta!

(a)Um deles, citado por esses picaretas, é George Gillespie[1613-1648]. Eles fazem isso dessa citação de Gillespie:

"Devo dizer que, para a glória de Deus, havia na igreja da Escócia, tanto no momento da nossa primeira reforma, e depois da reforma, esses homens extraordinários que eram mais do que pastores e professores ordinários, até mesmo santos profetas que receberam extraordinárias revelações de Deus, e predizendo diversas coisas estranhas e notáveis, que consequentemente, vieram a acontecer pontualmente para grande admiração de todos que conheciam os detalhes. Tais eram Sr. Wishart o mártir, o Sr. Knox, o reformador, também o Sr. John Welsh, o Sr. John Davidson, Mr. Robert Bruce, o Sr. Alexander Simpson, Sr. Fergusson, e outros. Gastaríamos muito tempo para fazer uma narrativa aqui de todos estes particulares, e há muitos deles que são estupendos, que dar exemplo, de alguns poucos, pode parecer derrogar o restante, mas se Deus me der oportunidade, pensarei que vale a pena o tempo para fazer uma coleção dessas coisas (A Treatise of Miscelany Questions, by Gedeon Lithgovv & George Svvintoun, Edinburg, 1649, p.70)

E o que essa declaração prova em favor do providencialismo? ABSOLUTAMENTE NADA. E vou provar. Considere comigo:

- "Predizer" é "Dizer ou anunciar com antecedência O QUE VAI OU PODE ACONTECER"(Michaelis Online). Isso não torna nenhum desses homens(Wishart, Knox, John Welsh, John Davidson, Robert Bruce, Alexander Simpson, Fergusson) portadores do dom da profecia, porque o sentido da frase dependerá da pessoa a quem falamos, se é um profeta do AT ou um membro da igreja apostólica, possuidora de algum dom miraculoso do Espírito Santo, o que não vem ao caso aqui.. Alguém, tanto no AT como no NT, como pregador da mensagem de Deus traz mensagens para o povo, avisando de que poderiam ser alvos de bençãos ou castigos divinos(Dt 11:26-28; 30:19; Rm 2:1-11), aludindo a coisas que aconteceriam ou poderiam acontecer e obviamente essas coisas ocorreriam, já que são produtos da lei da semeadura(Gl 6:7-8)

- Afirmar que "homens como Wishart, Knox, Welsh, Davidson, Bruce, Simpson, e Fergusson receberam extraordinárias revelações de Deus, e dizendo de antemão que diversas coisas estranhas e notáveis, aconteceriam ou poderiam acontecer", não prova nem que eles estavam profetizando ao estilo do AT-NT, sem citar nenhuma fonte dos mesmos, é uma afirmação inútil, porque não temos nenhuma menção das coisas que eles supostamente disseram que iriam acontecer. A frase é uma indução ou pressuposição pessoal do autor, não provando nada. Quais foram as extraordinárias coisas que Deus supostamente revelou a eles? Não sabemos. Não temos nenhuma menção. Não há evidência de nada. Isso prova que providencialistas se alicerçam numa frase inútil. [Agora, logo abaixo, examinando os escritos dessas pessoas, a quem, se alegou, terem recebido extraordinárias revelações de Deus, não encontramos crenças de alguém que se considerasse continuista, expansionista ou que se considerasse a si mesmo como portador de revelações particulares e extraordinárias, vindas de Deus]. Providencialistas dão murros em pontas de faca.

Contudo, para vergonha pública deles, Gillespie diz:

"Eles podem desejar tanto um dom quanto o outro, para glorificar a Deus e aproveitar tudo[1 Co 12.7]; sim, eles podem orar por isso com fé para esses fins, e muito mais, porque em Mc 16:17, a promessa é feita aos crentes daquela primeira era"(Georgie Gillespie, A Treatise of Miscelany Questions, by Gedeon Lithgovv & George Svvintoun, Edinburg, 1649, p.81)

(b)Outro deles, citado por esses picaretas, é John Knox[1513-1572]. Contudo, Knox condena qualquer forma de continuísmo [incluisve o esporádico dos providencialismo], quando diz:

"Cremos e confessamos que as Escrituras de Deus são suficientes para instruir e aperfeiçoar o homem de Deus, e assim afirmamos e declaramos que a sua autoridade vem de Deus e não depende de homem ou de anjo"(I) Ele diz, ainda, em outro lugar:

"Embora não possamos esconder a verdade, afirmando que aquele que trabalhou fielmente nas línguas e nos escritos de homens piedosos é mais capaz de evitar erros e mais apto a ensinar a verdade e refutar o adversário do que aquele que é ignorante, a não ser na sua língua natural, sabemos que os milagres e os dons visíveis do Espírito Santo, dados nos dias dos apóstolos, agora cessaram"(Sobre a Predestinação', p.303).

Ele diz, ainda, em outro lugar:

"A vontade de Deus, claramente revelada em suas sagradas Escrituras, não apenas seguimos como uma lanterna que brilha diante de nós, dirigindo nossos caminhos, caminhando nas trevas desta mortalidade, mas também afirmamos que sua suficiência é tal que se um anjo vindo do céu, com maravilhas, sinais e milagres, nos declarasse uma verdade repugnante àquilo que já foi revelado, persuadindo-nos sobre isso a fundamentar nossa fé, ou a governar as ações de nossas vidas, nós o consideraríamos anátema, e de forma alguma o ouviríamos. Portanto, mais uma vez, não posso deixar de exortá-lo se por revelações poteriores você [me refiro a alguém, alguns de sua seita] tiver recebido algum novo conhecimento da vontade de Deus, pelo qual persuade os outros, de que o homem nesta vida deve ser puro e limpo, sem pecado; que Deus o expelirá, não apenas na ressurreição, mas enquanto andamos nos limites desta carne corruptível, assim como o sol resplandecente expele as nuvens escuras. Assim também os filhos de Deus devem dominar de tal modo os ímpios nesta terra que todos os tiranos e opressores orgulhosos se tornarão escravos dos piedosos e esse será o seu inferno e castigo, e o reino terreno dos outros será o seu céu e alegria prometidos. Examine se alguém de vocês está infectado com essas e outras fantasias grosseiras e tolas, que pela revelação de Deus você nunca será capaz de provar"(Ibidem, p.326)

Novamente, em sua obra "Dos Dons Espirituais Extraordinários", diz, aludindo a 1 Co 14:29-30 =

"Que a ordem seja observada em seu exercício, e especialmente que essa maneira seja dada a qualquer revelação imediata, e nenhuma confusão seja trazida à igreja por muitos falando ao mesmo tempo. E essa direção manifesta que o dom era extraordinário, e agora cessou; embora haja uma continuação de dons comuns do mesmo tipo, e para o mesmo fim, na igreja, como veremos depois, versículo 30"(The Works of John Knox, Volume 4, p.470)

E ainda, na mesma obra, ainda falando sobre o dom de discernimento de espíritos de 1 Co 14, diz:

"Aqui, portanto, Deus concedeu alívio para aqueles que eram menos habilidosos, ou menos cautelosos, ou menos capazes em qualquer conta para fazer um julgamento correto entre aqueles que eram realmente dotados de dons extraordinários do Espírito e aqueles que falsamente fingiam isso; pois essas pessoas receberam esse dom, e foram colocadas na igreja para esse mesmo fim, para que pudessem guiá-los e ajudá-los a fazer um julgamento correto nesta questão. E enquanto a comunicação desses dons é cessada, e consequentemente todas as pretensões a eles, a menos que por algumas pessoas frenéticas e entusiasmadas, não há necessidade da continuação desse dom de 'discernimento de espíritos'; essa regra infalível e permanente da Palavra e a assistência ordinária do Espírito são suficientes para nossa perseveração na verdade, a menos que nos entreguemos à conduta de concupiscências corruptas, orgulho, presunção, interesse carnal, paixões e tentações, que arruínam as almas dos homens"(Ibidem, p.472)

E ele ainda diz:

"Mas embora todos esses dons e operações tenham cessado em algum aspecto, alguns deles absolutamente quanto à maneira imediata de comunicação e grau de excelência; ainda assim, no que diz respeito à edificação da igreja no que diz respeito a eles, algo que é análogo a eles foi e é continuado. Aquele que deu 'alguns apóstolos, e alguns profetas e alguns evangelistas' deu também 'alguns pastores e mestres'. E como ele forneceu aos primeiros dons extraordinários, assim como qualquer coisa do mesmo tipo é necessária para a edificação contínua da igreja, ele concede também os últimos a ela , como será declarado"(Ibidem, p.475)

E ele continua, repetindo a mesma coisa, dizendo:

"Que eles não são comunicados a ninguém por uma inspiração repentina ou infusão extraordinária, como foram os dons de milagres e línguas, que foram concedidos aos apóstolos e a muitos dos primeiros convertidos. Essa dispensação do Espírito há muito cessou, e onde agora é pretendida por qualquer um, pode ser justamente suspeitada como uma ilusão entusiástica; pois assim o propósito desses dons, que em sua própria natureza excedem o poder total de todas as nossas faculdades, cessou, assim também cessa sua comunicação, e a maneira dela também"(Ibidem, p.518)

(c)John Welsh[1570-1622], é outro citado por esses picaretas. Contudo, o mesmo, em seu "Sermão 31'", diz:

"A coisa que deixamnos foi a indicação dos meios e e do uso que Deus tem, de Sua Palavra, ordenando que você estivesse ocupado nela enquanto está em sua peregrinação e durante a ausência do Senhor, Tua Cabeça; de modo que significa que Deus prometeu uma bênção, se você usá-los".

E no Sermão 48, declara:

"E quanto a ti que tem provado de uma Ira e que sabe o que é ser privado da Presença de Deus para sempre, nenhuma outra consolação te sustentaá mais do que esta do Espírito Santo revelado na Palavra".

- (d)Robert Bruce[1554-1631] é outro citado por esses picaretas. Contudo, em seu "5º Sermão sobre Isaías", diz:

"Como os fiéis, novamente, vejam as Escrituras, e olhem para a perfeição que é anelada nelas, olhem para o progresso e aumento da fé que é almejada nelas".

(e)Alexander Lockhart Simpson[1785–1861], é outro citado por esses picaretas. Contudo, em seu Sermão "A Tentação de Cristo", declara:

"Agora, este dever não pode ser conhecido sem o poder vivo da Escritura, e que, na sua ausência, tudo é comparativamente inútil, e a Escritura, que sozinha revela a obrigação e a ordem, é essencial para a nossa estabilidade no dia do mal. O Espírito Santo promete eficácia somente quando à defesa dos argumentos é extraída da Palavra de Deus".

(f)George Wishart[1513-1546], citado pelos providencialistas, foi aquele que traduziu para o inglês a primeira confissão de fé helvética em 1536, e essa confissão ensina a suficiência das Escrituras. Na realidade esse tipo de crença é questionada pelos cristãos escoceses, como admite a "The Scottish Christian Herald"(05.01.1839/28.12.1839, Volume I), afirmando:

"De tal maneira um escritor recente foi tão perfeitamente certo que no caso nossos antepassados não poderiam, receber premonições de eventos futuros, de modo que eles mantém esta infundada carga contra Wishart: 'Mais provável que ele deve ter sido dotado com o espírito de profecia', coisa inconsistente com a razão ou a religião em supor que Deus pode, em ocasiões especiais, tais como em tempos de perserguição, conceder a seus servos fiéis e piedosos, pensamentos e avisos de eventos futuros"(p.143)

A Confissão de Fé de Westminster[1643-1649], diz:

"Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”(I:1)

O cessacionismo dos puritanos que participaram da CFW[1643-1649], é 'herético', como pregam os picaretas do providencialismo? Quando a CFW defende o cessacionismo, ela o defende de forma parcial, temporal, ou completa, absoluta e perpétua? Quando ela diz: "Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo"(i:1), ela está defendendo que ainda alguns desses antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo, podem ser novamente usados? David Dickson[1583-1663], membro da Assembléia de Westminster, e um dos autores da Confissão e dos Catecismos Maior e Menor de Westminster, e o primeiro a comentar a CFW, então escrita em seus dias, comentando sobre a CFW I:1, diz:

"Essas antigas maneiras de Deus revelar sua vontade ao seu povo cessaram hoje? Sim. Por quais razões eles são refutados? Porque Deus, que em diversas épocas e de diversas maneiras falou antigamente aos pais pelos profetas, nestes últimos dias falou a nós por seu Filho[Hb 1:1-2]. O apóstolo chama o tempo do Novo Testamento de últimos dias porque sob o mesmo não há mais alteração as ser esperada, mas todas as coisas devem permanecer sem adicionar ou tirar, como foi ensinado e ordenado por Cristo, até o último dia[ver também Jl 2:28; At 2:17].

Os modos e maneiras antigas eram: primeiro, por inspiração[2 Cr 15:1; Is 59:21; 2 Pe 1:21]; segundo, por visões[Nm 12:6,8]; terceiro, por sonhos[Jó 33:14-16; Gn 40:8]; quarto, pelo Urim e Tumim[Nm 17:21; 1 Sm 30:7-8]; voz[Ex 20:1; Gn 22:13]. Tudo o que termina na Escrita[Ex 17:14], que é uma maneira segura e infalível do Senhor revelar a sua vontade ao seu povo"(Truth's Victory Over Error, A Commentary On The Westminster Confession of Faith['A Vitória da Verdade Sobre o Erro, Um Comentário da Confissão de Fé de Westminster], The Banner of the Truth Trust, PA, EUA, 2007, pp.3-4). Assim, todo providencialista é um maldito herege.

Providencialistas, o puritano, membro da Assembleia de Westminster e autor da CFW e dos Catecismos, quando diz que todos os antigos modos de Deus revelar sua vontade ao seu povo cessaram hoje, se refere primeiro as Escrituras como a única e a fonte final de toda a revelação de Deus. Depois, quando ele explica que antigos modos de Deus revelar sua vontade ao seu povo cessaram, se refere a "inspiração", "visões","sonhos" e o "Urim e Tumim". Isso significa não podemos ter e não temos hoje indivíduos portadores de inspiração divina, visões, sonhos e muito menos usando o Urim e Tumim. Logo, a primitiva opinião puritana diz não podem e não existem mais hoje ninguém, dentro da igreja, portador de inspiração divina, visões, sonhos e Urim e Tumim. Logo, continuísmo[pentecostalismo]com seus outros novos nomes[expansionismo e providencialismo], são sistemas heréticos e falsos. E, assim, qualquer um, que após a era apostólica, afirme possuir algumas dessas coisas, ou afirme que exista alguém portador de alguma dessas coisas, é um falso profeta.

Da mesma forma, interpretando o mesmo texto da CFW, diz Chad Van Dixhoorn, ministro presbiteriano:

"A Bíblia também é necessária porque Deus já não se revela por sonhos, visões e profecias. Esses meios de revelação já não são necessários e já não funcionam. William Gouge, um patriarca puritano da Assembléia de Westminster, argumentou que 'a pretensão de uma nova iluminação e de inspiração imediatas nos dias de hoje, é uma pretensão'. Francis Cheynell reclamou de pessoas de sua época que entregavam um púlpito depressa demais para qualquer um que tivesse convencido a si mesmo de que tinha uma interpretação espiritual da Palavra - fosse por inspiração, sugestão ou assistência do Espírito Santo. George Walker, outro membro da Assembléia que escreveu sobre o assunto, falou duramente contra homens fracos que diziamn para que as moças se cassassem comn eles por causa de alguma 'suposta inspiração e revelação divina'. Seja por falta de iniciativa ou por desespero, os homens não deveriam pressionar uma mulher a se casar com base no 'Deus disse' que fomos feitos um para o outro"(Guia de Estudos da Confissão de Fé de Westminster, p.32)

Assim, providencialistas, vossas opiniões, não batem com a opinião dos comentaristas antigos e modernos da CFW, nem dos antigos puritanos que fizeram parte da Assembléia de Westminster ou que foram autores dos três padrões doutrinários da mesma. Vocês não passam, na visão deste intérprete da CFW, de um defensor e ensinador de 'pretensões de homens', de um defensor de homens que convenceram a si mesmos que receberam revelação divina particular e especial; defensor de homens que acharam que eram particularmente iluminados e inspirados; em suma, você não passa de 'um fraco', daquele que toma uma decisão com base no "Deus disse" - ou seja, coisa de continuísta, negador da Suficiência das Escrituras.

O Rev. Olivar Pereira, em sua "Confissão de Fé de Westminster Comentada", diz:

"No passado Deus usou visões, anjos, profecias, profetas e vários outros recursos[cf. Hb 1:1-2]. Porém, hoje, a revelação máxima e plena ddo Ser de Deus se dá na pessoa de quem conforme esse texto[Hb 1:1]??"(p.14).

Visões, profecias, sonhos, línguas, para este comentarista da CFW é coisa do passado. Ele, entende, que toda a revelação completa de Deus se dá no seu Filho, que registrou toda a sua revelação em um livro[Ap 22:18-19), proibindo-nos de buscarmos ou crermos em qualquer outra moderna revelação supostamente atribuída a Ele, como ocorre nos antros dos hereges providencialistas.

(iv)Heresia é isso que vocês, providencialistas, trazem para a Igreja, quando ensinam que após o fechamento do Canon, ainda há manifestações esporádicas de visões, sonhos e profecias, porque nesse caso, vocês estão admitindo que temos duas fontes de revelação divina e duas fontes de vida eterna. Se há duas fontes de revelação divina, há também duas fontes de vida eterna, já que no dizer de Jesus, a Palavra de Deus é fonte de vida eterna(Jo 5:39). Se temos duas fontes de revelação divina, a Bíblia não é a única regra de fé e prática; e também não é a única fonte de vida eterna. Logo, um homem pode ser salvo, sem nunca ter ouvido a pregação das Escrituras, se ele teve acesso a moderna 'palavra de deus', essas novas revelações do 'espírito'[sonhos, visões, profecias, línguas]. Nesse caso, católicos romanos, mórmons, adventistas, testemunhas de jeová, muçulmanos, maçons, unicistas tem a mesma fé falsa e herética dos providencialistas.

(4)Providencialistas truncando frases de autores reformados falecidos, para fazê-los falar uma linguaguem favorável ao providecialismo, e sendo desmascarados!

(a)Citação de Lutero sobre os anabatistas 'continuístas':

"[...]apareceram três leigos procedentes da viznha Zwickau, que diziam ser profetas. Segundo eles, Deus lhes falava diretamente, enão tinham necessidade das Escrituras. Melanchthon não sabia o que responder a tais pretensões e pediu conbselho ao exilado em Wartburgo"(Renato Cunha 'Sob os Céus da Escócia', p.23)".

Comentário: (a)Olhem em negrito, a frase omitida:

"No princípio Lutero viu tudo isso com agrado. Porém, logo começou a ter dúvidas sobre o que estava acontecendoem Wittenberg. Quando Carlstadt e vários de seus seguidores se dedicaram a derrubar imagens. Lutero lhes aconselhoumoderação. Então apareceram em Wittenberg três leigos procedentes da vizinha Zwickau, que diziam ser profetas. Segundo eles, Deus lhes falava diretamente, e não tinham necessidade das Escrituras.Melanchthon não sabia o que responder a tais pretensões, e pediu conselho ao exilado em Wartburgo. Por fim Lutero deciou que o que estava em jogo era nada menos que o evangelho e regressou a Wittenberg. Antes dedar esse passo levou-o ao conhecimento de Frederico, o Sábio, porém deixando claramente que não esperava sua proteção, mas que confiava unicamente em Deus, em cujo serviço estava envolvido"(Ibidem, pp.77-78)

Então, fica claro, que não há nenhuma evidência do autor [Justo Gonzalez], tampouco de ?Lutero, considerar tais abanatistas como portadores do dom de profecia. A frase cita por Gonzalez é "que diziam ser profetas". Aideia de Gonzalez fica mais clara, quando ele, identificando tais homens, diz:

"Nesta nova rebelião, um fato veio somar-se às demandas económicas dos camponeses. Esse novo fator foi a pregação dos reformadores. Mesmo que Lutero não cria que sua pregação devesse ser aplicada em termos políticos, houve muitos que não estiveram de acordo com ele nesse ponto. Um deles foi Tomás Muntzer, natural de Zwickau, cujas primeiras doutrinas se pareciam muito com a dos profetas de Zwickau. Segundo ele, o que importava não era o texto das Escrituras, mas sim a revelação presente do Espírito Santo. Porém esta doutrina espiritualista tinha um aspecto altamente político, pois MuntLer cria que quem fosse nascido de novo por obra do Espirito devia unir-se em uma comunidade teocrática, para trazer o reino de Deus. Lutero havia obrigado Muntzer a abandonar a região, porém o fogoso pregador regressou e uniu-se à rebelião dos camponeses?"(Ibidem,p.81)

Assim fica claro que àqueles que "se diziam profetas" eram os mesmos que diziam que "o que importava não era o texto das Escrituras, mas sim a revelação presente do Espírito Santo". Esse é o coração do continuísmo católico romano e de seus filhotes [expansionismo, providencialismo, catolicismo romano, anabatismo, advenrismo, mormonismo, islamismo, moonismo, meninos de deus, unicismo, etc] - negar a Suficiência, Majestade e Suficiência das Escrituras.

(b)A citação truncade de Gonzalez sobre 'Santa 'Tereza de Ávila:

"Levada por tais visões, decidiu abandonar o convento de Encarnação, e fundar, também nos arredores de Ávila, o convento de São José. Depois de muita oposição, conseguiu que sua missão fosse reconhecida e, a partir daí, dedicou-se a fundar conventos por toda Castela e Andaluzia, o que lhevaleu o nome de 'andarilha feminina'... Ao mesmo tempo que se ocupava com estas funções que requeriam grande gênio administrativo e sensibilidade pastorai, Tereza foi uma mística dedicada àcontemplação de Jesus, que numa visão contraiu com ela núpcias espirituais. Suasobras místicas, entre as quais se contam: Caminho de Perfeição e Moradas do Castelo Interior, têm chegado a gozar de tamanha autoridade que em 1970 Paulo VI adeclarou 'doutora da igreja universal'"(Sob os Céus da Escócia, p.24).

A citação inteira de Gonzalez, sem cortes, é esta abaixo:

"Ao iniciar-se a 'era dos reformadores', eram muitos os que se doíam pelo triste estado a que haviam chegado asordens monásticas. Erasmo e os humanistas criticavam sua ignorância. Isabel e Cisneros tratavam de reformar as casas existentes, instando-as a voltar à estreita observância de suas regras. Quando os reformadores alemães começaram a fechar os conventos e os mosteiros, houve bons católicos que não se preocuparam grandemente com isso. O mesmo aconteceu na Inglaterra, quando Henrique VIII se apoderou das casas monásticas. Porém isto não quer dizer que toda vida monástica estava corrompida. Havia inúmeros monges e freiras que estavam convencidos de que era necessário reformar avida monástica, e que dedicavam-se a fazê-lo. Assim começaram a aparecer em diversas partes da Europa novas ordens. Algumas delas eram um esforço de voltar às antigas observâncias, entretanto outras iam mais longe, e tratavam de criar novas organizações que pudessem responder melhor às necessidades da época. Aliás, o melhor exemplo das primeiras foi a ordem das carmelitas descalças, fundada por Santa Tereza; e das segundas, a dos jesuítas, que devem sua existência a São Inácio de Loyola. Tereza passou a maior parte de sua juventude em Ávila, onde seu pai e seu avô tinham seestabelecido depois deterem sido condenados pela Inquisição de Toledo. Desde pequena sentiu-se atraída pela vida monástica, ainda que ao mesmo tempo a temesse. Quando finalmente uniu-se às freiras doconvento carmelita da Encarnação, nos arredores de Ávila, fê-lo contra a vontade de seu pai. Ali se tornou uma freira popular, pois seu gênio e seu encanto eram tais que o melhor da inteligência anciã vinha sempre conversar com ela. Fastiada com essa vida, que não lhe parecia ser um cumprimento de seus votos monásticos, dedicou-se a ler obras de devoção. Quando a inquisição proibiu a leitura dos livros que lhe tinham sido ajudadores, teve uma visão na qual Jesus lhe disse: 'Não temas, eu te serei como um livro aberto'. A partir daí suas visões foram cada vez mais freqüentes.

Levada por tais visões, decidiu abandonar o convento de Encarnação, e fundar, também nos arredores de Ávila, o convento de São José. Depois de muita oposição, conseguiu que sua missão fosse reconhecida e, a partir daí, dedicou-se a fundar conventos por toda Castela e Andaluzia, o que lhevaleu o nome de 'andarilha feminina'. Símbolo desua reforma e da antiga ordem das carmelitas eram as sandálias que levavam ela e suas freiras, e pelas quais foram conhecidas como 'carmelitas descalças'. São João da Cruz colaborou estreitamente com Santa Tereza, que através dele pôde estender sua reforma às casasdos varões. Portanto, Santa Tereza foi a primeira mulher em toda história da igreja a fundar, não somente uma ordem feminina, mas também uma ordem para homens, a dos 'carmelitas descalços'. Ao mesmo tempo que se ocupava com estas funções que requeriam grande gênio administrativo e sensibilidade pastorai, Tereza foi uma mística dedicada àcontemplação de Jesus, que numa visão contraiu com ela núpcias espirituais. Suas obras místicas, entre as quais se contam: Caminho de Perfeição e Moradas do Castelo Interior, têm chegado a gozar de tamanha autoridade que em 1970 Paulo VI adeclarou 'doutora da igreja universal'"(Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, pp.190-191)

A parte omitida da citação do Justo Gonzalez, feita pelo Sr. Renato Cunha, é bizarra. Ela mostra Jesus falando com uma freira idólatra, garantindo-lhe a apoio em seus intentos, e isso sem contar, que segundo o historiador romano, a freira idólatra foi declarada 'doutora da igreja universal'[católica], algo que a própria Igreja Romana negava às mulheres, que era o ofício de ensinar, como vemos George Leo Haydock[1774-1849], teólogo e sacerdote católico romano, afirmando:

"A mulher já tentou ensinar uma vez, quando persuadiu Adão a comer o fruto proibido, e falhou miseravelmente. Que ela agora se contente em permanecer em silêncio e submissão ao homem[S. Chrys. hic.], como também se depreende da ordem da criação. Veja o versículo 13. A sedução começou com Eva, um tema de profunda humilhação para as mulheres; mas isso não deve privá-las da confiança na misericórdia de Deus, nem lhes tirar a esperança da salvação"(Com de 1 Tm 2:12)

"Que as mulheres se calem e não falem de maneira alguma nas reuniões públicas da Igreja; e, se quiserem perguntar alguma coisa, que a perguntem em casa"(Com de 1 Co 14:34)

(c)A citação sobre o anabatista Melchior Hofmann[1495-1543]. Ela é feita assim pelo autor providencialista:

"O próprio Hotfman predisse que seria encarcerado por seis meses e que então viria o fim. Além disso, abandonou o pacifismo inicial dos anabatistas, declarando que ao aproximar-seo fim seria necessário que os filhos de Deus pegassem as armas contra os filhos das trevas. Quando foi encarcerado e se cumpriu assim a primeira parte da sua profecia, foram muitos os que correram para Estrasburgo na espera do sinal do alto para tomar as armas"(Sob os Céus da Escócia, p.30 - Citando Justo Gonzalez, 'A Era dos Reformadores', p.102)

Agora, vamos fazer a citação completa [com as palavras citadas por Cunha em itálico] sem cortes:

"Mesmo que muitos dos primeiros chefes do movimento fossem eruditos e quase todos eles fossem pacifistas, logo aquela primeira geração pereceu vítima da perseguição. E o movimento cada vez mais foi se fazendo radical, mesclando-se como ressentimento popular que havia dado lugar diante da rebelião dos camponeses. Pouco a pouco, o pacifismo original foi esquecido e o movimento tornou-se violento. Ainda antes do surgimento do movimento anabatista, Tomás Muntzer tinha unido algumas das doutrinas, que depois o movimento promulgaria, com ânsias de justiça por parte dos camponeses. E agora muitos anabatistas faziam o mesmo. Entre eles se contava Melchor Hoffman, correeiro que tinha sido pregador leigo luterano na Dinamarca, mas que, mais tarde,tinha deixado as doutrinas de Lutero a respeito da ceia, transformando-se num seguidor de Zwínglio. Em Estrasburgo onde o anabatismo era relativamente forte e havia uma certa medida de tolerância, Hoffman se tornou anabatista. Pouco depois começou a anunciar que o dia do Senhor estava próximo. Sua pregação inflamou as multidões, que correram para Estrasburgo, onde segundo ele seria estabelecida a Nova Jerusalém. O próprio Hotfman predisse que seria encarcerado por seis meses e que então viria o fim. Além disso, abandonou o pacifismo inicial dos anabatistas, declarando que ao aproximar-se o fim seria necessário que os filhos de Deus pegassem as armas contra os filhos das trevas. Quando foi encarcerado e se cumpriu assim a primeira parte da sua profecia, foram muitos os que correram para Estrasburgo na espera do sinal do alto para tomar as armas. Porém o fato de que a cada dia eram mais os anabatistas que havia na cidade, obrigou as autoridades a tomarem medidas cada vez mais repressivas. E Hoffman continuava encarcerado.

Então alguém disse que na realidade a Nova Jerusalém seria estabelecida, não em Estrasburgo, mas sim em Münster. o Movimento Anabatista - Nessa cidade o equilíbrio entre os católicos e protestantes era tal que existia uma trégua entre todos os partidos e como conseqüência disso não se perseguia aos anabatistas. Para lá foram os visionários e o povo cuja crescente opressão havia levado ao desespero. O reino viria logo. Viria em Münster. E então os pobres receberiam as terras por herança. Rapidamente o número dos anabatistas em Münster foi tal que conseguiram apoderar-se da cidade. Seus chefes eram um padeiro holandês, João Matthys, e seu principal discípulo, João de Leiden. Uma das primeiras providências foi mandar os católicos para fora da cidade. O bispo, expulso de sua sede, reuniu um exército e sitiou a Nova Jerusalém. Enquanto isso, dentro da cidade, se insistia cada vez mais em que tudo se ajustasse à Bíblia. Os protestantes moderados foram também considerados ímpios. Constantemente se destruíam as esculturas, pinturas e demais objetos do culto tradicional. Fora da cidade o bispo matava a todos os anabatistas que caíssem em suas mãos. Os defensores se exaltavam cada vez mais, à medida em que a situação piorava, pois os alimentos seescasseavam. Diariamente havia aqueles que criam receber visões do alto. E numa saída militar contra as forças do bispo, João Matthys caiu morto, e João de Leiden o sucedeu. Devido à guerra constante e o êxodo de muitos varões, a população feminina da cidade era muito maior que a masculina, e João de Leiden decretou a poligamia, usada pelos patriarcas do Antigo Testamento. Por lei, toda mulher na cidade deveria estar casada com algum homem. O sítio se prolongava e, ao mesmo tempo que os sitiados necessitavamde alimentos, os fundos do bispo começaram a terminar. Numa ação desesperada, João de Leiden saiu com um punhado de homens e derrotou numa escaramuça os soldados do bispo. Então, em celebração daquela vitória, ele foi proclamado rei da Nova Jerusalém. Porém, pouco depois, um grupo de habitantes da Nova Jerusalém, talvez fastiados pelos excessos que se cometiam, ou talvez impulsionados pela fome e pelo medo, abriram as portas da cidade para o bispo, cujas tropas arrasaram os defensores do reduto apocalíptico. O rei da Nova Jerusalém foi preso e exibido por toda região, com seus principais assessores, em jaulas individuais de ferro. Pouco depois foram torturados e executados.Assim terminou o principal broto do anabatismo revolucionário. Melchor Hoffman continuou encarcerado e esquecido, ao que parece, até asua morte. Eaté o dia de hoje, na igreja de São Lamberto, em Münster, podem ser vistas as três jaulas em que foram exibidos o rei e seus dois principais assessores"(Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, pp.102-104)

Embora, Justo Gonzalez tenha dito que Hoffmann havia profetizado que seria encarcerado por seis meses, ele é desmentido pelo biógrafo de Hoffman - Friedrich Otto zur Linden[1857-1927] -, pastor luterano, que em seu livro "Melhior Hoffmann, Um Prfoeta dos Anabatistas", afirma que tal 'profecia' não foi feita por Hoffman:

"Um ancião da Frísia Oriental profetizou, como relata o Abade Philipsz, que Hofmann teria de ir a Estrasburgo, onde seria preso por seis meses e, após sua libertação, conduziria seus seguidores à vitória sobre todas as potências mundiais"(p.305)

Seu biógrafo diz que enquanto esteve preso, Hoffmann negava a doutrina da encarnação do Senhor Jesus oriunda do corpo e sangue de Maria:

"Hofmann resumiu seus ensinamentos, que já apresentamos a partir de seus escritos, em quatro teses. Na primeira, ele afirmou 'que o Verbo eterno de Deus não assumiu nossa natureza e carne da Virgem Maria, mas se fez carne, de modo que nosso Senhor Cristo não tem dois, mas apenas um Pai'. Hofmann ofereceu quatro razões principais para isso no Sínodo. Primeiro, ele se referiu a Jó 1:14. Não diz, disse ele, que o Verbo assumiu carne, mas que se fez carne. Assim, Cristo tinha apenas uma natureza, nenhuma carne terrena, mas apenas a santa carne celestial. Se Jesus, afirmou ele enfaticamente, tivesse assumido a carne de Maria, teria carregado a carne amaldiçoada de Adão. Com isso, ele nunca poderia nos redimir, nem poderia servir como alimento para a vida eterna. Pois maldita é a carne de Maria. Como terceira razão, ele citou 1 Co 15:47: 'O primeiro homem era da terra e da terra; o outro homem é Senhor do Céu'. Agora vão, como testemunha Jó 3:13. Ninguém sobe ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu.

Finalmente, Hofmann tenta provar sua doutrina comparando-o a Melquisedeque, de quem Hebreus 7:13 afirma que era sem pai, sem mãe, sem linhagem, sem princípio e sem fim de vida. Todos esses atributos são atribuídos a Jesus como o verdadeiro Melquisedeque. Portanto, Jesus não é filho de Davi; aliás, em Mateus 22, ele se autodenomina Senhor de Davi. Jesus é o Filho de Deus, como as Escrituras ensinam em inúmeros lugares. É verdade que, em outros lugares, também se refere a ele como descendente de Abraão e Davi. Mas aqui, segundo a peculiar evasiva de Hofmann, Abraão é apresentado como uma figura de Deus, Davi como uma figura do Espírito Santo. Além disso, poder-se-ia dizer também que, na medida em que o Filho de Deus adotou Maria como sua mãe, ele adotou a descendência de Abraão; só que ele não recebeu carne e sangue de Maria, mas sim, da boca de Deus, foi concebido pelo Espírito Santo no ventre de Maria e nela se tornou 'uma Palavra de Deus corpórea, tangível e visível'.

A última frase parece ser um fragmento e foi omitida da tradução. Romanos 7 e Filipenses 2 testemunham que Cristo não se tornou plenamente humano, mas apenas à semelhança de um ser humano. O propiciatório no tabernáculo não continha nenhum metal além do ouro; portanto, Cristo também não possuía nada da natureza pecaminosa de Adão"(Ibidem, pp.329-330)

Mais adiante, seu biógrafo afirma que Hoffmann foi declarado 'profeta' por seus discípulos:

"Este Melchior Hofmann foi proclamado por seus discípulos como o grande profeta e apóstolo que surgiria nos Países Baixos antes do grande dia do Senhor e espalharia o verdadeiro Evangelho por toda parte"(Ibidem, p.333).

Seu biógrafo continua:

"É particularmente importante aqui que Hofmann, antes de sua partida da Nova Jerusalémque ele pretendia empreender à frente de seus 144.000 companheiros de fé para realizar o batismo de sangue contra os incrédulos no verão de 1533esperava um cerco a Estrasburgo com base nas profecias de seus seguidores. Este cerco tinha como objetivo ajudar o seu evangelho a romper barreiras e levar ao hasteamento da bandeira da justiça. Ele parece ter situado o início deste cerco por volta de julho de 1533, pois Butzer afirma, em nosso lugar, que essa expectativa já havia se provado falsa naquela época"(Ibidem, pp.334-335)

E o seu biógrafo continua, e confirma que Hoffmann era um falso profeta e que suas 'profecias' não se cumpriram:

"Não foi o relato de Butzer, mas o de Hofmann que circulou na Holanda; e dia após dia o fervoroso entusiasmo dos melquioritas crescia, dia após dia aumentava o número daqueles que peregrinavam à nova Jerusalém, para estarem perto do local da tão esperada virada. O cerco de Estrasburgo, profetizado por Hofmann para o verão, não ocorreu"(Ibidem, p.341)

Seu bíogafo continua a desmascará-lo como falso profeta:

"Mesmo quando se aproximava o momento que traria a catástrofe final, ele passou. O céu sempre mostrava ao espião impaciente a mesma expressão fria e não se importava com as esperanças e os cálculos do profeta solitário na torre de Estrasburgo. Não temos informações mais detalhadas sobre o prisioneiro daquela época; mas podemos imaginar a situação do homem. Seria sua vocação nada mais que uma ilusão vazia, e a missão pela qual ele lutou com tanta ferocidade, que suportou de forma tão indizível, baseada apenas em falsidade e engano? Seria toda a sua interpretação das Escrituras, as profecias de seus profetas, meramente erro e autoengano? Tais dúvidas podem ter passado momentaneamente pela mente do homem, e o fato de que, justamente quando se esperava seu triunfo mais glorioso, ele adoeceu, talvez como resultado das dificuldades que voluntariamente suportou, pode ter contribuído ainda mais para paralisar momentaneamente as asas de sua fé. [O texto termina abruptamente aqui, então a tradução também para.] Mas não, não poderia ser assim; Os erros dos "Papéis Timbrados" eram evidentes demais para que pudessem ser comprovados contra ele. O favor do destino havia acompanhado suas interpretações das Escrituras e os pronunciamentos dos profetas de forma tão óbvia que era impossível dissuadi-lo completamente de sua missão, e ele estava acostumado demais a ser o oráculo de milhares para renunciar a esse papel tão facilmente. Certamente, havia apenas um pequeno erro no cálculo do tempo, sobre o qual ele sempre tivera alguma hesitação; era simplesmente uma questão de esperar um pouco para envergonhar o triunfo prematuro de seus oponentes. Essas podem ter sido as considerações pelas quais o prisioneiro recuperou sua antiga confiança, e seus discípulos se confortaram com pensamentos semelhantes. De fato, não temos qualquer indicação de que o não cumprimento da profecia no tempo determinado significasse que Hofmann... Sua posição entre seus seguidores em Estrasburgo já havia sofrido uma perda considerável naquele momento"(Ibidem, pp.342-343)

Mas. o seu biógrafo não para de descrevê-lo como um falso profeta:

"O próprio Hofmann, recuperado de sua doença, ainda demonstrava seu antigo fervor em 1534 e procurava ocultar o infortúnio inerente à necessidade de adiar o Último Dia, comportando-se com ainda mais confiança"(Ibidem, p.345)

O seu biógrafo continua:

"Essas descobertas provavelmente resultaram no endurecimento das penas de prisão de Hofmann e na troca de seu carcereiro. Assim, o ano de 1534 também chegou ao fim sem que a tão esperada reviravolta dos acontecimentos tivesse ocorrido, ou mesmo um sinal de sua aproximação tivesse surgido"(Ibidem, p.347)

E 0 seu biógrafo continua o desmascarando como falso profeta:

"O ano de 1535 também passou sem que as esperanças do prisioneiro solitário se concretizassem. Finalmente, principalmente em consequência do agravamento das condições prisionais que ele tão ousadamente provocara anteriormente, sua confiança sofreu um duro golpe. Assim como o verdadeiro Elias experimentou um momento de profundo desalento sob o arbusto de zimbro, também vemos seu sucessor sucumbir ao desespero por um tempo na primavera de 1536.

Em 20 de abril daquele ano, ele reclamou que havia permanecido em sua cela por muito tempo e que fora mantido com muita dureza pelo alfaiate Jörg, seu carcereiro. Jörg lhe dava pão amanhecido e água com mau cheiro, e o prisioneiro constantemente tinha que ouvir palavras duras dele e de seus servos. Eu imploro, pelo amor de Deus, que os magistrados, por gentileza, garantam que ele não seja açoitado com duas varas, mas sim mantido em condições toleráveis. Espero também que ele seja colocado em outra torre. Alguns dias depois, ele foi informado, por ordem do conselho, que, embora sua prisão não pudesse ser alterada, 'seu guarda poderia cozinhar o que ele desejasse no futuro'. No estado de espírito abatido de Hofmann na época, considerou-se aconselhável informá-lo da queda de Münster, a fim de destruí-lo completamente e desestabilizá-lo em sua causa. Pois, em 1534, ele havia afirmado que uma cidade com tantos profetas não poderia perecer. Quando um panfleto impresso sobre a catástrofe de Münster foi enviado para chamar sua atenção para a queda da nova Sião, ele pareceu, a princípio, ficar verdadeiramente perplexo"[p.348]

(d)A citação de Earlie Carnes, [truncada pelo autor providencialista Rento Cunha], sobre Catarine de Sien, é essa:

"O místico deseja um contato direto com Deus pela intuiçãso imediata ou pela contemplação. Os místicos desse período podem se classificar em dois grandes grupos: os místicos latinos e os místicos teutões. Os místicos latinos por terem uma visão mais emocional da vida do que os teutões, viram o misticismo como uma experiência emocional de Cristo. Foi esta a ênfase, pór exemplo, de Berbardo de Clairvaux no século XII [...], Caatarina de Sena[1347-1380] representou bem o miisticismo latino. Ela cria firmemente que Deus lhes falava em visões, visões estas que sempre usou para propósitos dignos. Foi ela que sempre usou para propósitos dignos. Foi eka quem denunciou intimoratamente os abusos clericais e, em nome de Deus, conseguiu persuadir Gregório IX a voltar de Avignon para Roma em 1377"(Earle Carins, 'O Cristianismo Através dos Séculos, Uma História da Igreja Cristã, são Paulo, Vida Nova, pp.202-203).

Já a citação feita na íntegra de Earle Carnes é totalmente diferente da Sr. Renato Cunha, pois não mencioan expressões que ele coloca em seus livro. Acompanhe conosco:

"O místico deseja um contato direto com Deus pela intuição imediata ou pela contemplação. Se a ênfase se coloca na união da essência dos místicos com a essência da divindade na experiência do êxtase, que é a coroação da experiência mística, estamos diante de um misticismo filosófico. Se a ênfase reside numa união emocional com a divindade pela intuição, o misticismo é psicológico. O principal objetivo em ambos é a apreensão imediata de Deus numa forma extra-racional em que o místico espera por ele numa atitude receptiva e passiva. Esses dois tipos de misticismo são vistos no século XIV"

Note. Não aparecem as expressões "Os místicos desse período podem se classificar em dois grandes grupos: os místicos latinos e os místicos teutões. Os místicos latinos por terem uma visão mais emocional da vida do que os teutões, viram o misticismo como uma experiência emocional de Cristo. Foi esta a ênfase, pór exemplo, de Berbardo de Clairvaux no século XI". Isso não lhe soa estranho? Isso só vai aparecer na p.223:

"Os místicos desse período podem se classificar em dois grandes grupos: os místicos latinos e os místicos teutões. Os místicos latinos por terem uma visão mais emocional da vida do que os teutões, viram o misticismo como uma experiência emocional de Cristo. Foi esta a ênfase, pór exemplo, de Berbardo de Clairvaux no século XII".

Após essa citação, bem mais adiante, é que Eale vai citar Catarina de Sena bem depois, no próximo parágrafo, não mesmo paragráfo que Sr. Renato Cunha citou. Ei-lo:

"Catarina de Sena representou bem o misticismio latino. Ela cria firmemente que Deus lhe falava em visões, e parece que ela sempre usou essas visões para propósitos dignos. Foi ela quem denunciou incessamente os abusos clericais e, em nome de Deus, consegiu persuadir Gregório XI a voltar de Avignon para Roma em 1376. Sua coragem levou-a a se opor ao pecadom praticado pelo papado"(Ibidem, p.223)

Note bem. O autor não está dizendo que ela tinha visões reais, mas que ela alegava ter essas visões. Portanto, isso não serve aos propósitos do providencialismo desse cidadão, e como frase, não pessa de uma escumaçha e rebotalho - uma verdadeira inutilidade. Agora o que me causa estranheza é o porque do Sr. Cunha opimir a última frase de Earle sobre ele: "Sua coragem levou-a a se opor ao pecadom praticado pelo papado". Por que omitir essa frase final? O leitor pode tirar suas próprias conclusões!

Mas, a próxima frase do Earle Caierns, aludindo a este misticismo [essas criações mentais falsas, de gente como Catarina de Sen, citada truncadamente pelo cidadão é ainda mais bizara. Ei-la:

"Refletiu a tendência contante par ao aspecto subjetivo do cristianismo que sempre se manifesta quando se acenntua demais os atos externos da adoração cristã. Neste sentido, o misticismo pode ser visto como antecipador do toque mais pessoal da religião que seria uma das características fundamentais da Reforma"('Sob os Céus da Escócia', citando Earle Cairns, na p.204).

Agora, acompanhe a citação inteira, sem os cortes:

"Refletiu a tendência contante par ao aspecto subjetivo do cristianismo que sempre se manifesta quando se acenntua demais os atos externos da adoração cristã. Neste sentido, o misticismo pode ser visto como antecipador do toque mais pessoal da religião que seria uma das características fundamenta. Os perigos da substituição da Bíblia pela autoridade interior subjetiva e da minimização da doutrina foram alguns dos desvios desse movimentio. Em seus excessos, como foi o de Meister Eckhart, há o mperigo de ser tão passivo que seus adeptos tornam-se introspectivos e anti-sociais. No caso de Eckhart, o movimwentio inclinou-se filosoficamente para uma espécie de panteísmo que identificava Deus com sua criação e suas criaturas"(O Cristianismo Através dos Séculos, Uma História da Igreja Cristã, são Paulo, Vida Nova, p.224).

Note, que o autor [Earle Cairns] está dizendo que o misticismo pode ser visto como um tipo de precursor da Reforma. Ele não está endossando esta posição, mas está se referindo a alguns grupos heréticos que a endossariam. Sua frase, citada pelo Sr. Cunha, não serve absolutamente pra nada, em defesa do providencialismo. Antes, ele vai deixar bem claro que discorda dessa visão, quando afirma posteriormente que esse tipo de visão representa "os perigos da substituição da Bíblia pela autoridade interior subjetiva e da minimização da doutrina foram alguns dos desvios desse movimento", e ainda dispera contra essa visão, dizendo que ela "inclinou-se filosoficamente para uma espécie de panteísmo que identificava Deus com sua criação e suas criaturas". Sua atitude não tem nada haver com as posições providencialistas do Sr. Cunha, que entende que a posição continuísta, isto é, o misticismo [as supostas experiências pessoais - as pseudo conversas com Jesus, visões, profecias, sonhos, etc] ao invés da Bíblia, leva o homem a quebrar o formalismo e o ajuda a se aproximar de Deus:

"Se o misticismo influenciou a Igreja do passado a romper com o formalismo e a buscar um contato mais aproximado com Deus, hoje as motivações não diferem muito. Essa tensão acomnpanha a igreja desde os primóridios, Os problemas do passado se reproduzem hoje, ora com maior, ora com menor intensidade. Os movimentos de viéis carismático são, em grande parte, a busca por uma vida mais próxima de Deus e do seu Espírito como uma reação natural de grupos quew se ressentem de frieza espiritual. É o que veremos na seção seguinte"(Sob os Céus da Escócia, p.27)

(d)Os comentário dos Sr. Cunha sobre a CFW(I:1) são uma negação da posição cessacionista absoluta deste documento reformado:

"Mas, estariam os senhores deputados de Westminster encerrando questão quanto à cessação da revelação pós-canon? Particularmente, entendemos que não"(Sob os Céus da Escócia, p.37)

"A nosso ver, não trata de cessação dos dons de revelação como a erudição cessacionista tem sugerido"(Ibidem, p.40)

"Os teólogos de Westminster deixam claro que a revelação nas Escrituras não é o único modo de Deus revelar-se ao homem, ainda que seja o mais seguro. Ressalta-se que meio mais seguro não significa 'único' meio. Circunscrever a atividade providencial de Deus à Escritura revela-se reducionista em todos os sentidos"(Ibidem, p.41)

"Em segundo lugar, ao sentenciarem que 'isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo', sobretudo no tocante a haver cessado os antigos modos de Deus revelar a sua vontade, não significa necessariamente que aqueles deputados tinham em mente que Deus só se revelaria através das Escrituras, muito menos que encerrara total e completamente suas revelações"(Ibidem, p.42)

Os primitivos e modernos comentaristas da CFW rejeitam essa interpretação do Sr. Cunha, mostrando assim uniformidade na interpretação dessa seção da CFW. David Dickson[1583-1663], puritano, presbiteriano e membro da Assembléia de Westminster, e um dos autores da Confissão e dos Catecismos Maior e Menor de Westminster, comentando sobre a CFW I:1, diz:

"Essas antigas maneiras de Deus revelar sua vontade ao seu povo cessaram hoje? Sim. Por quais razões eles são refutados? Porque Deus, que em diversas épocas e de diversas maneiras falou antigamente aos pais pelos profetas, nestes últimos dias falou a nós por seu Filho[Hb 1:1-2]. O apóstolo chama o tempo do Novo Testamento de últimos dias porque sob o mesmo não há mais alteração a ser esperada, mas todas as coisas devem permanecer sem adicionar ou tirar, como foi ensinado e ordenado por Cristo, até o último dia[ver também Jl 2:28; At 2:17].

Os modos e maneiras antigas eram: primeiro, por inspiração[2 Cr 15:1; Is 59:21; 2 Pe 1:21]; segundo, por visões[Nm 12:6,8]; terceiro, por sonhos[Jó 33:14-16; Gn 40:8]; quarto, pelo Urim e Tumim[Nm 17:21; 1 Sm 30:7-8]; voz[Ex 20:1; Gn 22:13]. Tudo o que termina na escrita[Ex 17:14], que é uma maneira segura e infalível do Senhor revelar sua vontade ao seu povo"(Truth's Victory Over Error, A Commentary On The Westminster Confession of Faith['A Vitória da Verdade Sobre o Erro, Um Comentário da Confissão de Fé de Westminster], The Banner of the Truth Trust, PA, EUA, 2007, pp.3-4)

Da mesma forma, interpretando o mesmo texto da CFW, diz Chad Van Dixhoorn, ministro presbiteriano, diz:

"A Bíblia também é necessária porque Deus já não se revela por sonhos, visões e profecias. Esses meios de revelação já não são necessários e já não funcionam. William Gouge, um patriarca puritano da Assembléia de Westminster, argumentou que 'A pretensão de uma nova iluminação e de inspiração nos dias de hoje, é uma pretensão'. Francis Cheynell reclamou de pessoas de sua época que entregavam um púlpito depressa demais para qualquer um que tivesse convencido a si mesmo de que tinha uma interpretação espiritual da Palavra - fosse por inspiração, sugestão ou assistência do Espírito Santo. George Walker, outro membro da Assembléia que escreveu sobre o assunto, falou duramente contra homens fracos que diziam para que as moças se casassem com eles por causa de alguma 'suposta inspiração e revelação divina'. Seja por falta de iniciativa ou por desespero, os homens não deveriam pressionar uma mulher a se casar com base no 'Deus disse' que fomos feitos um para o outro"(Guia de Estudos da Confissão de Fé de Westminster, p.32)

O Rev. Olivar Pereira, em sua "Confissão de Fé de Westminster Comentada", diz:

"No passado Deus usou visões, anjos, profecias, profetas e vários outros recursos[cf. Hb 1:1-2]. Porém, hoje, a revelação máxima e plena do Ser de Deus se dá na pessoa de quem conforme esse texto?"(p.14).

(e)A citação de Richard Baster[1615-1691]:

"Todavia, alguns teólogos reformados foram além destes severos limitados que a teologia cessacionista impõe. Com efeito, Richard Baxter[1615-1691] entendia que Deus pode, se ele escolher assim fazê-lo, revelar eventos ou questões de fato do cotidiano. Por 'eventos' podemos presumir que Baxter tenha em mente acontecimentos futuros, como as profecias de John Huss, de Wishart, de Knox, et al, por exemplo? Pensamos que sim"(Ibidem, p.44).

Daí, o Sr. Cunha cita a obra "Practical Works of Richard Baxter". Há vários volumes desta obra, de formas que, quando o autor alega um fato ligado a Baxter, sem citar o volume, como podemos conferir a frase? Não há como se provar a veracidade do argumento do autor. O argumento é nulo, quando impossibilita o leitor de conferir a citação.

(f)A citação sobre John Huss:

"Quando Hus estava sendo executado à morte na fogueira registra-se que tinha dito: 'Hoje vocês estão assando um ganso, mas dentro de um século encontrar-se-ão com um cisne, e este cisne vocês não poderão queimar'. O nome Hus significava 'ganso' no idioma boêmio. O cisne a quem Hus se referia era Lutero, que surgiu 102 anos depois com as 95 teses"(Ibidem, p.44).

Olhem a ingenuidade do autor Renato Cunha. Ele acaba de confessar que não houve nenhuma profecia real ou literal na suposta fala de Huss. Porque quando uma profecia marcava uma data, ela se cumpria exatamente naquela data. A profecia de Cristo sobre sua ressurreição ao terceiro dia, é evidência disso(Mt 12:40; 16:21; 17:22-23; Lc 9:22; Jo 2:19-21 comp. com Mt 28:1; Mc 16:1-2; Lc 24:1-6, 19-31; Jo 20:1-9). Lutero nasceu em 1483, portanto, menos de cem anos após a morte de Huss; e iniciou a Reforma com as 95 teses em 1517, portanto, 102 anos após a morte de Huss. Nem seu nascimento e nem o início de seu ministério como Reformador se deram cem anos após a morte de Huss. Logo, não houve nenhuma profecia na suposta fala de Huss. No máximo, o que podemos entender dessa fala [se ela realmente ocorreu], é que Huss estava apenas conjecturando sobre o aparecimento de alguém que continuaria seus esforços de lutar contra a falsa igreja, levando em consideração que Deus nos ensina que sempre restará um remanescente eleito que não se dobraria diante de Baal(Rm 11:1-7), sem que isso esteja preso a uma data específica.

(g)A citação das Institutas de Calvino[IV; 3:4]:

O Sr. Reanto Cunha, na vã tentativa de encontrar apoio em Calvino para o falso dogma do providencialismo, cita as Institutas, fora do contexto, para fazer Calvino falar como providencialista. Assim ele registra a fala de Calvino:

"Não negue que depois houve também apóstolos, ou perlo menos evangelistas no lugar deles. Deus, às vezes, os suscitava, como ocorreu em nosso tempo. Pois, por meio deles, se fez necessário que se reconduzisse da deserção ao Anticristo, de volta a Igreja"(Institutas, IV; 13:4).

Agora veja a frase com o contexto:

"Segundo esta interpretação, a qual me parece coerente tanto com as palavras quanto com a opinião de Paulo, essas três funções não foram por isso instituídas na igreja para que fossem perpétuas, mas apenas para esse tempo em que deveriam ser implatadas igrejas onde nenhuma havia antes existido, ou certamente tinham de ser transpostas de Moisés para Cristo. Embora eu não negue que depois houve também apóstolos, ou pelo menos evangelistas no lugar deles. Deus às vezes os suscitava, como ocorreu em nosso tempo. Pois, por meio deles, se fez necessário que reconduzissem da deserção do Anticristo, de volta a Igreja. Contudo, ao próprio ofício chamo extraordinário, porquanto ele não tem lugar nas igrejas regularmente constituídas"(Institutas, IV; 3:4)

Calvino, com essa declaração, quando faz alusão a "profetas", "evangelistas", afirmando que "Deus às vezes os suscitava, como ocorreu em nosso tempo. Pois, por meio deles, se fez necessário que reconduzissem da deserção do Anticristo, de volta a Igreja, não está dizendo literalmente que Deus levantou esses ofícios extraordinários na época da Reforma, mas de forma metafórica, como um tipo de figura de linguagem, exatamente àquela mesma linguagem que Lucas usou no NT, para chamar 'Barnabé' de "apóstolo"[no sentido de 'um enviado'] em At 14:14 [pois sabemos que Paulo foi o último dos apóstolos - 1 Co 15:8; e que João diz que não houve mais do que doze apóstolos - Ap 21:14], no sentido de se referir a ele como alguém enviado por Deus para ajudar na implantação da obra missionária, ajudando os apóstolos nesse sentido. Lembrando que até Jesus foi chamado metaforicamente de "apóstolo"(Hb 3:1]. Acaso, foi Jesus literalmente um apóstolo, de acordo com os moldes de At 1:21-22? Não. Esse é o mesmo sentido que Calvino usou aqui, para falar dos pré-reformadores e dos outros reformadores que o ajudaram a combater o Anticristo [o papa] e a retirar os eleitos que foram salvos dentro da igreja romana para as igrejas reformadas, razão pela qual, ele termina sua citação dizendo:

"Contudo, ao próprio ofício chamo extraordinário, porquanto ele não tem lugar nas igrejas regularmente constituídas"(Institutas, IV; 3:4)

Se ele diz que tal ofício não tem lugar nas igrejas estabelecidas, ele nega que tais ofícios realmente existissem nas igrejas dos pré-reformadores e dos reformadores. Assim, também entendemos sua declaração nas "Institutas"(IV; 3:4), em seu 1º parágrafo, quando diz:

"Aqueles que presidem ao governo da Igreja, segundo a instituição de Cristo, são chamados por Paulo [Ef 4:11], primeiro apóstolos; em seguida, profetas; terceiro, evangelistas; quarto pastores; finalmente, mestres; dos quais apenas os dois últimos têm função ordinária na Igreja; os outros três o Senhor suscitou no início de seu reino, e, às vezes, ainda suscita, conforme à necessidade dos tempos".

É preciso entender a fala de Calvino. Ela não traz nenhuma conotação favorável ao providencialismo. Quando ele diz "embora eu não negue que depois houve também apóstolos, ou pelo menos evangelistas no lugar deles. Deus às vezes os suscitava, como ocorreu em nosso tempo. Pois, por meio deles, se fez necessário que reconduzissem da deserção do Anticristo, de volta a Igreja", se referindo a Deus levantar "apóstolos" e "evangelistas" em seu tempo, se refere, não no sentido "miraculoso" ou "extraordinário", mas no sentido ordinário e natural ligado aos ofícios de 'apóstolos' e 'evangelistas', no sentido de pessoas que traziam ensino['edificação', 'exortação' e 'consolação'](At 8:29-39; 1 Co 14:3), no caso dos profetas do NT. Isso deve ser entendido assim, porque Calvino fecha a frase usada fora do contexto pelos providencialistas, dizendo: "Contudo, ao próprio ofício chamo extraordinário, porquanto ele não tem lugar nas igrejas regularmente constituídas"(Institutas, IV; 3:4)

Em outras palavras, Calvino chama ambos os ofícios('apóstolos' e 'evangelistas') de 'extraordinários', quando se refere a eles no tempo dos apóstolos, não em seu próprio tempo[Sec. XVI], razão pela qual ele dizer que ele "não tem lugar nas igrejas regularmente constituídas"(Institutas, IV; 3:4). Então, é preciso entender o entendimento de Calvino quanto à natureza desses oficios, se referindo a eles como "extraordinários", quando alude à época do NT, mas não se referindo a eles nesse termo, quando faz referência a pessoas levantadas como 'apóstolos' e 'evangelistas' em seu tempo, no sentido de serem levantadas por Deus, para tirar os eleitos da igreja do Anticristo, trazendo-as de volta a verdadeira Igreja, através de verdadeira pregação e ensino

(h)A citação de George Gillespie[1613-1648]

Como é comum nos arraiais providencialistas, eles sempre citam essa frase de Gillespie:

"Sim, recém nascido, vou citar a página que você quer[e que não serve para teu propósito]: "Devo dizer que, para a glória de Deus, havia na igreja da Escócia, tanto no momento da nossa primeira reforma, e depois da Reforma, esses homens extraordinários que eram mais do que pastores e professores ordinários, até mesmo santos profetas que receberam extraordinárias revelações de Deus, e predizendo diversas coisas estranhas e notáveis, que consequentemente, vieram a acoontecer pontualmente para grande admiração de todos que conheciam os detalhes. Tais eram Sr. Wishart o mártir, o Sr. Knox, o reformador, também o Sr. John Welsh, o Sr. John Davidson, Mr. Robert Bruce, o Sr. Alexander Simpson, Sr. Fergusson, e outros. Gastaríamos muito tempo para fazer uma narrativa aqui de todos estes particulares, e há muitos deles que são estupendos, que dar exemplo, de alguns poucos, pode parecer derrogar o restante, mas se Deus me der oportunidade, pensarei que vale a pena o tempo para fazer uma coleção dessas coisas (Georgie Gillespie, A Treatise of Miscelany Questions, by Gedeon Lithgovv & George Svvintoun, Edinburg, 1649, p.70)

E o que essa declaração prova em favor do providencialismo? ABSOLUTAMENTE NADA. E vou provar. Considere comigo:

(i)"Predizer" é "Dizer ou anunciar com antecedência O QUE VAI OU PODE ACONTECER"(Michaelis Online). Isso não torna nenhum desses homens(Wishart, Knox, John Welsh, John Davidson, Robert Bruce, Alexander Simpson, Fergusson) portadores do dom da profecia, porque o sentido da frase dependerá da pessoa a quem falamos, se é um profeta do AT ou um membro da igreja apostólica, possuidora de algum dom miraculoso do Espírito Santo, o que não vem ao caso aqui.. Alguém, tanto no AT como no NT, como pregador da mensagem de Deus traz mensagens para o povo, avisando de que poderiam ser alvos de bençãos ou castigos divinos(Dt 11:26-28; 30:19; Rm 2:1-11), aludindo a coisas que aconteceriam ou poderiam acontecer e obviamente essas coisas ocorreriam, já que são produtos da lei da semeadura(Gl 6:7-8)

Afirmar que "homens como Wishart, Knox, Welsh, Davidson, Bruce, Simpson, e Fergusson "receberam extraordinárias revelações de Deus, e dizendo de antemão que diversas coisas estranhas e notáveis, aconteceriam ou poderiam acontecer", não prova nem que eles estavam profetizando ao estilo do AT-NT, sem citar nenhuma fonte dos mesmos, é uma afirmação inútil, porque não temos nenhuma menção das coisas que eles supostamente disseram que iriam acontecer. A frase é uma indução ou pressuposição pessoal do autor, não provando nada. Quais foram as extraordinárias coisas que Deus deu a eles? Não sabemos. Não temos nenhuma evidência de nada. Isso prova que você se alicerça numa frase inútil. Agora, examinando os escritos dessas pessoas, a quem, se alegou, terem recebido extraordinárias revelações de Deus, não encontramos crenças de alguém que se considerasse continuista, expansionista ou que se considerasse a si mesmo como portador de revelações particulares e extraordinárias, vindas de Deus. Considere algumas coisas:

- John Knox, em sua "Confissão de Fé Escocesa"(1560), diz:

"Cremos e confessamos que as Escrituras de Deus são suficientes para instruir e aperfeiçoar o homem de Deus, e assim afirmamos e declaramos que a sua autoridade vem de Deus e não depende de homem ou de anjo"(I)

Ele diz, ainda, em outro lugar:

"A vontade de Deus, claramente revelada em suas sagradas Escrituras, não apenas seguimos como uma lanterna que brilha diante de nós, dirigindo nossos caminhos, caminhando nas trevas desta mortalidade, mas também afirmamos que sua suficiência é tal que se um anjo vindo do céu, com maravilhas, sinais e milagres, nos declarasse uma verdade repugnante àquilo que já foi revelado, persuadindo-nos sobre isso a fundamentar nossa fé, ou a governar as ações de nossas vidas, nós o consideraríamos anátema, e de forma alguma o ouviríamos. Portanto, mais uma vez, não posso deixar de exortá-lo se por revelações poteriores você [me refiro a alguém, alguns de sua seita] tiver recebido algum novo conhecimento da vontade de Deus, pelo qual persuade os outros, de que o homem nesta vida deve ser puro e limpo, sem pecado; que Deus o expelirá, não apenas na ressurreição, mas enquanto andamos nos limites desta carne corruptível, assim como o sol resplandecente expele as nuvens escuras. Assim também os filhos de Deus devem dominar de tal modo os ímpios nesta terra que todos os tiranos e opressores orgulhosos se tornarão escravos dos piedosos e esse será o seu inferno e castigo, e o reino terreno dos outros será o seu céu e alegria prometidos. Examine se alguém de vocês está infectado com essas e outras fantasias grosseiras e tolas, que pela revelação de Deus você nunca será capaz de provar"(Ibidem, p.326)

Novamente, em sua obra "Dos Dons Espirituais Extraordinários", diz, aludindo a 1 Co 14:29-30 =

"Que a ordem seja observada em seu exercício, e especialmente que essa maneira seja dada a qualquer revelação imediata, e nenhuma confusão seja trazida à igreja por muitos falando ao mesmo tempo. E essa direção manifesta que o dom era extraordinário, e agora cessou; embora haja uma continuação de dons comuns do mesmo tipo, e para o mesmo fim, na igreja, como veremos depois, versículo 30"(The Works of John Knox, Volume 4, p.470)

E ainda, na mesma obra, ainda falando sobre o dom de discernimento de espíritos de 1 Co 14, diz:

"Aqui, portanto, Deus concedeu alívio para aqueles que eram menos habilidosos, ou menos cautelosos, ou menos capazes em qualquer conta para fazer um julgamento correto entre aqueles que eram realmente dotados de dons extraordinários do Espírito e aqueles que falsamente fingiam isso; pois essas pessoas receberam esse dom, e foram colocadas na igreja para esse mesmo fim, para que pudessem guiá-los e ajudá-los a fazer um julgamento correto nesta questão. E enquanto a comunicação desses dons é cessada, e consequentemente todas as pretensões a eles, a menos que por algumas pessoas frenéticas e entusiasmadas, não há necessidade da continuação desse dom de 'discernimento de espíritos'; essa regra infalível e permanente da Palavra e a assistência ordinária do Espírito são suficientes para nossa perseveração na verdade, a menos que nos entreguemos à conduta de concupiscências corruptas, orgulho, presunção, interesse carnal, paixões e tentações, que arruínam as almas dos homens"(Ibidem, p.472)

E ele ainda diz:

"Mas embora todos esses dons e operações tenham cessado em algum aspecto, alguns deles absolutamente quanto à maneira imediata de comunicação e grau de excelência; ainda assim, no que diz respeito à edificação da igreja no que diz respeito a eles, algo que é análogo a eles foi e é continuado. Aquele que deu 'alguns apóstolos, e alguns profetas e alguns evangelistas' deu também 'alguns pastores e mestres'. E como ele forneceu aos primeiros dons extraordinários, assim como qualquer coisa do mesmo tipo é necessária para a edificação contínua da igreja, ele concede também os últimos a ela , como será declarado"(Ibidem, p.475)

E ele continua, repetindo a mesma coisa, dizendo:

"Que eles não são comunicados a ninguém por uma inspiração repentina ou infusão extraordinária, como foram os dons de milagres e línguas, que foram concedidos aos apóstolos e a muitos dos primeiros convertidos. Essa dispensação do Espírito há muito cessou, e onde agora é pretendida por qualquer um, pode ser justamente suspeitada como uma ilusão entusiástica; pois assim o propósito desses dons, que em sua própria natureza excedem o poder total de todas as nossas faculdades, cessou, assim também cessa sua comunicação, e a maneira dela também"(Ibidem, p.518)

Como Wishart, Knox, John Welsh, John Davidson, Robert Bruce, Alexander Simpson e Sr. Fergusson "receberam extraordinária revelações de Deus, e predizendo diversas coisas estranhas e notáveis, que, consequentemente, vieram a acontecer pontualmente", se o Canon das Escrituras cessou com o Apocalípse?(Ap 22:18,19)? Se cremos que após o fechamento do Canon do NT, Deus falou autoritativa e canonicamente a esses homens, então por que não aceitamos os apócrifos que foram escritos após o fechamento do Canon do AT com Malaquias?

- George Wishart[1513-1546], citado pelos providencialistas, foi aquele que traduziu para o inglês a primeira confissão de fé helvética em 1536, e essa confissão ensina a suficiência das Escrituras. Na realidade esse tipo de crença é questionada pelos cristãos escoceses, como admite a "The Scottish Christian Herald"(05.01.1839/28.12.1839, Volume I), afirmando:

"De tal maneira um escritor recente foi tão perfeitamente certo que no caso nossos antepassados não poderiam, receber premonições de eventos futuros, de modo que eles mantém esta infundada carga contra Wishart: 'Mais provável que ele deve ter sido dotado com o espírito de profecia', coisa inconsistente com a razão ou a religião em supor que Deus pode, em ocasiões especiais, tais como em tempos de perserguição, conceder a seus servos fiéis e piedosos, pensamentos e avisos de eventos futuros"(p.143)

- Com relação ao Sr. John Welsh, o mesmo, em seu "Sermão 31'", diz:

"A coisa que deixamos foi a indicação dos meios e do uso que Deus tem, de Sua Palavra, ordenando que você estivesse ocupado nela enquanto está em sua peregrinação e durante a ausência do Senhor, Tua Cabeça; de modo que significa que Deus prometeu uma bênção, se você usá-los".

E no Sermão 48, declara:

"E quanto a ti que tem provado de uma ira e que sabe o que é ser privado da Presença de Deus para sempre, nenhuma outra consolação te contentará mais do que esta do Espírito revelado na Palavra".

- Com relação ao Sr. Robert Bruce, em seu "5º Sermão sobre Isaías", diz:

"Como os fiéis, novamente, vejam as Escrituras, e olhem para a perfeição que é aneladas nelas, olhem para o progresso e aumento da fé que é almejada nelas".

- Com relação ao Sr. Alexander Simpson, em seu Sermão "A Tentação de Cristo", declara:

"Agora, este dever não pode ser conhecido sem o poder vivo da Escritura, e que, na sua ausência, tudo é comparativamente inútil, e a Escritura, que sozinha revela a obrigação e a ordem, é essencial para a nossa estabilidade no dia do mal. O Espírito Santo promete eficácia somente quando à defesa dos argumentos é extraída da Palavra de Deus".

(j)A citação de Lloyde-Jones:

"Na mesma esteira de Baxter; segue Lloyde-Jones ao afirmar que 'não exise dúvida de que o povo de Deus pode buscar e esperar por direção', 'orientação', indicações sobre o que eles têm que fazer. Homens foram instruídos pelo Espírito Santo acerca do que devem fazer; eles sabiam que era o Espírito que lhes estava falando, e eles souberam com certeza qual era a sua direção. Parece claro para mim, que, se negarmos tal possibilidade, novamente nos tornaremos culpados por estarmos apagando o Espírito"(Sob os Céus da Escócia, p.46, citando Llloyde-Jones, O Espírito Soberano: Discernindo Seus Dons, pp.89-90)

Comentário: (a)A citação de Lloyde-Jones não tem contexto, de formas que não podemos fazer uma análise perfeita do sentido de sua fala. Todavia, mesmo nessa fala truncada, não há nada explícito mostrando o mesmo ensinando uma direção do Espírito sobre os homens fora de sua Palavra. Em seu livro "A Unidade Cristã", ele nega toda espécie de continuísmo.

(l)A citação sobre Samuel Rutherford:

"Para Barrow, Rutherford está analisando detidamente os fatos ocorridos outrora e afirmando que revelações sobrenaturais estavam acontecendo em profusão, ainda que o canon bíblico estivesse encerrado"(Sob os Céus da Escócia, pp.80-81)

Uma coisa é você se escorar em opiniões de terceiros sobre alguém. Outra, bem diferente, é você recorrer as fontes primárias desse alguém. Isso, este autor providencialista não fez. Não citou uma única obra de Samuel Rutherford defendendo qualquer tipo de continuísmo [expansionismo, providencialismo, etc]. Não há absolutamente nada, exceto narrativas vazias. Samuel Rutherford[1600-1661], ministro presbiteriano e membro da Assembleia de Westminster, em seu livro "Uma Pesquisa sobre o Anticristo Espiritual", disse: "Não temos agora apóstolos tão eminentes em dons, línguas, milagres, mas há um ministério e crentes, até a segunda vinda de Cristo. Haverá, E se, pois, sua fé deve vir pelo ouvir, e ouvir não pode existir sem pregação de pregadores ordenados e enviados[Rm 10:14], caso contrário, as portas do inferno prevaleceriam contra a Igreja construída sobre a Rocha [Mt 16:18]. E, portanto, a Escritura nos manda pensar que havia profetas para a primeira era, e pastores e mestres até a segunda vinda de Cristo"(A Survey of the Spirituall Antichrist['Uma Pesquisa sobre o Anticristo Espiritual', Londres, 1648, p.212)

No capítulo 12 ['Sobre Novas Revelações e a Cessação da Profecia'] desse livro [Uma Pesquisa sobre o Anticristo Espiritual'], Rutherford ainda diz:

"Agora para falar sobre o argumento dos presenteadores, que querem que se espere novas revelações, e que o Espírito fale imediatamente nos homens, sem a Palavra; apresentarei algumas razões contra essa doutrina:

i. Se esperássemos novas revelações, então o Canon da Escritura ainda não estaria fechado, e a Igreja ainda não estaria edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas[Ef 2:20]. Mas, o Canon da Escritura está fechado, e a Igreja está edificada sobre esse fundamento. Portanto, não devemos esperar novas revelações. Pois se o Espírito falasse coisas novas agora, então ou a Escritura anterior é defeituosa, e não suficiente para tornar o homem de Deus perfeito[2 Tm 3:16-17], ou então Deus falou imperfeitamente no início, e deve agora falar mais perfeitamente; imaginar ambas as coisas é blasfêmia".

(m)Outros argumentos providencialistas refutados![Retirados de um site providencialista]

1ª Mentira - 'Profecias não transmitem doutrina'

A primeira coisa que você pode fazer, para esmigalhar a tese providencialista, expansionista ou qualquer forma de anti-cessacionismo, é usar as Escrituras Sagradas. O contexto do verso, que liga 'profecias' a conhecimento parcial de Deus e a infância da Igreja(1 Co 13:8-11). Segundo, porque o sentido da palavra no texto grego original, concorda com a definição que os léxicos gregos dão de "τέλειος"(teleios)(palavra que aparece em 1 Co 13:10, traduzido como "perfeito" do verso), de acordo com com o "The New Strong’s Expanded of Bible Words", se refere "A REVELAÇÃO COMPLETA DA VONTADE E DOS CAMINHOS DE DEUS[1 Co 13:10]"(p.1408).

Portanto, de acordo com o texto original grego de 1 Co 13:10, "perfeito"(τέλειος), ali, se refere, não a segunda vinda do Senhor Jesus, mas à completude das Escrituras, com o fechamento do Canon.

Satanás e seus ministros, como não tem como provar que os eventos bizarros pós-apostólicos [onde aparecem indivíduos supostamente possuindo o dom de profecia] do 'profecias' são da mesma natureza do dom da profecia ocorrido na era apostólica, procurando se desvencilhar da insofismável verdade de que esse dom cessou, agora dá um tiro no próprio pé, dizendo que a moderna 'profecia', supostamente ocorrida após a era apostólica, não traz 'nova doutrina'. Mas, o que está ocorrendo com esses mimetistas do montanismo? Se o próprio Paulo disse que o dom de profecia trazia ensino[doutrina]para a igreja[1 Co 14:3], e se esses hereges dizem que as modernas 'profecias' dos providencialistas não trazem 'nova doutrina', estão apregoando que o que ocorre nesses antros onde supostamente ocorreu o dom de profecia não foi o mesmo evento do NT. Se as 'profecias' ocorridas após a era apostólica não são da mesma natureza das ocorridas na era apostólica [pois nessa era, o dom de profecia era considerado como sendo a inspirada e infalível Palavra de Deus - At 21:11 comp. com Nm 16:29-39; Dt 18:21-22; 1 Re 21:19; Jr 9:12 1 Co 12:9-10,28], então temos um "OUTRO JESUS... UM OUTRO ESPÍRITO... UM OUTRO EVANGELHO..."(2 Co 11:4) entre os grupos apontados pelos providencialistas, como receptores do dom da 'profecia'. Temos demônios, se passando pelo Espírito Santo, atuando e enganando essas pessoas no decorrer dos séculos. Mas, se os mimetistas montanistas-providencialistas ousarem querer manter que essas modernas 'profecias' pós-apostólicas são da mesma natureza da operada na era apostólica, estão ou estarão automaticamente, com isso, afirmando que temos 'nova doutrina' sendo trazida hoje, porque o dom de profecia trazia doutrina para a igreja[1 Co 14:3]. Não tem como escapar dessa camisa de força. Se correr. o bicho pega. Se ficar, o bicho come.

2ª Mentira [E HERESIA] - 'Profecias' ['Pós-Apostólicas'] não são 'revelação infalível' de Deus!

Vejam. Enquanto as Escrituras, ao falarem do dom de profecia, operado na era apostólica, o identificam como sendo infalível palavra de Deus(At 13:1-2; 21:6). Inclusive, Paulo a descreve como sendo uma revelação parcial [incompleta] da Palavra de Deus[1 Co 13:8-10], colocando-a ao mesmo nível das Escrituras, dizendo que as mesmas não deviam ser desprezadas[1 Ts 5:19-21 comp. com Nm 15:31; 2 Sm 12:9; 2 Cr 36:16; Is 5:24; Sl 107:11; Pv 1:30; 13:13; 19:16; Mt 23:23].

Quando as revelações eram dadas pelo Senhor por meio das profecias, aos profetas, aquilo era considerado infalível:

"E crescia Samuel, e o Senhor era com ele, E NENHUMA DE TODAS AS SUAS PALAVRAS DEIXOU CAIR EM TERRA. E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que SAMUEL ESTAVA CONFIRMADO POR PROFEA AO SENHOR"(1 Sm 3:19-20)

Assim, quando um herege providencialista diz que Deus manda profecias, mas essas profecias não são infalíveis, está negando a inspiração verbal e plenária de cada palavra de Deus, e está dizendo na realidade que Deus pode falhar em suas mensagens dadas por meio de profecias, o que contraria textos das Escrituras como 1 Re 21:23 comp. com 2 Re 9:30-37; Js 21:45; Mt 1:22; 5:18. Sim. As Escrituras mostram a impossibilidade de uma única palavra dita pelo Senhor não se cumprir!(Dt 18:22; Jr 39:16; Ez 12:25; 39:8; Is 38:7; Lc 1:20,45; 18:31).

Quando um 'providencialista' vem dizer: 'As profecias' que Deus mandou para a igreja, após o fim da era apostólica, não são infalíveis', está agindo igual ao liberal, que diz: 'A Bíblia contém a Palavra de Deus'. Para ser mais claro. É como se Satanás dissesse: 'Deus manda sua palavra aos homens, mas quando Deus fala, na verdade, ele não está realmente falando'. O deus providencialista deve ser um médium incorporando uma entidade, trazendo uma mensagem para o homem, ou um portador do mal de alzheimer. Aliás, essa argumentação, que diz que as 'profecias' que Deus manda a Igreja, após a era apostólica, não são infalíveis, é plágio velho e barato do pentecostalismo, que chega a dizer, se referindo a ingestão de veneno de Mc 16:18, que nem tudo que Jesus predisse se cumpriu(Bíblia de Estudo Pentecostal, p.1496), fazendo de Deus e de Jesus, fontes de erro. É heresia e liberalismo elevados ao cubo! PROVIDENCIALISMO É DOUTRINA DO CAPETA. ARREDA, SATANÁS!

3ª Mentira[E HERESIA]: 'Profecias não estão no mesmo nível das Escrituras'

Isso já foi refutado, quando dissemos que enquanto as Escrituras, falam do dom de profecia, operado na era apostólica, o identificam como sendo infalível palavra de Deus(At 13:1-2; 21:6). Inclusive, Paulo a descreve como sendo uma revelação parcial [incompleta] da Palavra de Deus[1 Co 13:8-10], colocando-a ao mesmo nível das Escrituras, dizendo que as mesmas não deviam ser desprezadas[1 Ts 5:19-21 comp. com Nm 15:31; 2 Sm 12:9; 2 Cr 36:16; Is 5:24; Sl 107:11; Pv 1:30; 13:13; 19:16; Mt 23:23]. A recomendação de Paulo, acerca das profecias, dadas aos portadores do dom de profecia, eram que Timóteo deveria lutar por elas:

"Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia"(1 Tm 1:18)

Mandaria Paulo que Timóteo batalhasse pelas mensagens das profecias, dadas a ele, por meio do dom de profecia, se ele mesmo não cresse que as mesmas traziam a infalível Palavra de Deus? Sobre esse assunto, comenta Calvino:

"Alguns, provavelmente, objetarão: 'Se Deus, pela instrumentalidade de seus profetas, pronunciaria quwe tipo de ministro que Timóteo seria, que objetivo teria em admoestá-lo a demonstrar que que era tal pessoa? Porventura podia ele tornar falsas as profecias pronunciadas por Deus?'. Minha resposta é que o resultado só podia ser aquele que Deus prometera; no ínterim, porém, era dever de Timóteo não entregar-se à indolência e inatividade, e, sim, demonstrar por meio de sua obediência ser um vigoroso e dedicado instrumento da providência divina. é por isso que Paulo, desejando estimulá-lo a um zelo mais intenso, tem boas razões para lembrar-lhe as profecias por meio das quais Deus se comprometera e dera garantias à Igreja de Cristo no tocante a Timóteo; dessa forma foi ele lembrado da razão por que fora chamado"(Com. de 1 Tm 1:18)

Essa é a ideia. As profecias, proferidas por aqueles a quem Deus deu o dom de profecia no NT, eram a infalível e inerrante Palavra de Deus, de formas que não havia nenhuma possibilidade de falha, no cumprimento de todas elas. O verbo grego "στρατεύω"(strateuō), aqui traduzido por Almeida como "milites", de acordo com o Léxico Grego do Novo Testamento de Edward Robinson [publicada pela anticessacionista CPAD], significa literalmente "servir na guerra, ser um soldado, guerreiro; guerrear, combater"(p.854). Por que razão, Paulo pediria que Timóteo travasse uma luta, guerreasse, combatesse, por elas['as profecias'], se elas não fossem infalíveis e pudessem falhar? Qual seria o sentido de alguém lutar por algo que pudesse a qualquer momento, desmoronar, ruir, cair? Por isso, Calvino entende que ninguém, nada, poderia fazer com que aquelas profecias, vindas da parte de Deus, se tornassem falsas. Simplesmente porque, elas eram infalíveis, porque sua fonte e origem eram Deus.

4ª Mentira: 'Puritanos criam em revelações particulares, dadas por Deus'.

É impressionante, Até a citação feita nesse print, atribuída a J.I. Parker, é adulterada. Ela fala em 'revelações informativas'. Eis a citação na íntegra:

"A propósito, algumas semanas atrás você me enviou um extrato de citações de Baxter sobre Deus fazendo revelações pessoais. Essa era a visão puritana padrão, como observei, eles não eram cessacionistas no sentido de Richard Gaffin”(Wayne Grudem, Wayne. O Dom de Profecia Hoje. Editora Carisma, p. 259)

Que puritanos não criam em revelações particulares já ficou claro pelas várias citações que já fizemos aqui.

Oremos para que os providencialistas sejam convertidos por Deus, e abandonem suas heresias!

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